Na atual estrutura da Cadeia Agroindustrial do leite dois fatores contribuem para aumentar o problema de segurança alimentar relacionada com esse alimento.
Cabe mais uma vez afirmar que a comercialização de produtos lácteos sem inspeção no Brasil atinge níveis extremamente elevados, independentemente da interpretação que se dê às estatísticas. Tradicionalmente vínhamos trabalhando com a informação de que cerca de 45% do leite consumido no Brasil era advindo da produção e comercialização informal. No entanto, recentemente o Prof. Sebastião Teixeira Gomes escreveu artigo para a Folha de São Paulo apontando que, descontado o autoconsumo, a informalidade no setor de lácteos corresponderia a somente 15% do total consumido. No entanto, é importante apontar que esta característica não é peculiar do setor lácteo, visto que a clandestinidade atinge índices bastante elevados em outras cadeias alimentares. As estatísticas apontam um índice de informalidade de 41,7% no setor de carne bovina, 25,7% no setor de avicultura e 18,7% no de suinocultura, conforme mostra o quadro abaixo.

Estes dados, na verdade são coerentes com vários dados relativos à informalidade na economia brasileira. Em recente reportagem publicada na Folha de São Paulo foi apontado por especialistas que mais de 35% dos empregados brasileiros operavam na informalidade. Isso significa uma organização precária da economia e reflete uma tentativa de driblar mecanismos formais que geram dentre outras coisas, elevados custos ao processo, em função da alta carga tributária deste país.
Concluindo, a comercialização de leite por mecanismos informais é um problema para o setor, mas nada muito diferente do que ocorre em outros setores, e representa um problema crônico da economia brasileira.
Na próxima semana vamos discutir as limitações que temos no que diz respeito à segurança alimentar na parcela dos alimentos que circula pelas vias formais e que teoricamente é submetida a processos de inspeção e análise pelos órgãos oficiais.