Rumo ao estrangeiro!!

Apesar das controvérsias e especulações, em pouco tempo, senão já neste ano, o Brasil será auto suficiente em produção de leite. Saiba mais sobre as novidades!

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Apesar das controvérsias e especulações, em pouco tempo, senão já neste ano, o Brasil será auto suficiente em produção de leite. Sendo assim, haverá excedente exportável, o que soa muito bem aos ouvidos dos economistas, especialmente aqueles da equipe que dirige o país.

Porém, apesar da expectativa com a possibilidade de exportação, o leite excedente pode gerar maior pressão interna nos preços, conforme já abordado em artigos anteriores. Para efeito comparativo, basta analisar a pressão nos preços que ocorre atualmente, ainda com a necessidade de leite importado para atender a demanda, e extrapolar para uma situação de sobra de leite.

Justamente com base neste aspecto de mercado que algumas teorias têm defendido a busca por redução da produção, ao invés de aumentar e gerar excedente. Embora seja um argumento correto sob a ótica das máximas de mercado, tal estratégia nada mais seria do que uma fuga da realidade e adiamento do problema. Além de tudo, limitaria a expansão do agronegócio do leite no país, uma vez que há um mercado mundial em expansão e o Brasil tem condições favoráveis para "abocanhar" fatias deste mercado.

Dentro desta linha, recentemente foram divulgadas iniciativas de negócios e contratos para exportação de lácteos para países africanos, especialmente a Argélia. Embora haja outras indústrias abrindo mercado para exportação, as que aparentemente saíram na frente (pelo menos que divulgaram) foram as centrais cooperativas, através da Itambé, da Paulista e da Leite Nilza, nova central que tem mostrado que não veio para brincadeira ( formada pela Coonai, Coopercarmo e Casmil ).

Embora o volume de leite contratado ainda seja pouco representativo, é importante frisar a necessidade de estar no mercado abrindo portas para grandes volumes futuros. Como se diz no interior, "depois que passa um boi, passa a boiada", porém a porteira precisa permanecer aberta. Portanto, as iniciativas das cooperativas colocam o Brasil na "briga" por espaços no mercado internacional, pois através destas aberturas estabelece-se a possibilidade de realizar bons projetos de marketing. O marketing pode até ser desenvolvido em atuação conjunta, como tem se buscado no agronegócio da carne. Quando se pensa em marketing, logo se imagina o investimento em propaganda, que nada mais é do que apenas uma das ferramentas utilizadas. Marketing consiste em várias ações que levam a conhecer o mercado e adaptar produtos que possam atendê-lo de maneira satisfatória para os clientes e para a empresa.

Dependendo do sucesso destas cooperativas, as perspectivas para o produtor podem melhorar no curto prazo, tendo em vista a firmeza que a atuação no mercado internacional tende a gerar nos preços internos da matéria prima. Vale ainda lembrar que neste mercado o Brasil compete com produtos subsidiados. Enquanto para nós, brasileiros, o subsídio europeu ou norte americano é maléfico, para países compradores nada melhor do que preços mais baixos.

Além da importância na busca por fatias de mercado, outro ponto positivo foi alcançado com esta iniciativa das cooperativas: a imagem do agronegócio leiteiro do país melhora perante a economia. O país, até agora insuficiente na produção leiteira, começa a dar sinais de competitividade no mercado internacional, sem subsídios o que é mais importante. Politicamente, em meio à tantas discussões entre os blocos econômicos, o início das exportações veio em bom momento.
Resta agora consolidar a tendência e aumentar a participação no mercado gradualmente.

Lembre-se que apesar de excelente para o agronegócio do leite, não serão as exportações que resolverão os problemas do leite no Brasil. Serão apenas parte das soluções.
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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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