O desempenho do atacado tende a dar sustentação à manutenção nos valores pagos aos produtores pela produção de julho, cujo pagamento será realizado em agosto, meados do mês.
A estabilidade do mercado do longa vida tem se mantido durante cinco meses, desde março deste ano.

O preço atual do longa vida no atacado praticamente se iguala ao valor médio dos últimos três anos, em reais deflacionados, conforme é ilustrado no gráfico.
Pela figura é inegável a tendência de perda de valores que vem ocorrendo para o leite longa vida, quando considera-se a inflação. Com os preços considerados bons atualmente, o valor real (deflacionados) apenas atingiu a média do período.
No entanto, caso o preço se mantenha estável próximo desta média, as condições serão melhores para produtores e indústrias que poderão planejar e estabelecer estratégias de médio e longo prazo na atividade.
Nos anos de 1999 e 2001, as variações entre os preços médios mensais máximos e mínimos foram de 39% durante o ano. No ano 2000, cujo pico de preço é destacado no gráfico, a diferença entre o maior e o menor valor médio mensal atingiu 86%, quase que reduzindo pela metade o valor do leite longa vida no período de 5 meses. Em 2002, até o momento, esta variação não ultrapassou os 16,5%, ainda um valor considerável dentro de uma economia teoricamente estável.
O aumento nos preços dos produtos lácteos no varejo foi praticamente igual ao observado no atacado, cerca de 4,2% entre preços da capital e interior de São Paulo.
Em termos de margens, os valores do longa vida no varejo ficam em torno de 8 a 10% superiores aos preços do atacado na pesquisa dentro do Estado de São Paulo, interior e capital. Considerando apenas a capital, as margens atingem até 22% de diferença entre o valor pago pelo consumidor e o recebido pela indústria. Enquanto no varejo, os preços pesquisados são os reais, no atacado é o valor de tabela, sem contabilizar descontos ou taxas normalmente cobrada pelos supermercados, uma reclamação constante das indústrias.