Como já é de conhecimento geral, os preços pagos em agosto pelo litro de leite recuarão cerca de 10% em grande parte dos laticínios na região sudeste. Em Goiás, os recuos nos preços devem atingir os 35%, com o mercado "spot" hoje batendo na casa dos R$0,26/litro (chegou a R$0,50).
A produção de Goiás - uma das bacias mais importantes e distante dos grandes centros consumidores - deve contabilizar as maiores quedas, tendo em vista o impacto do excedente de oferta, que se concentrou no Estado.
Em São Paulo, a produção de julho, que seria paga nos mesmos patamares de preços de junho, tende a ser remunerada, em média, em valores próximos a R$0,34, para o leite tipo C, 7 a 10% mais baixo que o recebido em julho. Os maiores recuos em centavos por litro devem ocorrer para o leite tipo B - maior concentração de produtores mais especializados e com maiores bonificações por litro de leite.
Considerando os preços médios da década de 90, os valores de julho, deflacionados pelo IGP-DI, são de R$0,47/litro. Apenas durante o plano real, mais próximo da realidade atual, os valores médios de julho atingiram R$0,41/litro, aplicando o IGP-DI.
Mesmo considerando que normalmente há esta perda de valores dos produtos agrícolas em relação à inflação, no caso do leite essa perda tem sido drástica e de difícil recuperação por parte dos produtores, que ano a ano precisam apertar os cintos e tentar maior redução de custos.
Fato comprovado pela insatisfação geral dos produtores de leite e, em parte, pelo aumento da produção. A cada ano, a exigência de escala de produção para rentabilidade nas fazendas aumenta, enquanto que em meados da década de 90, falava-se em 300 litros por dia como escala mínima para uma pequena propriedade. Hoje fala-se em 500 litros, considerando a mão de obra familiar na atividade.
Com a queda prevista para os preços de julho, que estarão sendo pagos nesta semana, os preços do leite serão da ordem de 28% inferiores à média da década e 19% inferiores à média de preços de 1995 a 2000.
Para o produtor, que no ano passado teve um momento de euforia, nada poderia ter sido mais maléfico que o recuo nos preços, dificultando qualquer planejamento na atividade. Este ano, no entanto, sem aumentar o preço, o recuo ocorreu novamente e os preços médios de julho serão pagos a valores de R$0,02 a R$0,04/litro abaixo da expectativa esperada pelo fornecedor; isso para aqueles mais realistas, que não esperavam aumentos da ordem semelhante a observada no ano passado.
Quem produz e planeja aumento de produção, nesta época de preços mais altos, sabe o impacto de cada centavo por litro produzido durante o mês. O custo de produção é mais elevado nesta época do ano, o que normalmente seria compensado e premiado pelos preços de entressafra.
No ano passado o preço subiu muito e observou-se retração no consumo e pressão do varejo, culpa do segmento produtivo. Este ano o preço do leite longa vida no atacado não ultrapassou os R$1,07/litro em média, portanto não houve preços elevados. De quem é a culpa este ano? O produtor por produzir mais na entressafra?
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