Onde mais perdemos terreno ?

Para o produtor e para a indústria, evidentemente, o preço de leite no mercado atacadista elevado, é melhor. Entenda melhor sobre o assunto, acesse.

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Maurício Palma Nogueira

Em média os preços do leite e derivados no atacado recuaram cerca de 0,8% no final do mês de abril e início de maio, em relação ao período de um mês.

Novamente, os melhores resultados por categoria foram para os fluídos.

O longa vida integral possui preços variando de R$0,90 a R$1,15/litro no atacado. O aumento em relação ao mês anterior foi mais modesto comparado com o mesmo período de 2000, quando o longa vida aumentou 6%. Neste mês o aumento médio foi de 1,8% em relação a março/abril.

Para o produtor e para a indústria, evidentemente, o preço de leite no mercado atacadista elevado, é melhor.

Porém é necessário avaliar o impacto do preço no consumo, pois a preços altos há retração na demanda, ocorre aumento de estoques, desequilíbrio de oferta e demanda tanto pela redução de consumo como pelo aumento de oferta por parte dos laticínios que direcionam leite para sua produção de longa vida. O fato foi comum no ano de 2000, quando os preços acabaram recuando abruptamente por falta de planejamento do volume de produção.

Para os produtores é mais interessante que as cotações se mantenham constantes em patamares que permitam preços condizentes com a realidade da produção pecuária e industrial.

Tal situação gera vários outros problemas como a "areia na engrenagem" de quem trabalha de maneira organizada e o favorecimento de fraudes como o famoso 3 S (soda, sonegação e soro).

Portanto, é de se esperar que um aumento brusco nos preços de um produto, acima da realidade do mercado, será seguido de uma queda também brusca, geralmente mais acentuada do que a alta, pois sofrerá duas pressões: a queda da compra e o aumento de produção.

Observe no gráfico, a relação de troca em litros de leite no atacado por salário mínimo.

 

Gráfico 1



Evidentemente que o consumidor quando compra leite no varejo pagará o valor com as margens brutas contabilizadas, em torno de 25 a 30% sobre o litro de leite no atacado.

Pelo gráfico poderia se concluir que nos últimos dois anos não houve tanta alteração no poder de compra, salvo a exceção do período de julho e agosto do ano anterior.

De fato, o salário mínimo tem permitido a compra das mesmas quantidades de leite, em tese, pois outros fatores estão envolvidos.

A alimentação concorre hoje com outros bens de consumo. A participação da alimentação no orçamento familiar tem se reduzido, segundo dados do IBGE.

Mesmo que o salário mínimo aumente, os interessados na preferência do consumidor devem estar atentos aos demais produtos que começam a fazer parte dos hábitos de consumo, tomando lugar daquele "copinho de leite" antes de dormir ou mesmo o queijinho como aperitivo de fins de semana.

Involuntariamente a agroindústria do alimento tem se sacrificado para dar espaço a novos hábitos do consumidor, como celulares e outros aparelhos eletrônicos que, além do seu valor de compra, aumentam as despesas com energia elétrica, contas, etc. pesando no orçamento familiar.

Para a entressafra deste ano, novos aumentos nos preços serão benvindos à cadeia leiteira, porém que não atinjam índices proibitivos derrubando o poder de compra como aconteceu em agosto do ano passado, cuja redução estimada esteve em 10%.

 

Tabela 1


 

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