Observando o mercado

Até meados do mês de outubro, o preço do leite no mercado "spot" não havia recuado, pelo contrário, registrou-se até um aumento de 1,2% nos valores médios em relação ao observado durante setembro.

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Até meados do mês de outubro, o preço do leite no mercado "spot" não havia recuado, pelo contrário, registrou-se até um aumento de 1,2% nos valores médios em relação ao observado durante setembro.

Em setembro, os preços haviam baixado R$0,05/litro em média no mercado "spot", o que deixava claro que o mercado ao produtor sofreria pressão.
Com o mercado "spot" firmando-se nos atuais patamares, sem registrar maiores quedas, o fato poderá ser tomado como um indício de que a tendência seja que o leite ao produtor realmente não abaixe muito em relação aos atuais patamares. Nos meses de julho e agosto os preços foram os mais altos em 2003.

Depondo a favor da firmeza do mercado "spot" já existem informações de cooperativas aumentando preços aos produtores, indo contra a tendência atual, visando aumentar a coleta e atender acordos de fornecimentos de leite "spot". No entanto, ainda se fala no mercado em queda nos preços deste mercado, o que não está se confirmando.

Mesmo assim, o que decide as tendências de preço é o mercado consumidor e é neste mercado que se deve avaliar as perspectivas para as próximas semanas.
Há muito tem sido dito que os preços ao consumidor estão muitos altos, que os preços valorizaram-se demais e chega-se ao absurdo de se afirmar que produtores e indústrias estão ganhando muito este ano. No entanto, a verdade é outra. Observe na tabela 1 os preços em valores reais, corrigidos pelo IGP-DI, para os preços do leite longa vida e leite B, no mercado paulista, nos últimos 4 anos.
 


Atualmente os preços no atacado são os menores, quando se considera os valores reais médios anuais de 1999 até 2003.

Em relação aos valores dos últimos anos, a média dos preços do longa vida está R$0,10/litro abaixo e a do leite tipo B está R$0,18/litro abaixo da média dos últimos quatro anos.

Se o preço está chegando alto para os consumidores, não é a indústria que está sendo melhor remunerada.

O ano de 2003 parece trazer dois problemas para a indústria: pressão pela baixa oferta e pressão pela baixa demanda. Embora pareça um contra-senso do mercado, o fato ocorre pelo motivo da necessidade de prevenir o abastecimento nos próximos meses.

Se o preço cair muito, as indústrias perdem fornecedores. Portanto, reduzir os preços, deixando-os acompanhar a lei da oferta e demanda, poderia comprometer a coleta dos próximos meses.

Nestas condições, o preço médio do leite ao produtor, em 2003, está R$0,02/litro acima da média dos últimos 4 anos. Com isso, atualmente o preço do leite cru representa 39,9% do valor de atacado do leite longa vida. Na média histórica, o leite cru representa 34,5% do valor do leite longa vida. Esse dado, por si só, evidencia parte dos motivos da pressão nos preços aos produtores.
O ideal seria conseguir com que o mercado voltasse a absorver preços do longa vida em torno de R$1,35/litro no atacado. Lembre-se que o longa vida, pelas suas características, ainda é o produto cujos preços balizam o mercado.

Preços naqueles patamares são viáveis, mas há necessidade de um esforço em conjunto para aquecer o consumo.

Por mais que o leite tenha sido apontado como causa no aumento do custo de vida em 2003, pele menos no atacado, os preços nem acompanharam a inflação.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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Savio Santiago
SAVIO SANTIAGO

OUTRO - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/10/2003

Deve-se levar em consideração a pressão das grandes redes mercadistas com o auxílio da massa consumidora em manter o movimento de baixa no leite, principalmente o longa vida que já está sendo vendido no atacado a até R$ 1,01 nas praças de Rio e São Paulo.

Chega-se facilmente a conclusão que se o longa vida atinge esses patamares a média dos produtores deveria girar em torno de R$0,35 a R$ 0,38, no entanto os preços pagos ainda giram de R$ 0,44 a R$ 0,50. Sabemos das dificuldades dos produtores em relação ao custo de produção e por isso achamos que chegou a hora da classe produtora e indústria se unir em torno de um movimento para viabilizar o mercado neutralizando a pressão das redes mercadistas.

Se as coisas continuarem dessa forma a indústria só vai se achatar cada vez mais e os produtores vão acabar tendo que ajudar a pagar essa conta de uma equivocada política para o leite em nosso país.

Sávio Santiago - Gerente de Política Leiteira IVP/Resende RJ - Leite Bom Cheff
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