No entanto, quem dita os preços são os consumidores e muitas vezes os varejistas utilizam de pressões estratégicas para aumentar suas margens ou atrair clientes para dentro de seus estabelecimentos. Preços baixos de leite consistem em eficientes chamativos.
No varejo os valores médios do longa vida, preços ao consumidor, tem ficado entre R$1,15 e R$1,18/litro durante as últimas semanas. Estes valores tem se mantido nestes patamares há alguns meses. Sendo assim, os valores no varejo ditam o comportamento dos preços no atacado que por fim são repassados aos produtores.
Como já foi comentado há algumas semanas atrás, acredita-se que as CPI's tenham, de certa forma, contribuído para uma retração na agressividade dos varejistas, que acabaram reduzindo suas margens brutas no caso do longa vida (preço de venda ao consumidor sobre o preço de compra da indústria). Há cerca de um ano as grandes redes trabalhavam com margens em torno de 25% a 35% nos preços de vendas enquanto hoje trabalham com margens variando entre 16% a 23% na comercialização do leite longa vida. Porém, acredita-se que estas margens sejam ainda superiores uma vez que a pesquisa de mercado coleta os preços de venda e não os valores reais negociados entre a indústria e os grandes varejistas. A cobrança das tão comentadas taxas aplicadas pelos supermercados consistem em maiores margens durante a negociação com as indústrias.
As análises econômicas, veiculadas inclusive no Jornal Nacional no início do ano, denunciando aumento abusivo nos preços do leite, alarmaram o setor, pois teoricamente não haveria espaço para recuperação nos preços do leite. Diz-se recuperação pois os valores estão abaixo do que eram anteriormente, por isso não consiste em um reajuste.
Observe no gráfico abaixo a evolução, em Reais nominais, dos preços do longa vida no mercado atacadista de 2002.
Aquela elevação nos preços no início do ano espanta qualquer consumidor. Porém, veja que preços acima de R$1,10/litro no varejo não são inviáveis e permitem melhor remuneração da indústria e produtores. No entanto, estes valores ainda são insatisfatórios, uma vez que em 2000 era apontado o preço de R$1,05/litro do longa vida como valor ideal para que fosse possível melhor remuneração de toda a cadeia láctea, especialmente de quem está dentro da porteira se sentindo como "atolado na esterqueira".
A estabilidade dos preços no atacado no final de junho deixa a expectativa de manutenção dos valores a serem pagos pela produção do mês de junho, que será pago agora em julho. Confirmando-se esta tendência, as estimativas mais pessimistas, em que esperava-se reduções nos preços já para este mês, não se concretizarão; uma boa notícia para o produtor.
Caso não haja especulações, pressões desnecessárias e erros estratégicos, lentamente os valores repassados ao consumidor podem ser recuperados. Lembre-se que, contabilizando a inflação, o preço do leite ao consumidor cai ano a ano.