O que poderia atrapalhar a queda nos preços dos concentrados?

Conheça os fatores que poderiam influenciar negativamente na expectativa de preços mais baixos para os concentrados durante esta entressafra.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Maurício Palma Nogueira

Com relação ao artigo sobre concentrados do dia 9 de março, muitos produtores têm perguntado sobre os fatores que poderiam influenciar negativamente na expectativa de preços mais baixos para os concentrados durante esta entressafra.

Em qualquer análise para estimativa de ambientes futuros para mercado de produtos agrícolas, especialmente os comoditizados, deve-se considerar as forças de pressão da oferta e da demanda.

No caso do farelo de soja, lembrando do artigo do dia nove, previa-se um ambiente de preço alto por expectativa de aumento da demanda mundial, tendo em vista a crise da vaca louca. O caso do milho é relacionado principalmente ao excedente de produção.

Pois bem, depois da vaca louca veio a aftosa na Europa, os Estados Unidos anunciaram super safra mundial de soja e a queda no consumo de carne na Europa chega a ser alarmante. Há relatos de aumento na demanda de carne de avestruz, canguru, crocodilo e outros animais menos convencionais no continente Europeu buscando alternativas para o consumo. Embora pareça, isso não é uma piada.

Com toda esta situação, em relação à demanda, o que poderia ocorrer provocando alta nos preços dos concentrados?

Evidentemente o Europeu, e qualquer outro povo com medo de carne bovina, não irá deixar de consumir proteína. Também não será através do consumo de avestruz, crocodilo, etc, que irão satisfazer suas necessidades. Os principais substitutos da carne bovina, para os consumidores que a abandonarão, serão a carne de frango e a carne de suínos, também muito exigentes em concentrados. Portanto, em termos de concentrados, não pode-se esperar tanto em queda da demanda, pois mesmo que em um primeiro momento isso ocorra, não será uma tendência para o restante do ano.

Com relação à super safra de soja anunciada pelo USDA, alguns analistas no Brasil apostam em se tratar de especulações visando equalizar mercados.

No Brasil, por exemplo, muitas regiões foram castigadas pela seca e já há relatos de perda de produtividade em grande parte das lavouras.

A mesma seca pode provocar escassez de volumosos em algumas regiões, especialmente em bacias leiteiras como parte do Estado de Minas Gerais e regiões de São Paulo. Falta de volumoso, escassez de leite, preço de leite alto e produtor tentando aumentar a produção. Na falta de volumoso, ocorrerá aumento da demanda por concentrados. Caso a expectativa do boi melhore, também haverá a demanda para confinamento, semi confinamentos e sais proteinados. Com relação a suíno e frango, em termos de preços dos concentrados, não importa se importarão os animais brasileiros ou os alimentos para produzi-los na Europa, o fato é que haverá pressão favorável à demanda.

Parece que o quadro que está sendo colocado é totalmente o inverso do artigo anterior sobre concentrados, porém não é. Na verdade, os preços deste ano, de acordo com o cenário atual, tendem a ser mais baixos que os do ano passado em relação aos preços dos principais concentrados, especialmente os energéticos. Nos três primeiro meses do ano, os preços dos alimentos concentrados energéticos, valores FOB, estão cerca de 32% mais baixos em relação aos três primeiros meses de 2000.

Os protéicos apresentam-se praticamente nos mesmos patamares chegando a ser até 5% mais altos em relação ao referido período. Porém, é válido lembrar que o preço do farelo de soja, no final de 2000, esteve cerca de R$70,00 a R$100,00 acima do valor atual.

A opção por retornar ao assunto deve-se à crença de muitos produtores de que os preços irão cair ainda mais com a entrada da safra, o que pode não ser uma verdade. A aposta em comportamento futuro do mercado é sempre arriscada. A principal dúvida permanece: quanto se tem para vender e quantos querem comprar?

Essa informação, extremamente valiosa, é difícil de ser obtida. Quando são feitas análises sobre o comportamento de preços para os próximos meses, é aconselhável que o produtor tome uma postura defensiva, ou seja, "Opa, há alguma coisa acontecendo aí" ficando atento aos fatos, notícias e acontecimentos.

Hoje, pelas estimativas gerais, poderia se avaliar que estamos vivendo os preços mais baixos dos energéticos, que já inicia a curva de alta. Porém a lei da oferta e da demanda fala mais alto e serão a safra e a necessidade de alimentar a pecuária os grandes juizes do assunto. Queda nos preços, pelo menos a níveis significativos, parece improvável que ocorra.

 

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