O que podemos esperar do mercado lácteo nesta reta final de 2024?

Faltando apenas 50 dias para encerrar o ano, os últimos meses de 2024 devem ser marcados por um crescimento da oferta de leite no mercado. Entenda!

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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Enquanto já começamos a pensar nas ceias de final de ano, já podemos também refletir sobre os principais aspectos que este ano de 2024 nos marcou e ainda está nos marcando. E para o setor lácteo, já podemos afirmar com convicção que 2024 foi um ano um tanto atípico.

Diante de adversidades climáticas que foram desde enchentes até secas severas, e até os comportamentos de mercado que tentaram fugir de qualquer previsão, o ano de 2024 está sendo cheio de surpresas. E apesar de restarem apenas 50 dias para o ano acabar, podemos dizer: as surpresas podem ainda não ter acabado.

Para fazermos uma breve retrospectiva e entender quais os principais fatores que afetaram o mercado lácteo e devem continuar afetando no restante de 2024, vamos ater esta análise a dois principais aspectos: a produção de leite e sua sazonalidade, e os preços ao consumidor final.

O primeiro aspecto que precisa ser esclarecido é a sazonalidade brasileira, que possui comportamentos diferentes nas diferentes regiões do Brasil. Quando analisamos a sazonalidade da região Sul do país, como mostra o gráfico abaixo, podemos notar que o período de safra do leite, ou seja, aquele de maior produção, geralmente ocorre entre os meses de agosto e setembro, com a safra de leite das regiões Sudeste e Centro-Oeste ocorrendo depois, geralmente entre os meses de novembro e janeiro.

Gráfico 1. Sazonalidade da produção de leite da região Sul do Brasil (2019 – 2023).

Sazonalidade da produção de leite da região Sul do Brasil (2019 - 2023)

Gráfico 2. Sazonalidade da produção de leite das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil (2019 – 2023).

Sazonalidade da produção de leite das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil (2019 - 2023)

Fonte: IBGE; Elaborado por MilkPoint Mercado.


Dessa forma, quando analisamos a produção de leite neste ano, podemos observar que, principalmente em decorrência de adversidades climáticas (nesse caso, as enchentes que atingiram a região Sul do país em maio deste ano), a safra da região Sul provavelmente apresentou picos menores de produção, sendo possível analisar através do crescimento sutil na captação formal de leite do 2º trimestre deste ano, de apenas 0,8%, crescimento que, ao desconsiderar o Rio Grande do Sul da base de dados, seria de 2,2%, deixando claro, portanto, o impacto dos acontecimentos do Sul na produção de leite nacional.


Gráfico 3. Variação anual da captação formal de leite no Brasil.

Variação anual da captação formal de leite no Brasil.

Fonte: IBGE; Elaborado por MilkPoint Mercado.


No entanto, quando ainda falamos de adversidades climáticas, é preciso pontuar que também houve um certo comprometimento na produção de leite no Sudeste e Centro-Oeste devido à falta de chuvas de forma anormal, com seca prolongada e diversos episódios de queimadas, causando um “atraso” no início da recuperação da produção de leite nessas regiões.

Nesse cenário, percebe-se uma certa expectativa de alguns agentes do setor para um aumento mais forte da produção de leite nessas regiões a partir do início tardio das chuvas, o que geraria um crescimento expressivo na produção de leite nos meses subsequentes ao início das chuvas.

Analisado as expectativas para produção em estados da região Centro-Norte, como MG, GO e SP, o cenário realmente é mais positivo para uma aceleração da produção nesta reta final do ano. Por outro lado, como mostrado no gráfico 1, é importante ponderar que a produção na região Sul (que atualmente é a maior região produtora do país) já inicia o seu processo de diminuição sazonal neste período, limitando crescimentos mais expressivos da oferta de leite no total do Brasil nesses meses restantes de 2024.

Mas, se a oferta não está em um crescimento acentuado, por que os preços apresentam tendência de queda? A resposta para este questionamento está principalmente influenciada pelo lado da demanda.

Assim como mencionamos no início do texto, os comportamentos dos preços no setor lácteo também estão ocorrendo de forma atípica neste ano. Quando analisamos os preços ao consumidor final, podemos observar nos gráficos abaixo que em um período do ano que geralmente esses preços já estão recuando, em 2024 eles ainda apresentam crescimento.

No entanto, no mês de outubro os consumidores demonstraram que os preços dos lácteos no varejo atingiram níveis próximos ao seu limite dentro do poder de compra dos brasileiros, gerando uma diminuição na demanda e um menor ritmo de vendas dos derivados, aumentando assim os estoques das indústrias e diminuindo aquela procura aquecida pelo leite cru.

Gráfico 4. Preços nominais do leite UHT no varejo paulista.

 Preços nominais do leite UHT no varejo paulista.

Gráfico 5. Preços nominais do queijo muçarela no varejo paulista.

Preços nominais do queijo muçarela no varejo paulista

Fonte: FIPE; Elaborado por MilkPoint Mercado.


Em resumo, os últimos meses de 2024 devem ser marcados por um crescimento da oferta de leite no mercado, puxados pela recuperação da produção de leite nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Porém, com a diminuição da produção na região Sul tendendo a limitar essas altas, fazendo com que o crescimento no período possa ser menor do que o esperado por alguns.

Além disso, os consumidores devem seguir buscando por preços mais baixos nas prateleiras dos supermercados após as altas recentes, fazendo com que a pressão dos compradores por correções de preços continue ocorrendo.

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Material escrito por:

Heloisa Vasconcelos

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Arno Thaler
ARNO THALER

TREZE TÍLIAS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/11/2024

Acho que teremos mais uma variável para incluir nesta análise. Os preços internacionais também acabam influenciando bastante na questão da oferta de produtos no país atualmente.
Qual a sua dúvida hoje?