O que diz o consenso

Os preços do leite não recuaram ao longo dos últimos meses, pelo contrário, continuaram subindo mês a mês. Saiba mais.

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Os preços do leite não recuaram ao longo dos últimos meses, pelo contrário, continuaram subindo mês a mês.

Em média, o valor de 90% do volume total do leite brasileiro, pesquisado nas maiores bacias produtoras do país, aumentou cerca de 3,3% ao mês desde dezembro de 2001. Este comportamento, em valores nominais, permitiu uma recuperação real no preço do leite, conforme é representado na figura 1.
 


Mantendo-se neste ritmo, o preço do leite em 2003 deve recuperar o valor real perdido nos últimos dois anos, 2001 e 2002. Porém, ainda será insuficiente para recuperar os valores reais dos preços do ano 2000. Mantendo-se nesta toada, o mercado de 2003 ainda manterá o preço médio em torno de 6% abaixo do valor médio de 2000 (quando se considera a inflação).

Caso ocorra a pressão de baixa de preço, que tem sido desenhada no decorrer destas últimas semanas, o valor real do leite tende a manter a tendência de queda gradual, ao invés de confirmar a tão esperada recuperação.

As informações sobre queda nos preços pagos aos produtores começaram a pipocar em algumas regiões mineiras e no Estado de Goiás, região em que as lideranças prontamente já saíram em defesa do produtor na tentativa de evitar que os preços caiam.

Para os meses de junho e julho, o mercado está especulado. Escuta-se das mais controversas informações sobre o mercado dos próximos meses.

Visando conhecer melhor a tendência do mercado, optou-se por usar a sensibilidade dos diversos profissionais que atuam no mercado, comprando, intermediando ou vendendo leite cru.

Quando entrevistados, os profissionais opinaram sobre o que acreditavam ser a tendência dos preços para o próximo mês. Observe, na figura 2, o comportamento das respostas dos agentes de mercado.

 


Se por um lado, considerável parcela dos entrevistados continua acreditando em alta, o número dos que não souberam responder foi mais significativo.

Em relação à mesma pesquisa do mês anterior, a porcentagem dos que não souberam traçar tendência para o próximo mês praticamente dobrou, saltando da casa dos 25% para próximos dos 40%.

Até o início de maio, menos de 1,5% dos entrevistados acreditavam em queda nos preços, enquanto a grande maioria (47%) apostava em aumentos nos preços, o que acabou se confirmando.

Esta busca pelo consenso entre os profissionais do mercado tem apontado a tendência correta ao longo dos últimos meses. Para a produção de junho, conforme ilustra a figura 2, a própria divergência das opiniões indica que o mercado esteja especulado.

A campo, algumas regiões em São Paulo, por exemplo, devem ainda somar acréscimos no preço (posição até o momento), enquanto outras regiões de Minas Gerais e Goiás sofrem pressão de baixa atualmente.

Grosso modo, em locais onde a produção tem se reduzido mais acentuadamente, o mercado está se mantendo firme, enquanto nas regiões aonde a produção vem aumentando, começa a ocorrer pressão nos preços.

Dos entrevistados no Estado de Goiás, 75% acreditam que a captação de leite no Estado não seja suficiente para provocar uma baixa. O andamento desta história será contado pelo decorrer das próximas semanas e pelo mercado.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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