O leite nas bacias leiteiras

O comportamento da produção de leite no Brasil este ano ainda traz diversas controvérsias. Estima-se que São Paulo continue reduzindo o seu volume de produção, enquanto bacias como Goiás e Minas Gerais deverão registrar aumentos nos volumes produzido em 2003.

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O comportamento da produção de leite no Brasil este ano ainda traz diversas controvérsias. Estima-se que São Paulo continue reduzindo o seu volume de produção, enquanto bacias como Goiás e Minas Gerais deverão registrar aumentos nos volumes produzido em 2003.

De fato, conforme divulgado pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), a coleta de leite nos estabelecimentos fiscalizados tem aumentado ao longo de 2003.

Observe na figura 1 a evolução da produção e a estimativa, da Scot Consultoria, de evolução do volume de leite produzido nas 5 maiores bacias produtoras.
 


Estimou-se a evolução da produção de 2002 e 2003 com base nos relatórios da CNA, na evolução da produção dos anos anteriores e informações fornecidas pelas indústrias que coletam leite nas bacias leiteiras relacionadas.

Evidentemente que o próprio momento que passa a agropecuária deverá alterar o quadro de produção nestas bacias. No momento, consideráveis extensões de áreas destinadas à pecuária estão sendo repassadas para agricultura, especialmente para a produção de grãos.

Em termos de mercado, a firmeza de preços nos Estados de São Paulo e Paraná confirma o maior acirramento na competição entre as empresas pela compra de leite dos produtores. Resumindo, São Paulo tende a confirmar o recuo no volume de leite produzido, algo que tem sido observado nos últimos anos.

Ainda há quem acredite que grande parcela do aumento da coleta de leite seja oriunda do repasse de volumes, antes destinados ao mercado informal, para o mercado formal.
Mesmo que não represente todo o aumento de coleta nas indústrias, esta tendência deve ser considerada, pois os preços favorecem este comportamento.

Crescimento do uso dos tanques granelizados, da competitividade da indústria e a própria recuperação nos preços do leite atraem os produtores para o mercado formal. Salvo regiões que não existem compradores de leite, o produtor só está no mercado informal pela melhor remuneração. Se a diferença de preços entre a indústria o que ele recebe no mercado informal, considerando todo o trabalho de distribuição ou fabricação de queijos, diminui, o produtor tende a vender o leite formalmente.

Observe nas figuras 2 e 3, o comportamento dos preços do leite na 5 maiores bacias nos últimos dois anos, em reais nominais e reais deflacionados pelo IGP-DI (considerando a inflação).

 

 


Como a produção informal flui sem controle de custos ou preços por parte dos produtores, o aumento dos preços nominais geralmente já é suficiente para provocar esta tendência (migrar do mercado informal para o formal).

No último ano, excepcionalmente, os preços do leite evoluíram em proporções equivalentes à inflação, o que acaba pesando ainda mais para confirmar esta tendência.

O aumento da produção do leite e a redução do mercado de leite informal são fatores positivos para a pecuária leiteira quando se considera médio e longo prazo, especialmente porque o Brasil almeja fortalecer sua bandeira no mercado internacional de lácteos.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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