Os números sugerem melhores preços em 2004. No entanto, é preciso avaliar a média do ano. Até julho, os preços nominais de 2004 superaram em apenas 2,72% os valores médios do mesmo período de 2003. Em valores reais, os preços do ano corrente estão 3,6% abaixo dos praticados no mesmo período de 2003. Em dólares, o preço médio do leite nacional produzido de janeiro a julho, cotado nas regiões que representam 95% de toda a produção brasileira, está em US$0,16/litro.
Pois bem, os preços atingem patamares próximos aos de 2003, em valores reais. A alimentação do rebanho, o maior componente do custo de produção, teve pouco reajuste nos valores. O custo dos volumosos aumentou cerca de 12%, enquanto os preços dos concentrados caíram. Analisando a formulação de uma dieta, estimava-se custo da alimentação em 2004 em torno de 2% a 4% mais caro em relação a 2003.
Com a queda nas cotações de alguns alimentos concentrados, é provável que o custo médio atual da alimentação do rebanho fique "elas por elas" em relação a 2003: boa notícia!!
Porém, em agosto os preços do leite pararam de desenhar a tendência incontestável de alta que prevaleceu nos últimos meses. Observe, na figura 1, a evolução das opiniões dos agentes de mercado, espalhados em todo o Brasil, sobre a tendência de preços para o pagamento do mês seguinte. Essa análise vem desde julho de 2003.

Mesmo para agosto, quando os agentes de mercado dividiram a opinião entre estabilidade nos preços (46% do total) e novos aumentos (54% do total), a sensibilidade de quem atua no mercado apontava para um cenário mais otimista em relação ao que fora observado um ano antes. Observe que, em julho de 2003, 30% dos entrevistados acreditavam em queda nos preços. Depois de julho, produção de junho, os preços ainda se mantiveram estáveis por mais 2 meses.
Resumindo, pela análise do que acredita a maioria dos compradores de leite, a tendência seria de novos reajustes positivos nos preços, embora o mercado venha depor contra.
Como é de conhecimento, a análise de mercado deve visualizar cenários e não apenas basear-se em anos anteriores, apesar da importância histórica e analítica dos fatos.
Na segunda semana de agosto, diversas indústrias relataram queda nos preços do longa vida - informação que ainda precisa ser checada mediante análise do mercado. A queda nos preços pode ser confirmada pelo relato do aumento da oferta de leite no mercado "spot". Observe na figura 2 o comportamento dos preços reais, deflacionados pelo IGP-DI, e nominais, dinheiro da época, no mercado "spot".
Os valores consistem na média ponderada dos preços de Goiás, São Paulo e Minas Gerais.

O aumento da oferta, segundo informações ainda não confirmadas mediante pesquisa, já teria causado queda nos preços do mercado "spot". No entanto, os valores negociados ainda estariam acima dos R$0,60/litro.
Da mesma forma que o preço "spot" já foi reajustado acima, e mesmo abaixo, da média do reajuste de preço ao produtor, o comportamento desse mercado pode não ser uma evidência imediata do que ocorrerá com os preços, apesar de representar, incontestavelmente, uma tendência para os próximos meses.
Ao produtor, além destas variáveis, vale lembrar do comportamento histórico das estratégias de grande parte das indústrias quando o assunto é concorrência na captação. Portanto, mesmo que os preços "spot" recuem, dependendo da concorrência regional, ainda há a possibilidade de novos reajustes aos produtores, inclusive não se descartando o aumento no valor médio nacional pago ao produtor de leite.
Evidente que tudo depende de como realmente estão se comportando as vendas de agosto.
O cenário atual parece desfavorecer as cooperativas que atuam no mercado "spot" e favorecer os produtores de leite com maiores volumes de entrega diária.
Agosto tende a ser um mês de estabilidade nos preços para alguns e aumento para outros. Nos próximos dois meses é bem provável que produtores de leite sejam constantemente assediados para mudar a indústria para a qual fornecem sua produção.
A recomendação genérica, que vale para todas as horas, é que o produtor analise bem, de maneira objetiva e com visão de longo prazo, qualquer proposta para mudar de indústria.