Durante o ano de 2002, os preços do leite pagos aos produtores têm ficado em torno de 25% a 30% do valor final que chega ao consumidor.
No varejo, os preços têm ficado cerca de 16 a 23% acima dos valores de atacado. No entanto, na análise do mercado não entram os descontos que geralmente são exigidos dos laticínios para que os produtos sejam oferecidos nas gôndolas. Parte destas exigências feitas pelos supermercados têm sido pauta das diversas CPI's sobre o mercado do leite instauradas no país.
Observe no gráfico a evolução nos preços pagos aos produtores e preços no varejo, que chega ao consumidor.

Veja que em ambos os casos, os valores apresentam-se em alta desde o início do ano.
Apesar da escala do gráfico dificultar a visualização, a diferença de preços ao produtor de junho, em relação à janeiro, é de 26%. No caso do varejo, o reajuste, considerando o mesmo período, foi de 15%.
Os números acabam sendo usados para justificar baixas nos preços aos produtores, uma vez que os reajustes foram mais elevados no campo do que no varejo. No entanto, o percentual não se deve a um preço elevado atualmente, mas sim a um baixo preço no início do ano, reflexo ainda da queda nos valores do leite ocorrida no ano 2001 e que tem sido uma constante do comportamento do mercado de leite.
Por isso, muitos analistas tem incansavelmente alertado sobre o efeito prejudicial das oscilações nos preços pagos pelo leite ao produtor: facilita as pressões.
Até meados de junho, muitos compradores ainda relatavam falta de leite ofertado, o que teria sido causado pela seca e pelo desânimo dos produtores com os preços do ano passado. Ou seja, teoricamente faltaria leite este ano para atender o mercado, diferentemente do ano passado, quando acreditava-se que a produção já seria suficiente para atender a demanda interna.
Caso a especulação sobre a gravidade da escassez de leite no mercado se confirme, é de se esperar aumentos nas importações, mesmo a preços elevados, para atender a demanda interna.