O mercado "spot" praticamente já atingiu os R$0,45/litro em Goiás e em Minas Gerais
Os preços do leite pagos em fevereiro confirmaram a expectativa de aumento, já anunciada há meses. O reajuste médio ficou em torno dos 3,5%. Para março, há boa expectativa de aumento nos preços, o que já tem gerado alguma euforia, porém bem menor que a do ano passado. Infelizmente a capacidade de se animar do produtor tem se reduzido ano a ano.
Mas as atenções estão voltadas para o assunto, conforme apurado em reuniões de associações e através de consultas que recebemos na Scot Consultoria para as CPI's - Comissão Parlamentar de Inquérito.
O assunto tem importância e deve ser acompanhado, mas percebe-se novamente que todas as fichas tendem a ser apostadas apenas nas ações políticas. Com isso, o acompanhamento do mercado deverá ser outra vez marginalizado, fugindo do interesse de grande parte dos produtores.
Apesar dos valores do leite em alta, o cenário aponta para quedas nos preços que poderão ocorrer (não querendo ser pessimista) na mesma época em que foram observadas no ano passado.
É fato que o mercado "spot" - leite comercializado entre indústrias - praticamente já atingiu os R$0,45/litro em Goiás e em Minas Gerais. No entanto, o mercado do longa vida não apresenta a mesma firmeza que apresentava em 2001.
Apesar dos preços terem subido quase R$0,15/litro de janeiro a março, já se sentem pressões do varejo anunciando que haverá queda no consumo.
A queda no consumo de leite fluido devido ao aumento nos preços não é consenso entre pesquisadores e analistas. Uma vertente baseia-se em pesquisas que reportam a baixa elasticidade do leite, ou seja, alterações nos preços promovem pequenas alterações no consumo. Outra apresenta dados que conectam aumento dos preços com queda no consumo. No entanto, especulando-se dentro dos limites, ambas as linhas parecem estar com a razão. De fato, há espaço para preços mais altos a serem pagos pelo litro de leite, que seriam assimilados dentro do País. Ruim, por exemplo, é o preço do longa vida, que variou de R$0,60 a R$1,15/litro em poucos meses. Evidentemente o consumidor perde a referência da relação entre o valor e preço do produto. A comparação é preço com preço e sempre que o valor do leite é aumentado no varejo ocorre o refugo dos consumidores.
Um trabalho de aumento e manutenção dos preços a patamares pouco acima de R$1,00/litro no atacado permitiria uma melhor remuneração da cadeia, que seria de interesse de todos.
Apesar da afirmação parecer ser uma sugestão à formação de cartel, justifica-se, pois todo um setor que está por trás da prateleira dos supermercados não tem sido remunerado e perde capacidade de produção por empobrecimento, tanto indústrias como produtores.
Observe que o fato de uma grande empresa do ramo ter anunciado a redução na produção de longa vida evidencia que não tem sido fácil obter resultados satisfatórios com o produto.
Por que não reinvestir na produção de pasteurizados? - A resposta é simples. O hábito de compra e a preferência do consumidor não tem dado muito espaço para o leite pasteurizado, mesmo que sejam encartados, com embalagem mais moderna e apresentável. Hoje o longa vida é o leite procurado pela população, já virou um hábito.
O longa vida, como é de conhecimento de todos, tende a não permitir melhores remunerações aos produtores, porém da maneira como o mercado está, a remuneração não é baixa, mas negativa.
A atenção tem que se voltar ao mercado e não apenas à ações políticas.
Mantendo o hábito!
Os preços do leite pagos em fevereiro confirmaram a expectativa de aumento, já anunciada há meses. Saiba mais.
Publicado por: Maurício Palma Nogueira
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Maurício Palma Nogueira
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