Vários fatores, já exaustivamente comentados aqui no MilkPoint e para os assinantes do MilkPoint Mercado, explicam esta queda: aumento significativo na produção mundial de leite (acima de 5%), queda, a partir do final do primeiro semestre deste ano, nas importações chinesas (o país é o maior importador de leite do mundo), retalhação russa aos derivados lácteos de diversos grandes exportadores mundiais (EUA, União Européia). Mas, nos interessa também saber o que os atuais patamares de preço podem significar para a produção mundial em 2015.
O gráfico 01 mostra a evolução dos preços em dólares/litro pelo leite em diferentes e importantes mercados produtores, dentre eles o Brasil. No mesmo gráfico, a linha tracejada representa o patamar, em equivalente US$/litro de leite fresco, do preço de US$ 2.400/ton do leite em pó transacionado no GDT.
Gráfico 1. Preço do leite fresco em diferentes países – US$/litro
Fonte: Elaboração do MilkPoint Inteligência a partir de diversas fontes de informação
Como podemos ver no gráfico, o atual patamar de US$ 2.400/ton representa um leite fresco entre US$ 0,25-0,27/litro (dependendo da taxa de câmbio). Prosseguindo a tendência atual de preços no mercado internacional (não há nenhuma informação de curto prazo que mostre o contrário), devem-se esperar fortes ajustes de preços ao produtor nos diferentes países, principalmente naqueles mais dependentes do mercado internacional, como é o caso da Nova Zelândia. Neste país, que responde por quase 40% das exportações mundiais de lácteos, os produtores, no cenário de preços elevados do ano passado, exploraram as terras da Ilha Sul (antes usadas para ovinocultura e produção de madeira) e passaram a suplementar seus rebanhos com torta de palma trazida da Indonésia e da Malásia. No entanto, a “mão do mercado” já pegou forte os produtores “kiwis” – como se pode verificar na evolução da linha laranja no gráfico 1, já houve uma redução de quase US$ 0,20/litro equivalente (lembre-se que lá na Nova Zelândia vende-se o leite em Dólares por quuilo de sólidos). Hoje praticamente todos os mercados tem patamares de preços mais altos que os US$ 0,25-0,27 representados pelo mercado de leite em pó e, portanto, fortes ajustes tambpem podem ser esperados em outros países.
Para 2015, fica a dúvida em relação a produção e a capacidade de custos de produção dos sistemas nos diferentes países. Muitos especialistas já prevém um crescimento mais modesto da produção internacional (ao redor de 2% em relação a 2014). A queda de preços do leite coincide com uma recuperação dos preços do milho e da soja no mercado internacional (cerca de 17% para o primeiro e cerca de 12% para a segunda, de acordo com os contratos futuros para Julho de 2015 na Bolsa de Chicago). Neste cenário, já há algumas projeções de recuperação dos preços internacionais a partir do final do primeiro semestre de 2015. Mas afinal, dá pra produzir leite a menos do que US$ 0,25/litro? Em qual país? E por quanto tempo?
Gráfico 2. Preços do milho em Chicago (CBOT) – Contrato de Julho de 2015
Fonte: Ino.com
Gráfico 3. Preços da soja em Chicago (CBOT) – Contrato de Julho de 2015
Fonte: Ino.com
