Elo fraco, corrente fraca!

As notícias desta semana mostraram um cenário desfavorável para as indústrias brasileiras no mercado internacional de leite.

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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As notícias desta semana mostraram um cenário desfavorável para as indústrias brasileiras no mercado internacional de leite.

Para manter o mercado conquistado as empresas brasileiras estão importando leite num preço e exportando por outro cerca de 12 a 25% abaixo.

Tal fato se deve à necessidade de cumprir compromissos externos com os principais compradores de leite brasileiro, que são Nigéria, Chile, Venezuela e alguns países da Ásia e Oriente Médio.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), como já era esperado, reavaliou suas estimativas da produção de leite no Brasil. As novas estimativas, apontam para uma tendência de queda no volume produzido neste ano, perdendo inclusive os ganhos ocorridos em 2001, quando foi possível pensar em excedente exportável da produção leiteira nacional.

Segundo estimativas preliminares, o Brasil deverá aumentar em até 50% as importações de lácteos este ano, em relação a 2001. Isso, num ano com câmbio desfavorável às importações.

Este cenário dificulta os projetos de exportação de leite da indústria brasileira, que têm desenvolvido um plano coerente de expansão de mercado. Iniciativas como as das Centrais como a Nilza e a própria Serlac Trading S/A, que tentam fixar a marca "Brazilian Dairy Board", ficam prejudicadas pela inconstância de produção no Brasil.

Como alertávamos ainda em 2001, os baixos preços pagos pelo leite viriam a dificultar qualquer projeto de expansão visando o mercado internacional. A falta de oferta no mercado interno praticamente inviabiliza a conquista de mercado em outros países, especialmente para os primeiros clientes brasileiros que querem "preço" acima de tudo.

Caso as empresas parem de exportar, perderão o investimento feito ao longo dos últimos meses, pois os clientes conquistados comprarão de outros fornecedores.

Novamente, um dos grandes problemas do país é a oscilação, tanto de preço como de volume produzido. Não é possível fidelizar um cliente ora entregando o produto e ora não tendo o que entregar. O setor leiteiro do Brasil, que tem um futuro promissor no mercado internacional, não pode se dar ao luxo de entrar e sair do mercado.

E para este ano? Aumenta-se o preço interno, aumenta-se a produção de leite em 2003 e derruba-se novamente o preço? O ano de 2004 ficaria novamente parecido com o de 2002 e começaríamos a criar um ciclo bienal de volume e preços para o leite. Perde a indústria, perde o produtor, perde o consumidor e perde o país. Não é esta a organização que precisamos.

Para os preços ao produtor fica a incerteza do que será repassado: os maus resultados com as relações internacionais ou a firmeza da falta de oferta no mercado interno? Atualmente, o cenário é favorável à firmeza nos preços ao produtor, mas...

Fica uma lição para estes dois anos. É impossível crescer quebrando as pernas das bases fornecedoras de matéria prima. É a mesma coisa que pensar em produção industrial baseada em mão de obra escrava em pleno século XXI.
Estratégias baseadas na aposta especulativa de que o produtor responderá com volume a pequenos estímulos de preços é negligenciar a natureza biológica da produção agrícola. Essas relações, em que um perde para outro ganhar, podem dar resultados financeiros durante alguns anos, mas a longo prazo não se sustenta.

É preciso planejamento e trabalho integrado, caso contrário qualquer investimento será em vão, seja nas fazendas, nas indústrias ou em marketing para exportação.

É a partir das fazendas que se começa a criar um mercado potencial. "Afogar" um dos elos é enfraquecer a corrente. Uma corrente com um elo quebrado não serve para nada. Pode emendar, mas não deixa de ser uma gambiarra.
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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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