Analisando os preços nominais de venda do leite UHT, pasteurizado, pó e queijos prato/muçarela, e multiplicando estes preços por uma estimativa das quantidades produzidas, o segmento de lácteos teria vendido em 2013 cerca de R$ 24 bilhões a mais do que em 2008, fruto do aumento (nominal) dos preços e aumento do volume produzido.
Desse valor, R$ 10,7 bilhões foram transferidos para o elo primário, com a indústria ficando com apenas R$ 5,3 bilhões. Embora o valor utilizado para a compra de matéria-prima chame a atenção, uma análise mais cuidadosa mostrará que a história não é bem essa: o forte aumento dos custos de produção nesse período abocanhou grande parte desses quase R$ 11 bilhões.
Com efeito, considerando planilhas que acompanham o custo de produção ao longo do tempo, tem-se que os custos por litro subiram quase 20 centavos – esse valor, multiplicado pelo aumento da produção no período – sugere que cerca de R$ 7,4 bilhões foram utilizados para pagar custos diretos ou indiretos da atividade de produção: insumos, mão-de-obra e custos de oportunidade da terra subiram consideravelmente de 2008 a 2013.
Chama a atenção, no entanto, que o varejo tenha agregado mais valor do que produção (se subtraídos os custos) e principalmente do que a indústria, a grande “perdedora” no período. Se considerarmos que provavelmente houve aumento de outros custos para a indústria no período, além da matéria-prima, fica evidente as dificuldades crescentes que esse elo verificou, como um todo, no período.
O gráfico abaixo traz os dados comentados acima.
Gráfico: Agregação de valor entre 2008 e 2013, em cada elo, em bilhões de reais
