Cuidados nos meses de picos de preços

Mesmo com o aumento médio em torno de 7,5% nos preços do varejo durante o mês de abril, o valor médio do longa vida permaneceu praticamente estável.

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Mesmo com o aumento médio em torno de 7,5% nos preços do varejo durante o mês de abril, o valor médio do longa vida permaneceu praticamente estável.

No entanto, observam-se diferenças maiores que as comuns entre os preços da capital e do interior de São Paulo. No atacado, as variações positivas nos preços não atingiram nem 1%, ao contrário do ocorrido no varejo.

Há quem acredite que o aumento nos preços do varejo e a diferença entre os valores da capital e interior, façam parte de uma estratégia de recuperação de margens por parte das grandes redes varejistas. Os preços subiriam e recuariam em patamares com margens superiores aos atuais, independente dos preços que seriam atingidos. No entanto, essa teoria não passa de especulação, pois apenas a diretoria das grandes redes poderia confirmar a ação.

Apenas para ilustrar, em 1999, durante a elevação das cotações e dólar e recuo logo a seguir, o aumento acima das necessidades e recuo nos preços, logo em seguida, possibilitou uma recuperação de cerca de 5% nos valores em dólar dos preços de fertilizantes, que vinham defasados.

A eminente pressão nos preços do leite, assunto das últimas duas semanas, já está sendo sentida por produtores em algumas regiões que nos tem enviado notícias. Se for confirmada, sem que haja uma manutenção nos valores durante alguns meses, as condições podem piorar ainda mais para os produtores. Acompanhe no gráfico a evolução nos preços do leite nos últimos cinco anos, em reais deflacionados.
 

 


Os preços em reais deflacionados correspondem aos valores que seriam pagos hoje, caso a remuneração do leite tivesse acompanhado a inflação. Observe que mesmo com mais aumentos nos preços, o que ainda estava previsto para a produção de abril, os valores de 2002 não alcançarão a média real dos últimos cinco anos.

A pecuária passou por dois anos seguidos de meses de pico de preços altos e queda acentuada subsequente ao mês de pico.

O fato pode ser confirmado no gráfico de preços em que são evidenciados os picos de valores pagos ocorridos em 2000 e 2001. Embora também tenham ocorrido em anos anteriores, o observado nos dois últimos anos são mais evidentes.

Na tabela 1 estão relacionados os valores anuais médios do leite em São Paulo e a variação anual.

Tabela 1: Preço médio e variação anual dos valores pagos aos produtores, considerando média ponderada de preços e produção mensal.

 

 



Associando o comportamento do ano de 1999 com as informações da tabela pode-se supor que uma menor oscilação nos preços acaba se traduzindo em recuperação dos valores médios. Evidentemente que a menor oscilação nos preços não é o fator principal da recuperação, mas pode-se dizer que teve influência. Seria necessário, porém, pesquisas estatísticas considerando as diversas variáveis para se concluir esta hipótese. Veja no gráfico que a baixa que ocorre nos preços após os picos acaba por nivelar os valores a patamares inferiores que os de antes do mês de preços mais altos, o que acaba gerando influência negativa nos valores pagos aos longo do ano, ou seja, reduz-se a média de preços de maneira mais veloz.

Isso vale para o mercado varejista, aliás o comportamento na fazenda é um reflexo do que acontece no varejo.

Portanto, novamente o tema de discussão das duas últimas semanas, o estabelecimento de picos acentuados de preços influi negativamente no valor médio do ano. Traduzindo, picos de preços interessam a quem se interessa pelo valor baixo nos preços do leite, pelo menos no cenário atual. É mais fácil pressionar.

Para quem olhar a tabela e achar que os 20% de reajustes em 2000 foram bons, veja o resultado nos demais anos. Em cinco anos, o leite foi reajustado em apenas 10,16%, o que explica o comportamento dos preços ilustrado no gráfico que considera a inflação.

No momento, produtores e entidades que negociarão os preços do leite, devem focar na manutenção dos patamares de preços da produção de abril, pagamento de maio, por mais alguns meses.

Desta forma têm-se melhores condições de promover o aumento gradual dos preços, tanto no campo como no atacado.

Hoje, para recuperar os valores que foram perdidos desde a queda nos preços do ano 2000, seria necessário, no mínimo, um aumento de 16% nos preços do leite ao produtor na média anual. Isso só considerando as perdas diretas e recentes nos valores. Ainda não serão os 16% que melhorarão as condições dos pecuaristas.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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OSMAR COELHO BARBOZA
OSMAR COELHO BARBOZA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - TRADER

EM 20/05/2002

Perfeitos os argumentos.Trabalho há 16 anos com lácteos e desde de 1982 na Bolsa de Gêneros Alimentícios do RJ, tendo contribuido para o leite lider, atingir a atual penetração de mercado.

Recomendo como complemento aos produtores que analisem a massa salarial e seus índices para que pensem de que forma irão compor suas negociações com as indústrias, bem como a capacidade do consumidor em absorvê- las, pois já observo no varejo promoções de leite em pó, com preços no varejo a R$2,45 a lata de 400g.
Qual a sua dúvida hoje?