Fechamos o ano de 1999 acreditando em alta nos preços do farelo de soja, tendo em vista a tendência natural de aumento da demanda por proteínas vegetais na União Européia, após a proibição do uso de rações de origem animal em seus alimentos.
No entanto, os Estados Unidos deram uma "forcinha" com sua supersafra estimada para este ano, derrubando os preços no mercado futuro e fixando patamares mais reais no mercado nacional (leia Competitividade e Subsídio - Marcelo Pereira de Carvalho).
Outro dia um agricultor, com muitos anos de janela, disse que "a agricultura é a arte de se alegrar com a desgraça alheia". Realmente, a boa notícia para o setor leiteiro de preços baixos dos concentrados na entressafra tem tirado o sono dos agricultores, produtores de soja, especialmente.
Segundo algumas análise, otimistas para os pecuaristas e pessimistas para os agricultores, há expectativa de que os preços de soja ainda recuem mais cerca de 30 a 40% quando a safra começar para valer este ano. Por enquanto, a menos que haja alguma reviravolta improvável no mercado, o produtor pode contar com preços mais baixos para nutrição de seu rebanho.
No caso do milho, os preços também caíram, mas por outro motivo. Tendo em vista a crença de que os preços "estourariam" no início de 2001, houve muita corrida para armazenar a produção, ou mesmo comprar, para intermediar com lucro no futuro. O fato é que o mercado acabou ficando abastecido quando justamente esperava-se bons preços (parece que todo mundo teve a mesma idéia). A expectativa quanto aos preços do milho é de melhora tendo em vista a possibilidade de quebra de safra com a seca e baixa produção esperada para a safrinha pelos mesmo motivos.
Observe no gráfico 1, a evolução das cotações do milho em dólares nos últimos meses.

Os preços estão hoje 33% abaixo do valor médio do período.
Num ano tão importante, terceiro ano consecutivo de desistência em massa de pecuaristas profissionalizados, esta baixa nos concentrados vem bem a calhar para a melhor definição do setor com relação a futuro, profissionalização, parcerias, etc.
No gráfico 2 estão as relações de troca entre litros de leite tipo C e milho grão durante o mesmo período da série de preços acima.

O aumento previsto para o leite este mês é de 3,5 a 6%, dependendo do caso, possibilitando que o produtor tenha de desembolsar cerca de 440 litros de leite para a compra de uma tonelada de milho em grão, ante os 860 no mesmo período do ano anterior, um aumento de 48% no poder de compra do produtor.
Com expectativa de preços dos concentrados em baixa e tendência de alta para o leite, nos mesmos patamares médios do ano passado, as condições para o produtor tendem a ser melhores este ano.
Porém, as estimativas e expectativas devem sempre ser avaliadas com cautela. Observe o que acabou colhendo quem acreditou piamente em estimativas com relação ao preço do milho para esta época.
As condições aqui colocadas servirão para uma reorganização do planejamento para entressafra, visando maximizar os resultados e obter capital para a tão almejada e difícil busca por reduções de custos, que na maioria das vezes requer aporte de capital.
Mesmo com os preços dos principais alimentos em baixa, é bom não descartar os resíduos agroindustriais, tradicionalmente substitutivos de milho e farelo de soja, pois os mercados dos mesmos tenderão a acompanhar a baixa dos preços.
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