Centroleite

A inovação na forma de operar no mercado do leite pela Centroleite, que reúne cooperativas de Goiás e do Triângulo Mineiro, tem gerado controvérsias.

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A inovação na forma de operar no mercado do leite pela Centroleite, que reúne cooperativas de Goiás e do Triângulo Mineiro, tem gerado controvérsias.

A cooperativa virtual, como passou a ser chamada a Centroleite (pois não tem planta industrial), aumentou o efeito da pressão sobre os preços, tendo em vista o elevado volume de leite que se disponibilizou repentinamente no mercado e não tinha para onde ser escoado.

A culpa pela queda nos preços é da Centroleite? Não necessariamente. A Centroleite não seria capaz, em um ano, de aumentar a produção leiteira no País de modo a ser responsabilizada pelo aumento de oferta.

O volume negociado pela Centroleite aumentou a pressão no mercado quando as indústrias se retiraram do mercado "spot", fortalecendo ainda mais a estratégia dos compradores que visavam a redução nos preços da matéria-prima. A Centroleite acabou se transformando num bode expiatório.

O leite produzido durante o período da última safra foi significativamente superior ao período anterior, como pode ser observado na tabela a seguir.
 

Tabela


Fonte: IBGE - *Conta os meses de outubro a março

Geralmente, o volume de leite durante o período de safra é cerca de 12% superior ao volume coletado na entressafra. De outubro de 2000 a março de 2001, foi registrado um aumento de cerca de 12,3% no volume coletado em relação ao mesmo período anterior (out/99 a mar/00).

Se lembrarmos do comportamento dos preços durante o verão passado, vamos ver que o valor do extra cota não ficou muito baixo como de costume.

Em Goiás, durante o período de safra, o extra cota foi pago a R$0,19/litro, em média.

Ora, numa época de excesso de produção acima do comum, o leite extra cota estava mais procurado que o normal, o que evidencia que já havia uma estratégia planejada para uso da matéria-prima na entressafra, o que foi constatado pela imprensa da época que relatara volumes elevados de leite sendo desidratado e armazenado.

Apesar de se afirmar que esta estratégia fica cara para ser empregada pela indústria, o preço mais baixo (desconsiderando o extra cota) da matéria-prima na época era cerca de 65% do valor atual, ou seja, cerca de R$0,26/litro. No mercado "spot", os preços chegaram ao dobro dos menores preços da safra.

A atuação da Centroleite procurou fortalecer o produtor nas relações entre os elos da cadeia. Evidentemente, houve reação por parte da indústria. Porém, as medidas para reduzir custos da matéria-prima aconteceriam de qualquer maneira, conforme exposto anteriormente, e seriam no sentido de aumentar a oferta do leite de alguma maneira diferente da importação, hoje impraticável para fins estratégicos.

A iniciativa da Centroleite deve ser seguida e aplaudida. Deu errado o modelo por eles adotado? Parece que sim, mas ninguém consegue nada sem tentar. Os "tombos" ao longo do caminho fazem parte da estrada para o sucesso. Agora cabe uma reavaliação dos planos de atuação, planos que devem ser estabelecidos também pelas demais cooperativas e produtores em geral.

Goiás continua dando exemplo.


 

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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