Conforme comentado no início de agosto, os preços do longa vida, produto de maior consumo entre os fluídos e que baliza o mercado, estão próximos de R$1,05/litro há mais de seis meses, no atacado.
Desta forma, o mercado interno contribui para manutenção e até abre espaço para reajustes nos preços pagos aos produtores.
Os preços de lácteos no atacado, acompanhados pela Scot Consultoria, fecharam julho com reajustes positivos de 4,3%, em média. O longa vida, cuja alta foi menos significativa, foi reajustado em 1%, valor praticamente estável. Mesmo assim, considerando apenas o mercado do leite longa vida (desempenho abaixo da média dos lácteos), haveria espaço para maiores reajustes nos preços. Observe na tabela 1 a comparação entre os preços médios anuais e dos primeiros sete meses de 2001 e 2002 para o leite C, pagos aos produtores, e do longa vida no atacado.
Tabela 1: Comparação entre os preços médios anuais e dos primeiros sete meses de 2001 e 2002

De janeiro a julho deste ano, os preços pagos aos produtores ficaram próximos da média observada no mesmo período em 2001. No entanto, no mercado atacadista, o valor médio do longa vida em relação ao mesmo período de 2001 foi 6,5% superior.
Caso ambos os preços, no atacado e ao produtor, permaneçam estáveis até dezembro, a remuneração do produto nas fazendas terá praticamente acompanhado a meta máxima de inflação, ainda não sendo suficiente para recuperar a perda ocorrida no ano passado. A projeção para o longa vida, por sua vez, será de reajuste perto de 15%, caso os preços permaneçam estáveis até dezembro.
Estes valores vêm de encontro à uma observação feita por algumas indústrias. Segundo elas, parte das empresas estaria pagando aos produtores cerca de 10 a 12% acima do que tem sido divulgado nas pesquisas, evidenciando a concorrência na compra de leite.
Se há concorrência pelo leite do produtor, é por falta de leite no mercado, o que também pode ser comprovado pelas poucas informações que se tem sobre o mercado "spot". No início de julho relatava-se negócios entre R$0,43 e R$0,48/litro neste mercado.
Nos primeiros dias de agosto o mercado parece ter dado uma "desaquecida". Porém, as últimas compras, das quais temos informações, foram fechadas em valores de R$0,50/litro.
Há relatos de preços significativamente maiores, porém não confirmados pela indústria. Mesmo que houvesse desaquecimento no mercado "spot", é provável que os preços não recuariam para valores abaixo do que se pagava em julho. Aliás, o cenário atual não favorece nenhuma redução nos preços do leite "spot".
Ainda é preciso concluir as pesquisas para que se tenha uma posição mais fidedigna do mercado.
Outros fatos depõem contra a retração nos preços pagos aos produtores, como:
- O volume de importações, mesmo com todo o cenário desfavorável à essa prática, continua aumentando em relação ao ano passado.
- Os preços dos concentrados subiram 22% durante em julho e ainda estão sendo reajustados em agosto. Assim é pouco provável que haja resposta em produção por fornecimento de concentrados.
- As chuvas que ocorreram não aumentarão a produção de pastagens, o que também traria respostas em produção. Se a produção aumentar, o efeito poderá ser momentâneo.
Neste cenário não há espaço para recuos nos preços. Aliás, pelo mercado, há espaço até para aumento nos preços, o que é comprovado pelas empresas que têm sido obrigadas a pagar mais para conseguirem manter a captação de leite.
Caso os preços recuem, o que vai contra a tendência atual, é provável que seja em função de alguma força manipulando o comportamento do mercado.