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Os preços de lácteos no atacado, acompanhados pela Scot Consultoria, fecharam julho com reajustes positivos, saiba mais.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Pelo segundo mês consecutivo especula-se sobre redução nos preços do leite pago aos produtores. Embora alguns reajustes sempre ocorram, ora aumentando os valores ora reduzindo-os, ainda não é evidente o início de baixa.

Conforme comentado no início de agosto, os preços do longa vida, produto de maior consumo entre os fluídos e que baliza o mercado, estão próximos de R$1,05/litro há mais de seis meses, no atacado.

Desta forma, o mercado interno contribui para manutenção e até abre espaço para reajustes nos preços pagos aos produtores.

Os preços de lácteos no atacado, acompanhados pela Scot Consultoria, fecharam julho com reajustes positivos de 4,3%, em média. O longa vida, cuja alta foi menos significativa, foi reajustado em 1%, valor praticamente estável. Mesmo assim, considerando apenas o mercado do leite longa vida (desempenho abaixo da média dos lácteos), haveria espaço para maiores reajustes nos preços. Observe na tabela 1 a comparação entre os preços médios anuais e dos primeiros sete meses de 2001 e 2002 para o leite C, pagos aos produtores, e do longa vida no atacado.

Tabela 1: Comparação entre os preços médios anuais e dos primeiros sete meses de 2001 e 2002
 

 


De janeiro a julho deste ano, os preços pagos aos produtores ficaram próximos da média observada no mesmo período em 2001. No entanto, no mercado atacadista, o valor médio do longa vida em relação ao mesmo período de 2001 foi 6,5% superior.

Caso ambos os preços, no atacado e ao produtor, permaneçam estáveis até dezembro, a remuneração do produto nas fazendas terá praticamente acompanhado a meta máxima de inflação, ainda não sendo suficiente para recuperar a perda ocorrida no ano passado. A projeção para o longa vida, por sua vez, será de reajuste perto de 15%, caso os preços permaneçam estáveis até dezembro.

Estes valores vêm de encontro à uma observação feita por algumas indústrias. Segundo elas, parte das empresas estaria pagando aos produtores cerca de 10 a 12% acima do que tem sido divulgado nas pesquisas, evidenciando a concorrência na compra de leite.

Se há concorrência pelo leite do produtor, é por falta de leite no mercado, o que também pode ser comprovado pelas poucas informações que se tem sobre o mercado "spot". No início de julho relatava-se negócios entre R$0,43 e R$0,48/litro neste mercado.

Nos primeiros dias de agosto o mercado parece ter dado uma "desaquecida". Porém, as últimas compras, das quais temos informações, foram fechadas em valores de R$0,50/litro.

Há relatos de preços significativamente maiores, porém não confirmados pela indústria. Mesmo que houvesse desaquecimento no mercado "spot", é provável que os preços não recuariam para valores abaixo do que se pagava em julho. Aliás, o cenário atual não favorece nenhuma redução nos preços do leite "spot".

Ainda é preciso concluir as pesquisas para que se tenha uma posição mais fidedigna do mercado.

Outros fatos depõem contra a retração nos preços pagos aos produtores, como:

- O volume de importações, mesmo com todo o cenário desfavorável à essa prática, continua aumentando em relação ao ano passado.
- Os preços dos concentrados subiram 22% durante em julho e ainda estão sendo reajustados em agosto. Assim é pouco provável que haja resposta em produção por fornecimento de concentrados.
- As chuvas que ocorreram não aumentarão a produção de pastagens, o que também traria respostas em produção. Se a produção aumentar, o efeito poderá ser momentâneo.

Neste cenário não há espaço para recuos nos preços. Aliás, pelo mercado, há espaço até para aumento nos preços, o que é comprovado pelas empresas que têm sido obrigadas a pagar mais para conseguirem manter a captação de leite.

Caso os preços recuem, o que vai contra a tendência atual, é provável que seja em função de alguma força manipulando o comportamento do mercado.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

Maurício Palma Nogueira

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Joaquim Vital
JOAQUIM VITAL

OUTRO - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/08/2002

A baixa de preços pagos pelas indústrias já é um fato concreto. Nos caso de Goiás, a Nestlé, para a qual vendo meu leite, já baixou R$0,01 em julho e já avisou, por mala direta, que vai baixar mais R$ 0,02 para o leite entregue em agosto, a ser pago em setembro. Questionada pela FAEG, alegou que seu procedimento decorre das leis de mercado, uma vez que, historicamente, sempre houve aumento de produção nos meses de julho e agosto. O interessante é que, para o consumidor, não houve decréscimento nenhum no preço dos produtos lácteos. Devemos lembrar que os custos de insumos, nos últimos dois meses, sofreram consideráveis reajustes para cima, aumentando consideravelmente os custos dos produtores de leite.
Hildebrando de Campos Bicudo
HILDEBRANDO DE CAMPOS BICUDO

ARCEBURGO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/08/2002

Apesar de óbvias as conclusões e a objetividade da análise, o Laticinio Mococa reduziu em 3 centavos o valor pelo leite já entregue no mês de julho.

Esta prática de reduzir o valor do produto já entregue é que deve ser banida do mercado,o que só sera possível com a união dos produtores. Aliás, por este motivo, não sou mais fornecedor desta multinacional, desde 1º de agosto.
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