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Balança comercial de lácteos: exportações perdem força

POR TIAGO DA CUNHA FARIA

PANORAMA DE MERCADO

EM 07/04/2022

5 MIN DE LEITURA

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Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (07/04) pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o saldo da balança comercial de lácteos foi de -52 milhões de litros em equivalente-leite no mês de março, uma diminuição de 32 milhões, ou aproximadamente 61,5% em comparação ao mês anterior.

Ao se comparar ao mesmo período do ano passado (mar/2021), o saldo foi menos negativo, sendo que o valor em equivalente-leite nesse período foi de -92 milhões de litros, representando um aumento de aproximadamente 78%.

Apesar do recuo, esse resultado é o menos negativo desde 2014 para o mês, quando teve um saldo de -1 milhões de litros, e após quatro meses consecutivos de aumentos, o saldo da balança voltou a diminuir. Confira a evolução no saldo da balança comercial láctea no gráfico 1.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT
 

No mês de março as exportações tiveram um forte recuo de aproximadamente 65% em relação ao mês de fevereiro, com um decréscimo de -14,1 milhões de litros no volume exportado. Ao se comparar com 2021, as exportações também foram menores este ano, com um diminuição de -3,4 milhões de litros, representando um decréscimo de aproximadamente 31% no volume exportado. Após altas expressivas nos volumes de lácteos destinados às exportações, o cenário para o mês de março foi reverso, e ocorreram quedas consideráveis.

Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT
 

Do lado das importações, o cenário também foi reverso do que vinha ocorrendo. O mês de março apresentou um aumento de 41% nas importações em relação ao mês de fevereiro, com um acréscimo de 17,2 milhões de toneladas em equivalente-leite no volume de importações. Analisando o mesmo período do ano passado, nota-se uma diminuição expressiva entre os volumes importados; em março de 2021, 102,6 milhões de litros em equivalente-leite foram importados, já em 2022 esse valor teve um recuo de aproximadamente 42%, totalizando um decréscimo de -43,4 milhões de litros em equivalente-leite comparando-se os anos, o que pode ser observado no gráfico a seguir:

Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.

Essa diminuição nos volumes exportados e aumento das importações acarretou em um saldo mais negativo da balança comercial de lácteos para o mês de março. Apesar desta dinâmica, o resultado é o menos negativo desde o ano de 2014 para o período. Quando comparado com o ano de 2021 mesmo com um menor volume destinado as exportações, uma diminuição expressiva nas importações acarretou em uma saldo mais favorável para o ano de 2022.

Este cenário é consequência do fim do ciclo de alto dos preços internacionais e da forte queda do dólar no período. Apesar disso, o cenário que estava vigente há alguns meses sofreu uma disrupção ao longo do mês. Conforme relatado na análise do último evento do Global Dairy Trade (GDT), “GDT: preços internacionais apresentam nova correção”, os preços internacionais do leilão sofreram recuo pela segunda quinzena consecutiva e os preços médios voltaram aos patamares abaixo dos U$ 5.000 /tonelada.

A queda do dólar também contribuiu para o cenário observado. Devido a políticas econômicas adotadas por parte do Brasil, e os preços das commodities operando em patamares elevados, a moeda norte-americana sofreu fortes variações negativas frente ao real nos últimos dias. Entre o período de 01/01 e 25/03, o real teve variação de +16,79%, configurando-se como a moeda que mais se valorizou no ano de 2022.

E por último, mas não menos importante, devido a oferta de leite no mercado interno comprometida, nas últimas semanas o cenário foi altista para a maioria dos derivados lácteos. Altas expressivas foram observadas no leite UHT, muçarela, e leite em pó. Este fato, associado ao dólar operando em baixa, muitas vezes pode tornar as negociações dos produtos no mercado interno mais atrativa em detrimento das exportações, o que pode ter levado ao menor volume destinado a essas negociações.

Todos esses fatores contribuíram para o processo disruptivo do cenário que estava vigente há alguns meses, e frearam bruscamente as exportações, com o produto nacional perdendo competitividade no mercado externo, e as importações começando a ganhar fôlego na concorrência do mercado interno.

Em relação aos produtos mais importantes da pauta importadora em março, temos o leite em pó integral, os queijos, o leite em pó desnatado e o soro de leite, que juntos representaram 90% do volume total importado. O leite em pó integral teve uma aumento de 19% em seu volume importado. Os produtos que tiveram maior variação com relação a importação foram o iogurte, a manteiga e o leite em pó desnatado com aumentos de 389%, 82% e 52%, respectivamente.

Os produtos que tiveram maior participação no volume total exportado foram o leite condensado, o creme de leite, o leite UHT, e os queijos, que juntos, representaram 83% da pauta exportadora. Produtos que apresentaram forte variação com relação ao mês de fevereiro foram o leite em pó integral, e o leite em pó desnatado, visto que ambos tiveram uma redução de aproximadamente 98% no volume destinado a exportação.

A tabela 1 mostra as principais movimentações do comércio internacional de lácteos no mês de março deste ano.

Tabela 1. Balança comercial láctea em março de 2022. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.

 

O que podemos esperar para o próximo mês?

Conforme relatado, o cenário observado nos últimos meses começou a se alterar, e caso a dinâmica se sustente, poderá ser fortalecer nos próximos meses. Os preços internacionais parecem ter atingindo um “pico” após alcançarem seu maior valor médio da história, e a tendência, pelo menos a curto prazo, é o mercado apresentar correções, e os preços recuarem. Caso isso ocorra, fortalece o cenário observado e pode aumentar a competitividade dos produtos internacionais, estimulando as importações e desestimulando as exportações.

Outro ponto para ficar de olho é o conflito no Mar Negro, envolvendo a Ucrânia e a Rússia. Caso um cessar fogo ocorra, poderemos ver diversos mercados, dentre eles as commodities, como o petróleo, recuando, o que poderá impactar nos preços praticados no mercado lácteo internacional. Além disso, o fim do conflito pode contribuir para uma retorno a normalidade na questão da oferta e demanda mundial, pelo menos a médio e longo prazo, a depender dos estragos ocasionados pela guerra.

No mercado nacional temos a medida do governo de zerar os impostos para a muçarela importada, que, caso se mantenha, contribui como um estimulo as importações, principalmente do produto proveniente dos Estados Unidos. Com o fim da TEC, poderemos observar um aumento no volume de importações de muçarela, contribuindo para um saldo mais desfavorável da balança, além dos impactos negativos no mercado nacional de queijos.

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ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 11/04/2022

Os preços no campo nem reagiram direito, e já podemos observar que não irão se sustentar por muito tempo
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