Os preços de dezembro, que foram pagos em janeiro, mantiveram-se estáveis nos mesmos patamares do pagamento anterior.
A tentativa de redução nos preços pagos aos produtores não se confirmou. Na virada do ano, parte das indústrias anunciava que reduziria os valores, tendo como base o fraco desempenho do mercado atacadista.
Estas informações ganharam mais força à medida que os preços do mercado "spot" se reduziam. De fato, o mercado "spot" chegou a R$0,60/litro e hoje situa-se em patamar próximo de R$0,45/litro. No entanto, os preços pagos aos produtores ainda não acompanharam a queda do mercado.
Comparando-se o mercado atacadista com os preços aos produtores, pode-se constatar que os valores médios, de 2002, do leite Longa Vida, aumentaram cerca de 17% em relação ao ano de 2001. No campo, preços aos produtores, este reajuste foi menos expressivo, cerca de 12%.
Como o preço a ser pago aos produtores depende do mercado, especialmente do Longa Vida, todas as atenções se voltam ao que deve ocorrer com as vendas de leite e derivados entre o final de janeiro e os primeiros dias de fevereiro. Nos anos anteriores, sempre houve aumento nos preços do Longa Vida durante os meses de fevereiro e março. Nos últimos quatro anos os preços médios do Longa Vida no mês de março têm sido cerca de 25% superiores aos de janeiro, com os aumentos ocorrendo a partir de fevereiro. No entanto, têm sido criticadas há meses, nesta coluna, as análises de cenários baseadas apenas em fatos ocorridos nos anos anteriores. Há necessidade, portanto, de observar os fatos particulares do período em que estamos.
Informações preliminares do mercado varejista apontam para quedas de cerca de 7% nos valores do Longa Vida ao consumidor. No atacado, vendas das indústrias, os preços de janeiro devem ficar cerca de 1,5% abaixo dos níveis de dezembro.
Há informações de que vários estoques de Longa Vida tiveram que ser desovados neste início de ano, período de férias escolares e demanda reduzida, o que contribuiu para o enfraquecimento do mercado.
Caso confirme-se a tendência observada para o mercado varejista, será a primeira vez em cinco anos que há redução considerável nos preços do Longa Vida de fevereiro em relação aos de janeiro. Fica, portanto, a expectativa para os próximos dias de que o aquecimento da demanda, com a proximidade de volta às aulas, contribua para que os valores não recuem de maneira considerável.
É provável que os preços caiam, porém quanto menor for o recuo, melhor para laticínios e produtores. Nem é preciso lembrar os impactos negativos que elevadas oscilações nos preços causam a quem produz.
Para os pagamentos da produção de janeiro aos produtores, poucos arriscam opinar, tamanhas as incertezas quanto ao comportamento das vendas neste mês.
Entre os que atuam comprando leite, 56% afirmam não saber o que deve acontecer com os preços do próximo mês. Cerca de 23% dos entrevistados apostam em manutenção nos valores, 14% acham que ocorrerão recuos e 7% acreditam em aumentos nos preços.
Respostas a estas dúvidas, só no início de fevereiro.
As sinalizações do varejo
Os preços de dezembro, que foram pagos em janeiro, mantiveram-se estáveis nos mesmos patamares do pagamento anterior. Saiba mais sobre o que o varejo sinaliza.
Publicado por: Maurício Palma Nogueira
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Maurício Palma Nogueira
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JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 28/01/2003
Prezado Maurício:
Na região Centro-Sul denota-se uma clara demanda por parte dos laticínios. Os preços de janeiro repetem os de dezembro, principalmente a partir da segunda quinzena, posterior à sinalização de preços dada pelo programa estadual "Viva Leite". Há falta do produto. Não existe perspectiva de aumento de produção nos próximos 90 dias. Motivos: preços dos insumos, seca prolongada em outubro e novembro que afetou a produtividade das lavouras, principalmente para silagem de milho e ainda perspectiva de liquidação de plantel de produtores grandes e pouco incentivo para novos empreendedores na atividade. Abraços, José Humberto.
Na região Centro-Sul denota-se uma clara demanda por parte dos laticínios. Os preços de janeiro repetem os de dezembro, principalmente a partir da segunda quinzena, posterior à sinalização de preços dada pelo programa estadual "Viva Leite". Há falta do produto. Não existe perspectiva de aumento de produção nos próximos 90 dias. Motivos: preços dos insumos, seca prolongada em outubro e novembro que afetou a produtividade das lavouras, principalmente para silagem de milho e ainda perspectiva de liquidação de plantel de produtores grandes e pouco incentivo para novos empreendedores na atividade. Abraços, José Humberto.

RENATO S. MACHADO POMPÉU-MG
POMPÉU - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 25/01/2003
A sinalização do mercado aqui em Pompéu-Mg é de tendência de alta. Após 15/01 tivemos aumento de 5 centavos,com a Itambé pagando o valor médio de R$0,50 por litro. É claro que tivemos pressão da Nestlé que queria comprar leite aqui, e um escândalo com alguns produtores recebendo valores a mais fora da folha de leite. Estes fatores podem ter precipitado uma alta.
<b>Resposta: Prezado senhor Renato</b>
Realmente tivemos esta informação por algumas cooperativas ligadas à Itambé. Certamente, no próximo levantamento assistiremos um aumento nos preços em algumas regiões.
Caso o mercado recue, é possível que as baixas não durem muito tempo. Quem passou pela rodovia dos Bandeirantes ou Anhanguera no sábado, dia 25 de janeiro, pôde notar o intenso movimento de volta do litoral. As viagens de férias estão terminando e, com a população voltando à rotina diária, volta a ter um aquecimento no consumo. Vamos torcer para que o fato aconteça nesta semana, a última de janeiro.
Quanto a preços mais elevados, conforme você colocou, os aumentos estão mais ligados à concorrência entre os compradores. Na prática, este ano tende a ter menos leite para maior volume de compra. A falta de leite crônica não é nem a atual, mas sim para os meses de entressafra. Daí a preocupação com os preços aos produtores. As indústrias tem que garantir as compras para os próximos meses.
Atenciosamente,
Maurício Palma Nogueira
engenheiro agrônomo
<b>Resposta: Prezado senhor Renato</b>
Realmente tivemos esta informação por algumas cooperativas ligadas à Itambé. Certamente, no próximo levantamento assistiremos um aumento nos preços em algumas regiões.
Caso o mercado recue, é possível que as baixas não durem muito tempo. Quem passou pela rodovia dos Bandeirantes ou Anhanguera no sábado, dia 25 de janeiro, pôde notar o intenso movimento de volta do litoral. As viagens de férias estão terminando e, com a população voltando à rotina diária, volta a ter um aquecimento no consumo. Vamos torcer para que o fato aconteça nesta semana, a última de janeiro.
Quanto a preços mais elevados, conforme você colocou, os aumentos estão mais ligados à concorrência entre os compradores. Na prática, este ano tende a ter menos leite para maior volume de compra. A falta de leite crônica não é nem a atual, mas sim para os meses de entressafra. Daí a preocupação com os preços aos produtores. As indústrias tem que garantir as compras para os próximos meses.
Atenciosamente,
Maurício Palma Nogueira
engenheiro agrônomo