Com a queda anunciada nos preços, em torno de 10%, para a produção deste mês de julho, que será paga em agosto, confirmou-se a infeliz tendência de que, para a produção de junho, houve o último reajuste nos preços. O impacto momentâneo será proporcionalmente maior aos produtores que invertem a entressafra de leite, produzindo mais nos meses de preços historicamente melhores.
Nos últimos cinco anos, os preços de entressafra têm se registrado 11,4% superiores que os preços dos meses de safra, o que justifica, além do período de formação da cota, investir na inversão da safra.
Os preços do leite produzido em julho (pago em agosto) deveriam ser mantidos e a tendência era de recuos a partir da produção de agosto, em torno de 2,5%, e não 10% um mês antes, como deve se confirmar. Caso caísse lentamente, os preços entrariam no período de safra a valores 6 a 8% inferiores que os preços atuais. Isso possibilitaria a expectativa de reajustes em torno de 7% nos preços médios da produção de 2001, em relação aos preços do ano 2000.
Com a nova perspectiva de preços, é possível que os valores nominais do leite neste ano não atinjam nem 4% acima dos valores médios do ano 2000. É válido lembrar que o mercado ainda não está totalmente definido para este segundo semestre, e parte desta queda faz parte de estratégias de empresas que manipularam estoques e compras para evitar que os preços médios de entressafra subissem muito além dos valores de safra, como ocorreu em 2000, com a elevação de 19,4% nos preços médios de entressafra, ou seja, oito pontos percentuais acima da média dos últimos anos.
Apesar de parecer que os preços não mudam, a média dos valores nominais tem aumentado anualmente, apesar de anos "negros" como o de 1998 (preços pioraram) e o de 1999 (custos aumentaram). Na média geral, os preços tem aumentado cerca de 6% ao ano para o leite tipo C e 3,5% ao ano para o leite tipo B.
Observe que, admitindo que os cerca de 5% de leite tipo B seja produzido com maiores cuidados e maior escala, o que espera-se maior utilização de tecnologias, os preços avançam de maneira mais lenta que os do leite tipo C, o que acompanha a tendência de mercado do longa vida, com maior participação de bacias leiteiras distantes nos grandes mercados consumidores.
Para os produtores que trabalham com bonificações maiores, principalmente por volume de leite, os preços têm aumentado ainda mais lentamente, conforme o comportamento do leite tipo B.
No mesmo período analisado, de 1995 até 2001, o IGP-DI variou cerca de 9,7% ao ano enquanto o dólar atingiu valorização 17% ao ano. As contas dos produtores acompanham a inflação brasileira e o dólar, no caso dos insumos, ou seja, a lucratividade é de fato mais difícil de ser obtida em tempos atuais. Infelizmente, esta situação tem provocado o desânimo e a desistência de muitos produtores.
Algumas análises mostram que também ocorrem aumentos menores, abaixo da inflação, nos preços dos concentrados, especialmente quando foge-se das formulações tradicionais de alimentos, com farelo de soja, milho (não é o caso atual), etc. Isso ocorre de fato e, embora a compra de concentrados corresponda a cerca de 40% dos custos totais de produção, dependendo do sistema, o preço do leite valoriza-se de maneira mais lenta.
No mesmo período, o milho que, pelo fato do problema de estoques causado pelo otimismo do ano passado, possui o menor reajuste médio anual, valorizou cerca de 6,5 % ao ano. Caso não houvesse a queda de 40% este ano nas cotações do milho, a valorização seria de 12% ao ano.
Fazendas de custos mais baixos, que investiram em tecnologia, operando com lucratividade, e mesmo assim pouca lucratividade, sabem que ano a ano o "cinto aperta". O que fazer nesta situação? Indústrias modernas pararam de reduzir custos, por não haver muito mais o que fazer, e buscam aumentar a receita. Como aumentar a receita na produção primária, com os preços vindo de cima para baixo, sem abandonar a produção de leite?
Este é o desafio para os produtores que atingiram a eficiência tecnológica (escala, custos viáveis, produtividade por hectare, baixa mortalidade, bons índices zootécnicos, participação baixa dos custos fixos no total, etc.), independente do sistema de produção.
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