Para os produtores os preços estão no ponto mais baixo e a tendência, até o presente momento, é de estabilidade para o pagamento de janeiro e recuperação lenta a partir dos próximos meses.
Algumas poucas empresas relatam já haver maior demanda do que oferta do produto, dependendo da região, e se mostram otimistas para o próximo mês (fevereiro). Acredita-se atualmente que em fevereiro ou março ocorra novamente um bom aumento nos preços do leite longa vida, dando força para a melhora do mercado. Em 2001, o aumento nos preços no início do ano foi de R$0,10/litro em apenas 30 dias, o que também foi observado em 2000 e 1999. Este aumento dará o fôlego para a esperada recuperação nos preços aos produtores a partir dos citados meses.
Em dezembro de 2001, os preços do longa vida terminaram cerca de 16%, nominalmente, acima dos valores observados em dezembro de 2000. Vale lembrar, que apesar de melhor em dezembro, os valores médios do longa vida ao longo de 2001 foram R$0,02/litro menores que em 2000, uma perda cerca de 1% inferior a observada para os produtores rurais.
Esta oscilação nos preços é um dos fatores extremamente prejudiciais aos produtores, indústrias e mesmo aos consumidores. Os preços do principal produto do setor hoje em dia, em termos de balizamento de preços, variam normalmente 40% entre maior e menor valor dos preços médios ao longo do ano. Observe na tabela 1 as variações entre os preços médios ao longo do ano, nos último três anos.
Tabela 1: Valores anuais menores, maiores e médios dos preços médios mensais do leite longa vida, em reais nominais por litro.

Observe que como ocorreu em 2000, considerando uma margem padrão de 30% do varejo para o consumidor final (constatada pela Scot Consultoria e também por outras entidades e empresas de consultoria), o consumidor teve acesso, ao longo do ano, ao mesmo produto por preços que chegaram a diferir em até quase 80% entre valor médio menor a maior ao longo de apenas um ano.
Em anos “normais” esta variação vai para 40%, isso se tratando de um produto alimentar básico.
Apesar da variação em 2001 ter sido inferior à de 2000, os preços médios do longa vida ficaram bem abaixo do esperado ou que seria favorável ao setor. Na verdade, o ideal seria uma variação menor em torno de um preço mais elevado, em torno de R$1,00/litro (ou mais) no atacado. Vale lembrar que para aqueles que dirão que o consumo se reduz, a demanda de leite fluido é inelástica ou de baixa elasticidade, ou seja, as variações nos preços, para baixo ou para cima, promovem baixa variação na demanda. No caso dos derivados (queijos, iogurtes, bebidas lácteas, etc) a demanda é elástica. Sendo assim, reduzindo o preço ao consumidor, haverá um aumento na demanda e vice versa.
Portanto, a alteração deste quadro depende de uma política de mercado que deveria partir da iniciativa privada, pois torna-se inadequada a variação que ocorre nos preços do longa vida, um produto básico, sendo que os valores poderiam situar-se em um patamar mais elevado sem que houvesse uma grande variação ao longo do ano.
Para não perder o costume, esta oscilação de preços é desfavorável aos interesses de longo prazo, para qualquer que seja o envolvido no agronegócio do leite: consumidor, produtor, indústria e varejo.