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O fechamento do mês de fevereiro para os preços dos produtos lácteos já aponta para uma elevação de cerca de 3,5 a 4% nas cotações médias dos produtos lácteos.

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Maurício Palma Nogueira

O fechamento do mês de fevereiro para os preços dos produtos lácteos já aponta para uma elevação de cerca de 3,5 a 4% nas cotações médias dos produtos lácteos.

Os fluídos aumentaram cerca de 8,54%, em média, sendo o longa vida o responsável pelas maiores altas.

Observe na tabela os preços de lácteos no atacado.

Preço de lácteos no atacado

 

Tabela



A expectativa para as próximas semanas é boa, com a tendência do mercado permanecer em alta.

Com relação ao mercado internacional, durante o carnaval foram confirmadas as medidas antidumping contra a maioria dos países antes acusados pela prática, exceção seja feita a Argentina, que fechou acordo com o Brasil.

As taxações de direito antidumping vão desde 3,9%, para algumas exportadoras neozelandesas a 16,9% para alguns exportadores do Uruguai e da União Européia. No caso da indústria européia e neozelandesa, já é praticada a tarifa de exportação para o Brasil, de 27%.

No caso da Argentina, segundo o acordo fechado, o preço médio de exportações para o Brasil será o valor de mercado divulgado através das cotações do departamento de agricultura dos Estados Unidos (USDA). Caso as cotações internacionais caiam abaixo de US$1.900,00/tonelada de leite em pó, o preço do leite argentino será fixado neste valor (preço mínimo).

Nos valores atuais, a Argentina, responsável pelo maior volume exportado ao Brasil, deverá operar com um preço médio de US$2.000,00/tonelada de leite em pó, o que equivale a R$0,40/litro no mercado interno após rehidratado, desconsiderando frete e custos operacionais.

O produtor, porém, comemora esta vitória dando perspectivas para aumento nos preços do leite e a melhora do mercado, que tem gerado otimismo nos compradores de leite.

No caso do mercado internacional, existem outras batalhas a serem vencidas como, por exemplo, a elevação da tarifa externa comum, que hoje é de 27% e o setor pleiteia 35%. A resolução está agendada para julho, quando saberemos se as entidades de classe conseguirão vencer mais "esta" para o produtor brasileiro.

Vale lembrar, enfatizando a atuação das entidades de classe do Brasil, representadas especialmente pela CNA, que havia a proposta de reduzir a tarifa externa comum para 16% no ano passado, quando conseguiu-se manter nos 27%.

Outro fator que depõe a favor de bons preços para o produtor é a estiagem na maior parte das regiões produtoras. Segundo alguns agentes de laticínios, a falta de chuvas já causou perdas nas produtividades do milho para silagem. Se por um lado há bons preços, por outro há dificuldade de produção, pois a falta de água afeta a grande maioria.

Cada vez mais, o mercado deste ano se assemelha ao do ano passado: preços em alta desde fevereiro, escassez de produção, preços elevados para importação, etc. Enquanto ficar por aí, felicidades para o produtor, porém é bom lembrar do final da entressafra de 2.000.

Só o planejamento poderá reduzir o impacto do comportamento semelhante ao do ano passado, quando acreditava-se que o leite havia recuperado seu valor real, acompanhando a inflação e o aumento dos insumos após a desvalorização da moeda nacional em 1999.

 

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