A ração da seca!

Em abril os preços do farelo de soja recuaram 23%. Atribui-se o fato a entrada da safra e a queda nas cotações do dólar, que foi parar no patamar de R$3,00.

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Em abril os preços do farelo de soja recuaram 23%. Atribui-se o fato a entrada da safra e a queda nas cotações do dólar, que foi parar no patamar de R$3,00. Observe na figura 1, a queda nos preços do farelo de soja, em reais nominais por quilo, ao longo do último ano.
 

 


Até a última semana de abril os preços dos demais alimentos concentrados não haviam recuado, com exceção do milho, que apresentava uma queda de 3,4%, além do que, eram esperadas novas baixas.

Embora seja precipitado estabelecer um cenário, é provável que o recuo nos preços do milho e do farelo de soja, alimentos padrão na nutrição animal, acabasse por pressionar o recuo dos demais alimentos, geralmente subprodutos da indústria, como os demais farelos.

Evidente que diversas variáveis devem ainda atuar sobre o mercado, como período de safra agrícola, início dos confinamentos e a própria demanda por parte dos produtores de leite. Muita água deve rolar até que a esperada tendência de baixa generalizada dos concentrados se confirme.

Contrapõe-se às baixas dos concentrados o aumento nos preços do leite. Há mais de um ano os preços do leite seguem firmes e em alta.

O pagamento da produção de março parece confirmar a expectativa de aumento em torno de 5% nos preços do leite no estado de São Paulo. Provavelmente ainda ocorram novos aumentos nos preços, pois há falta de leite no mercado e concorrência entre as indústrias.

Bom para o produtor?

Ainda depende!

Geralmente analisam-se apenas os preços recebidos pelos produtores e pouco se fala dos custos de produção.

Porém, quando se compara os preços dos insumos com os considerados "elevados" preços do leite, observa-se que as condições de compra deste ano estão piores que em 2002.

Observe na tabela 1 a relação de troca, em litros de leite por quilo do concentrado, durante o mês de abril de 2002 e abril de 2003.

Tabela 1: Relação de troca em litros de leite/kg de concentrado em abril de 2002 e abril de 2003

 

 



Mesmo com a queda do preço do farelo de soja, ao mesmo tempo que ocorre aumento dos preços do leite, a capacidade de compra do produtor continua praticamente a mesma, quando comparada ao mesmo período de 2002, no mês de abril, que marca a entrada do período de entre safra.

Para a compra dos demais alimentos concentrados, o produtor precisa hoje de 30% a mais de leite do que no mesmo período do ano passado.

Se foram os maus resultados dos últimos períodos que provocaram a queda na produção de leite, o que se pode esperar para este ano?

É um impasse: os preços estão elevados para o mercado, mas são ainda baixos para o produtor. Os custos de produção ainda achatam os resultados dos produtores, mesmo com a firmeza dos preços do leite. Se não é possível repassar preços, a única tendência lógica esperada é queda contínua na produção de leite no país, uma situação extremamente desfavorável para o Brasil, quando considera-se o potencial, tanto de mercado como de produção, para o setor lácteo nacional.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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