Atualmente, no Brasil, não se sabe o que é pequeno, o que é médio, o que é grande e qual é a escala de produção para permanecer na atividade. Certamente, para tais respostas, necessita-se dizer em que contexto este ou aquele produtor está inserido.
Estas dúvidas são expostas aos técnicos quando chegam a uma propriedade. - Doutor, quanto tenho que produzir para viver bem?
O que é ser pequeno produtor? Quanto este pequeno produtor produz? O que é produzir pouco? É produzir pouco por área ou entregar pouco leite? Quem é grande no Brasil? Quem produzia 1 mil litros de leite por dia há poucos anos atrás era considerado de médio a grande, hoje está numa condição difícil, vendo-se obrigado a aumentar a escala e sem perspectivas de melhora no curto e médio prazo. Quem produz 5 mil litros pode se considerar bem? Por isso a atividade não tem apresentado perspectivas boas.
Vemos, com certa freqüência, liquidações de plantéis de produtores conhecidos no ramo da produção leiteira. Analisando vários casos, é de se concordar com a corrente de pensamento que considera que tais produtores seriam aqueles que souberam calcular as receitas e despesas geradas na atividade, e descobriram o tamanho do problema.
Porém, com os produtores que possuem escala de produção, teoricamente boa produtividade por área e melhor saúde financeira abandonando a atividade, quem sobrará na produção leiteira?
Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que o pequeno produtor não teria condições de sobreviver em um futuro bem próximo. Chegamos a 2002, ou seja, no futuro bem próximo, com a situação totalmente invertida. Hoje quem pode agüentar as oscilações de mercado e os baixos preços é justamente quem não investiu. Os pequenos têm também que aumentar a escala, mas destaque-se que estamos falando de um País cuja realidade é de produtor médio com 40 a 70 litros por dia. Uma produção de 300 litros de leite é uma boa escala para esta realidade infeliz.
Os baixos preços do leite, ocasionados especialmente pelo rumo que o mercado tomou, e pelas estratégias do varejo e das indústrias para administrá-lo, praticamente impossibilitam a sobrevivência do produtor especializado a médio e longo prazo. Na realidade, o produtor agrícola suporta trabalhar algum tempo no vermelho, coisa que outras atividades não permitem, porém, como conseqüência inexorável, advém o seu empobrecimento e a incapacidade de reinvestimento. Sendo assim, as condições atuais tendem a impossibilitar a modernização do setor ao longo dos anos, o que, a longo prazo, será um problema também para a indústria, talvez até para o varejo e para a sociedade como um todo (vamos importar leite e lácteos subsidiados pelos países ricos e empobrecer os produtores nacionais?).
No mundo atual, com mudanças rápidas e inéditas, tentar existir no mercado com um produto que não evolui é suicídio.
Não é questão de competitividade e sim de sobrevivência. A matéria-prima não possibilita muita inovação de produtos, no que diz respeito ao mercado de leite fluído.
Estas questões são importantíssimas e devem ser discutidas pelos produtores na tentativa de encontrar soluções, que, apesar de difíceis, existem e devem ser estabelecidas. No entanto, como sobreviver da atividade e passar por este momento tão desfavorável?
Voltando à questão da escala, independente do tamanho, o produtor deve buscar produzir em maior quantidade, visando a redução dos custos fixos. Neste momento, deve-se ter cuidado para não multiplicar os prejuízos, pois com determinados preços, não se remunera nem os custos variáveis, dependendo da realidade do produtor.
Para verificar a própria situação, alguns índices devem ser utilizados, como a produção por área, produção por funcionário e o uso de índices zootécnicos.
Trabalhando os índices de produção e maximizando-os obtém-se eficiência produtiva.
Na verdade, o interesse do produtor deve ser retirar o máximo de lucro possível de seu patrimônio, que geralmente é muito superior ao que a realidade lhe permite obter. O lucro comparado ao patrimônio fixo, utilizado para a produção, é que se dá o nome de rentabilidade e é justamente este fator, a rentabilidade, que tem sido difícil de se obter de maneira satisfatória. A escala ideal se dá de acordo com a área da propriedade. O produtor deve estabelecer uma meta de produção e buscá-la. Essa escala deverá ser dimensionada para cada realidade. Outra coisa que não pode ocorrer, e que freqüentemente se vê no Brasil, é a inadequação da realidade do produtor com o sistema de produção. Quanto menor for a propriedade, mais a produção deve depender do esforço humano e, preferencialmente, de mão de obra familiar.
A questão da escala de produção nas condições atuais
Atualmente, no Brasil, não se sabe o que é pequeno, o que é médio, o que é grande e qual é a escala de produção para permanecer na atividade.
Publicado por: Gustavo Beduschi
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