Os bovinos machos de origem leiteira podem ser alternativa de renda na propriedade rural. O aproveitamento desses animais como vitelos pode gerar lucro de R$ 30 milhões por ano aos pecuaristas de leite paranaenses. Os dados são do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que lançou, na 41ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o Vitelo Tropical. A instituição pretende mostrar aos produtores os resultados de pesquisas desenvolvidas durante quatro anos na Estação Experimental Raul Juliatto, em Ibiporã, e estimular a adoção da tecnologia.
Por representar prejuízos ao produtor, a maioria dos cerca de 300 mil bezerros leiteiros que nascem por ano, no Paraná, é sacrificada ao nascer. "Antigamente havia mercado para reprodutores, mas hoje utiliza-se mais a inseminação artificial", afirma Louis Baudraz, presidente da Associação dos Produtores de Leite do Norte do Paraná. Em sua propriedade, em Rolândia, nascem 90 bezerros por ano. Cerca de 80 são sacrificados e dez, vendidos a preço baixo. Segundo Baudraz, até o desmame, esses animais consomem 250 litros de leite, que somam R$ 80, além de gastos com ração e outros alimentos.
O tropical diferencia-se do vitelo tradicional, cuja base de dietas é líquida e o abate se dá aos cinco meses. Com uma dieta sólida, composta de milho, farelo de soja e feno, o vitelo tropical é abatido aos seis meses, quando atinge cerca de 180 quilos. Nesse período, o produtor tem custos de R$ 180 por animal. A compensação vem da venda. Mais tenra e com baixo índice de colesterol, a carne do vitelo pode ser comercializada por valor 30% maior que a arroba do boi. "O produtor pode ter lucro entre R$ 100 e R$ 120 por vitelo", afirma Lançanova. Ele lembra ainda que o couro do vitelo é de excelente qualidade. "É mais um nicho a ser explorado". Para ele, a carne do vitelo tropical, mais rósea, também deverá ter mais aceitação do brasileiro que do tradicional, de coloração próxima ao branco.
Para o pecuarista Louis Baudraz, o vitelo tropical apresenta-se como uma ótima alternativa e pode gerar nova renda ao produtor. "Precisamos estudar bem o mercado", frisa. "Se o preço for de R$ 30 a arroba, como a do boi, não compensa". Inicialmente, Baudraz acredita que o problema será o volume produzido. Ele aponta como uma das saídas a união dos produtores para a produção em apenas uma propriedade. "Temos que concentrar para que o negócio possa ser viabilizado", explica. Baudraz informa que essa alternativa será discutida pelos membros da Associação dos Produtores de Leite do Norte do Paraná.
(Por Josiane Schulz, para Gazeta Mercantil, 06/04/01)
Vitelo Tropical pode ser alternativa de renda para produtor de leite
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