Hilda está sendo anunciada como um avanço significativo rumo a uma indústria de laticínios e a pecuária mais sustentável. O nascimento de uma vaca leiteira na Escócia está sendo celebrado como um avanço nos esforços para reduzir as emissões agrícolas.
Criada para emitir menos gases, Hilda é a primeira bezerra do rebanho de vacas de Langhill, no sul do país, a nascer por meio de fertilização in vitro. A chegada da bezerra escocesa foi saudada por veterinários e cientistas como um momento significativo para a redução da pegada de carbono do setor.
Acelerando a redução do metano
Hilda é o resultado da combinação de três tecnologias, explica Mike Coffey, professor da Scotland’s Rural College, uma universidade com foco em sustentabilidade e parceira do projeto.
Elas são: a capacidade de prever a produção de metano de uma vaca com base em seu DNA, a extração de óvulos de animais mais jovens e a sua fertilização com sêmen selecionado.
“Você mistura essas três (tecnologias) e isso permite acelerar a seleção de fêmeas para reduzir a produção de metano, um bezerro de cada vez”, diz Coffey, acrescentando que repetir esse procedimento durante alguns anos levaria a um rebanho com baixa emissão de metano.
Rob Simmons, do Paragon Veterinary Group, outro parceiro do projeto, afirmou à agência PA Media que o “aprimoramento genético na eficiência do metano” seria “fundamental para continuar a fornecer alimentos nutritivos ao público e, ao mesmo tempo, controlar o impacto das emissões de metano no meio ambiente no futuro”.
O rebanho de Langhill é o foco do projeto de genética de bovinos mais antigo do mundo e seleciona as vacas com base em fatores como saúde, fertilidade, produtividade e consumo de ração.
A seleção tradicional baseada nessas características ajudou até agora a reduzir as emissões de metano em cerca de 1% ao ano, segundo Coffey. Ele assegura que essa nova técnica deve aumentar essas reduções em 50% a cada ano, o que equivaleria a um corte geral de 30% nas emissões nos próximos 20 anos.
Um estudo canadense publicado no ano passado também sugeriu que fazendeiros que selecionassem e criassem vacas para melhorar a emissão de metano poderiam obter reduções de até 30% até 2050.
Viabilidade da tecnologia
No total, há 1,5 bilhão de bovinos no mundo, dos quais cerca de 270 milhões são vacas leiteiras. Em 2022, o setor global de laticínios valia quase 900 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 5,4 trilhões).
O processo de produção de uma vaca como Hilda custa atualmente cerca de duas vezes mais do que o valor econômico do animal, afirma Coffey.
“Não seria lucrativo (para os fazendeiros) da forma como está atualmente. Mas o objetivo desse projeto foi demonstrar que ele pode funcionar.”
Ele diz que a próxima etapa é encontrar formas de financiar uma ampliação do projeto. “Queremos saber que alavancas o governo tem para permitir que seja economicamente viável para os agricultores fazerem isso".
Coffey acha que a mudança para carros elétricos também é uma boa analogia para a velocidade da mudança na redução do metano das vacas. “Haverá um momento em que eles deixarão de produzir carros a gasolina, mas os carros a gasolina existentes ainda continuarão e terão uma vida, e isso é o mesmo que o rebanho de vacas.”
No entanto, Coffey enfatiza que o projeto faz parte de uma onda muito mais ampla de esforços científicos.
Além daqueles que usam a seleção genética, outros projetos estão analisando o impacto de aditivos para ração, como algas marinhas, ou colhendo o metano produzido pelo esterco e transformando-o em biogás que pode abastecer veículos ou aquecer residências.
Referências bibliográficas
As informações são da Isto É Dinheiro, adaptadas pela equipe MilkPoint.