USDA: Produção mundial de lácteos e desenvolvimento de mercados

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Sumário

A principal característica que está afetando o comércio internacional de lácteos no mundo atualmente é o contínuo enfraquecimento nos preços internacionais, particularmente dos preços do leite em pó desnatado. Os preços da manteiga e do leite em pó integral também estão, de forma geral, bastante baixos. Os preços atuais de queijos estão bem abaixo da média dos últimos anos, mas não caíram tanto quando os do leite em pó desnatado. Outro fator que está confundindo o futuro dos preços é o movimento das taxas de câmbio que vem ocorrendo há meses, quando a tendência do dólar dos Estados Unidos de se fortalecer com relação às demais moedas repentinamente começou a se reverter. Agora, a tendência do dólar norte-americano se enfraquecer diante das demais moedas parece estar se tornando padrão (veja gráfico 1).

Gráfico 1 - Índice de preços de leite em pó desnatado expressos em diferentes moedas nacionais



Usando dados revisados da União Européia (UE), a produção agregada de leite das vacas nos países selecionados para 2002 foi estimada em quase 390 milhões de toneladas, 1% acima de 2001. Os EUA e a Oceania foram os responsáveis pela maioria dos aumentos da produção de leite até julho deste ano. O número de vacas leiteiras em 2002 está estimado em 125,6 milhões de cabeças, valor levemente menor do que em 2001. O número revisado de vacas leiteiras da Nova Zelândia reflete a expansão do rebanho durante os últimos dois anos, e foi responsável pela maioria das mudanças ocorridas desde dezembro de 2001.

A produção de queijos deverá atingir o volume de 13,1 milhões de toneladas em 2002, aproximadamente 2% maior do que a produção revisada de 2001. Com o aumento da produção de leite, os EUA, a Rússia e a Oceania deverão apresentar um aumento da produção de queijos. As previsões de exportações de queijos em 2002 são cerca de 5% maiores, principalmente devido ao aumento das exportações da Nova Zelândia. As previsões para a maioria dos outros exportadores são de estabilidade ou até de uma leve queda.

A produção de manteiga nos EUA e na UE deverá aumentar em 2002, principalmente em resposta às medidas governamentais de suporte aos preços do leite. Os preços internacionais da manteiga deverão permanecer baixos, à medida que a oferta dos países do Hemisfério Norte está bem acima das necessidades, como indicado pela previsão da construção de estoques destes produtos.
A produção de leite em pó desnatado em 2002 está estimada em 3,4 milhões de toneladas, 5% acima do produzido em 2001. A maioria dos aumentos reflete as atividades de suporte aos preços nos EUA e na UE.

Comércio e demais questões relacionadas

Estados Unidos

A produção de leite durante os primeiros seis meses de 2002 foi de aproximadamente 2,7% acima dos níveis do mesmo período de 2001. Com o contínuo, mas lento, crescimento da demanda, o aumento da produção de leite levou à redução geral dos preços dos produtos lácteos, particularmente de queijos e manteiga. Com o excesso de oferta de leite em pó desnatado, os preços permaneceram muito próximos do nível de suporte, de US$ 1,98 por quilo, atualmente sendo efetuado há mais de um ano. As compras do Governo de leite em pó desnatado têm sido bastante grandes, resultando em estoques no final de junho em torno de 530 mil toneladas, aproximadamente o dobro do nível do final de junho de 2001. Com o aumento dos estoques de leite em pó desnatado, as importações, particularmente as importações de leite em pó com alto teor de proteína, como a proteína concentrada do leite e a caseína, tornaram-se uma das principais preocupações de vários setores de indústria de lácteos dos EUA.

Em maio os EUA adotaram a nova lei agrícola, que geralmente é válida por seis anos. As disposições mais importantes do setor de lácteos incluem: (a) Extensão do programa de suporte ao preço do leite de US$ 21,82 por 100 quilos, para leite com 3,7% de gordura, até 2007. (b) Extensão do Programa de Incentivo às Exportações de Lácteos (DEIP) até 2007. (c) Extensão da tarifa para Pesquisa e Promoção Nacional de Lácteos (equivalente a US$ 0,33/100 kg de leite) para produtos lácteos importados. (d) Estabelecimento de um sistema de pagamentos diretos, baseado no preço do leite Class I na região de Boston, de US$ 37,34 por 100 quilos. Os pagamentos deste programa serão feitos mensalmente e correspondem a 45% da diferença entre US$ 37,34 e o preço do leite Class I em Boston. Este programa cobre o período de dezembro de 2001 a setembro de 2005.

Exportações dos EUA

Os dados de exportação da Agência de Censo dos EUA correspondentes aos primeiros cinco meses de 2002 mostram que o ritmo das exportações de produtos lácteos dos EUA está um pouco atrás do ritmo de 2001. De janeiro a maio de 2002, o valor total das exportações de lácteos foi de US$ 386 milhões, comparado com os US$ 426 milhões exportados no mesmo período de 2001. As exportações de leite em pó desnatado, que dependem do Programa de Incentivo às Exportações de Lácteos (DEIP), foram responsáveis pela maior parte desta redução. Os alimentos preparados baseados em produtos lácteos e a caseína foram dois outros itens que apresentaram queda nas exportações com relação a 2001.

Do lado positivo estão as exportações de queijos, que aumentaram cerca de 10%, tanto em volume como em valor. As exportações do complexo do soro de leite também aumentaram, devido ao aumento das exportações de proteína concentrada do leite e de soro de leite desidratado. A maior parte das demais categorias, como leite fluido, sorvete, iogurte, lactose e fórmulas infantis, não apresentou grandes mudanças com relação a 2001.

Em uma base regional, o valor das exportações ao Canadá está maior do que no ano passado, pelo menos temporariamente, colocando o país no topo do destino das exportações de lácteos dos EUA. O valor das exportações ao México, normalmente líder no destino das exportações de lácteos dos EUA, está um pouco menor neste ano, provavelmente devido à reduzida atividade sob o DEIP. As exportações ao Japão, maior mercado da Ásia dos produtos lácteos dos EUA, não apresentaram alterações com relação a 2001.





Importações dos EUA

Os dados referentes às importações de lácteos dos EUA, também da Agência de Censo do país, mostraram que o ritmo das importações durante os primeiros cinco meses de 2002 ultrapassou o ritmo do mesmo período de 2001 - US$ 638 milhões neste ano, comparados com US$ 602 milhões no ano passado.

No que se refere aos queijos, o principal produto importado, houve aumento nas importações, tanto em volume como em valor, com relação ao ano passado. O valor de importação da caseína, o segundo produto mais importado pelos EUA, caiu US$ 20 milhões (10%) apesar da quantidade importada ter caído somente 3%. A quantidade de proteína concentrada do leite importada de janeiro a maio deste ano aumentou 30% com relação às importações do ano passado.





Canadá

As exportações de queijos do Canadá em 2002 deverão atingir o volume de 15 mil toneladas, menos que as 19 mil toneladas exportadas em 2001. Parte desta queda é devido à redução dos contratos sob os programas de exportação das províncias, que estão fora do sistema de gerenciamento doméstico da oferta. Os baixos preços internacionais reduziram o incentivo para o uso deste sistema.

Outro fator que tem afetado as exportações durante os últimos três ou quatro anos é que os processadores do Canadá vêm expandindo muito seu uso do Programa de Importação para Reexportação do Canadá. Isto explica parte das elevadas estatísticas de importação e exportação que estão sendo registradas.

Além dos principais produtos lácteos, os exportadores canadenses têm apresentado bons resultados com alguns outros produtos. As exportações do Canadá de leite e de creme aos EUA aumentaram de 102 toneladas em 1995 para 5,666 mil toneladas em 1997 e 6,088 mil toneladas em 2001. Este comércio começou conforme os exportadores de leite do tipo UHT (ultra high temperature) se mudaram da província de Quebec para Porto Rico. No entanto, nos últimos dois anos, uma grande produção - mais de um terço em 2001 - tem sido de creme (definido como leite com mais de 6% de gordura para uso comercial).

Um segundo produto em cujo mercado o Canadá está apresentando bons resultados é a manteiga cremosa light, que, para fins comerciais, é descrita como manteiga com menos de 45% de gordura. O comércio entre os EUA e o Canadá deste produto começou essencialmente em 1997, quando 114 toneladas foram enviadas aos EUA. O crescimento foi rápido, com 15 mil toneladas sendo exportadas em 2001. As exportações do Canadá aumentaram outros 50% durante os primeiros cinco meses de 2002. Os EUA representam o único mercado significativo do Canadá para este produto e este é o único fornecedor de peso do produto aos EUA. O comércio deste produto não é limitado pelas cotas sujeitas a tarifas dos EUA nem tampouco pelos compromissos referentes aos subsídios de exportação do Canadá.

Em 24 de junho, uma equipe da Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou um julgamento reafirmando que o sistema de subsídios de exportação de produtos lácteos do Canadá violava seu compromisso com a OMC. Esta ação seguiu uma audiência ocorrida em abril, quando a equipe ouviu argumentos contra o sistema canadense de subsídios à exportação de lácteos. Grande parte do trabalho desta equipe da OMC somente repetiu o que já tinha sido concluído no ano passado, ou seja, que o sistema provincial de exportação do Canadá estava fornecendo subsídios de exportação na forma de pagamento em espécie, sendo que estes subsídios eram fornecidos através de ações do governo do país. O Canadá apelou a essa conclusão e o Corpo de Apelação Jurídica determinou que a OMC, utilizando os preços domésticos como benchmark, usou um critério errado para a avaliação do leite. Porém, imediatamente após a divulgação da nova decisão, no dia 24 de junho, o Canadá anunciou que apelará novamente.

México

A produção de leite do México em 2002 está crescendo e este aumento poderá ser quase suficiente para se equilibrar com o aumento da demanda. As importações de leite em pó desnatado e integral deverão ambas cair em comparação a 2001. O consumo de queijos durante 2002 deverá aumentar como resultado do crescimento da população e da melhora da situação econômica do país. No que se refere à importação, a demanda está sendo principalmente de queijos de alta qualidade que geralmente não são produzidos no próprio país.

Após atingir um pico pós-desvalorização de 36 milhões de litros em 1997, as exportações de leite fluido dos EUA ao México estão tendendo a se declinar, à medida que a produção mexicana de leite é desviada para o mercado de leite fluido. Segundo o Censo, as exportações de leite dos EUA ao México em 2001 foram de 21 milhões de litros.



União Européia (UE)

A produção de leite na UE está sujeita a um sistema de cota anual que determina penalidades no caso de produção acima da cota, resultando no fato de que a produção de leite tende a mudar pouco de um ano para outro. Os tipos de produtos variam na dependência das possibilidades de mercado para cada um. Um segundo fator importante neste mercado é que mudanças preliminares estão sendo introduzidas para facilitar a entrada no bloco de países da Europa Oriental. Um dos importantes impactos destas mudanças é o aumento do acesso de importação a produtos lácteos para os mais prováveis novos membros.

Durante o ano de 2002, o setor de lácteos da UE tem sido afetado de forma marcante pelo declínio dos preços internacionais e as reduzidas possibilidades de exportações rentáveis. Como resultado disso, as compras de leite em pó desnatado e de manteiga pela intervenção estão completamente ativas e os estoques estão aumentando. A estimativa é que estoques para o final do ano de manteiga e leite em pó desnatado aumentem, refletindo o grande crescimento dos estoques de intervenção deste verão e a previsão é de que é improvável que os mercados internacionais melhorem o suficiente para permitir uma redução significativa destes estoques antes do final do ano.

Os preços e as correções nos subsídios deste ano têm sido quase que o exato oposto daqueles de 2001, quando os fortes preços internacionais dos queijos e do leite em pó desnatado, e o enfraquecimento do euro com relação ao dólar, permitiram que a UE reduzisse seus subsídios de exportação em uma base regular. Até agora, neste ano, a UE tem feito ajustes nos subsídios que estavam, no meio de julho, em torno de 850 euro (US$ 826,66) por toneladas de leite em pó desnatado e 1850 euro (US$ 1799,22) por tonelada de manteiga. No final de julho de 2002, o euro e o dólar estavam praticamente com paridade.

Rússia

O setor de lácteos da Rússia vem se estabilizando amplamente e, com a melhoria da suplementação alimentar aos animais, a produção de leite deverá aumentar levemente em 2002. A demanda por produtos lácteos está crescendo, o que deverá induzir a mais importações de manteiga, queijos e leite em pó em 2002.



Japão

O reduzido abate do rebanho leiteiro do Japão, devido em grande parte aos subsídios do governo do país para equilibrar o impacto da presença de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) no país, deverá propiciar um pequeno aumento na produção de leite em 2002. A maioria deste aumento deverá ser destinada à produção de manteiga e leite em pó desnatado. O consumo de queijos continua crescendo no país e o aumento da demanda deverá ser suprido com as importações.



Austrália

A produção de leite na Austrália em 2002 (julho/junho 2001/2002 ano fiscal) está estimada em 11,4 milhões de toneladas, quase 5% acima do reduzido nível de 2001. As boas condições de pastagens durante a segunda metade da estação foram responsáveis por grande parte deste aumento na produção. A maioria do aumento da produção de leite na Austrália foi utilizada para a produção de queijos. Os níveis de produção de manteiga e leite em pó integral se mantiveram estáveis, quando o nível de produção de leite em pó desnatado diminuiu.



À medida que a nova estação produtiva na Austrália se inicia, grande parte do leste do país está passando por uma situação de seca, o que poderá significar um começo menos favorável para a estação produtiva de 2002/03. A projeção feita para longo prazo pela Agência Australiana para Agricultura e Pesquisas Econômicas (ABARE) projeta que a produção de leite do país continuará crescendo pelos próximos quatro ou cinco anos.



O mercado de lácteos da Austrália foi desregulamentado em primeiro de julho de 2000. Antes desta data, o mercado doméstico de leite no país era regulamentado por disposições estatais, enquanto o processamento do leite recebia o suporte do Fundo de Suporte ao Mercado Doméstico. Reconhecendo o fato de que a desregulamentação do setor poderia ter grandes impactos aos produtores do país e à comunidade, o Governo da Austrália respondeu com um pacote de reestruturação de A$ 1,78 bilhão (US$ 969,92 milhões). Recentes informações divulgadas na mídia têm expressado o descontentamento existente entre os produtores de leite australianos após a desregulamentação. Alguns produtores fazem campanha por uma nova regulamentação em seus respectivos estados. Algumas políticas de suporte estão sendo geradas, mas uma nova regulamentação da indústria parece ser bastante improvável.



Nova Zelândia

A produção de leite fluido na Nova Zelândia na estação produtiva de 2001/2002 (junho/maio) aumentou aproximadamente 5%, para 13,8 milhões de toneladas. Em uma base de sólidos totais do leite (gordura do leite mais proteína), a produção aumentou de 1,078 milhão de toneladas em 2000/01 para 1,128 milhão de toneladas neste ano. As favoráveis condições das pastagens, particularmente na segunda metade da estação produtiva, juntamente com a expansão do rebanho leiteiro devido às conversões de fazendas proporcionaram este aumento. Seguindo o padrão dos últimos anos, a maioria do aumento da produção de leite foi usada para a produção de queijos e leite em pó integral.



A Fonterra, sucessora da New Zealand Dairy Board (NZDB), anunciou recentemente seu pagamento final para a estação produtiva de 2001/02, de cerca de NZ$ 5,35 (US$ 2,50) por quilo de sólidos do leite, valor levemente acima do estimado anteriormente, de NZ$ 5,30 (US$ 2,48). Nos dois anos anteriores, a NZDB tinha feito pagamentos de NZ$ 4,49 (US$ 2,10) em 2000/01 e NZ$ 3,35 (US$ 1,57) em 1999/00. Tipicamente, as cooperativas individuais aumentaram um adicional de NZ$ 0,40 (US$ 0,18) a NZ$ 0,60 (US$ 0,28) por quilo ao pagamento da NZDB. O principal fator por trás deste aumento no pagamento foi os altos preços internacionais no começo do ano e a prática da Fonterra de fechar contratos adiantados de uma porção maior do que a produção esperada.



A Fonterra anunciou recentemente que o pagamento estimado para a estação produtiva de 2002/03 será de NZ$ 3,79 (US$ 1,77) por quilo de sólidos do leite, o que para um típico produtor de leite neozelandês significa que a receita será igual ou mais baixa do que os níveis de 1999/00. A estimativa da Fonterra está baseada nos níveis atualmente baixos dos preços internacionais juntamente com a expectativa de que é improvável que estes preços melhorem, particularmente durante a primeira metade da estação produtiva.



Fonte: Foreign Agricultural Service (FAS/USDA), adaptado por Equipe MilkPoint



Original: www.fas.usda.gov/dlp/circular/2002/02-07Dairy/dairyprd.html
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DIEGO FREGATTI
DIEGO FREGATTI

DIADEMA - SÃO PAULO

EM 08/10/2007

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