Os preços dos lácteos têm mostrado um ajuste constante desde maio no mercado internacional.
O leite em pó integral passou de US$ 4.374 por tonelada no início de maio para US$ 3.452 no último leilão da Global Dairy Trade em novembro, uma queda de 27% em seis meses.
“Certamente para o começo de 2026 vai ser necessário fazer um ajuste de preços, esperamos que não seja forte, mas sim, logicamente tem havido uma queda no preço que se mantém e a tendência não mostra sinais de que vá se reverter no curto prazo”, disse o diretor da Conaprole, Juan Parra, entrevistado no programa Tiempo de Cambio da rádio Rural. “É preocupante, além disso houve nove quedas consecutivas”, apontou.
A recuperação na produção no Brasil, um dos principais destinos dos lácteos locais, tem impactado no volume de compras desse mercado nos últimos meses. Há colocação, “mas não nos níveis em que vínhamos vendendo nos anos anteriores”, destacou.
“O baixo fluxo comercial com o Brasil é preocupante. Ultimamente, nestes últimos meses, os números têm sido bastante menores do que normalmente se espera do fluxo comercial com o país vizinho”, acrescentou Parra.
A possível abertura da Indonésia como mercado gera expectativas. “Não esqueçamos que é o terceiro maior país importador de lácteos do mundo, e bem, não estamos habilitados nesse mercado, esta é uma possibilidade que se abre mais do que importante e, é claro, gera expectativas muito interessantes.”
Sobre o ingresso do Uruguai no acordo Transpacífico, Parra destacou as oportunidades que podem ser geradas para o comércio de lácteos. “Temos oito países com os quais potencialmente se poderia gerar comércio internacional de lácteos sem tarifa, portanto, é uma oportunidade mais do que interessante para o comércio internacional, para a cooperativa e para o setor lácteo uruguaio.”
Rumo a um ano recorde de produção
Até agora em novembro, o envio de leite para a Conaprole está 16,6% acima do mesmo período de 2024, com uma média de 5,4 milhões de litros diários. No fechamento do ano, a expectativa é alcançar uma produção em torno de 1,670 bilhão de litros, o que marcaria um recorde.
“Em nível produtivo tem sido um ano fenomenal e a primavera tem sido espetacular, há uma chuva semanal com níveis de produção que têm ficado nesses últimos quatro ou cinco meses, em média 12% acima dos meses do mesmo período no ano anterior”, destacou.
Uma excelente primavera do ponto de vista produtivo e uma boa relação grão-leite permitiram manter margens destacadas para o produtor. “O número vai terminar sendo, ou deveria terminar sendo positivo, mais próximo de 3 ou 4 dólares por vaca por dia. Depois disso, é preciso descontar custos de infraestrutura e operações”, afirmou Parra. “Acreditamos que a margem de alimentação vai continuar sendo positiva e aceitável”, acrescentou Parra.
As informações são do Blasina y Asociados, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.