Uruguai: Exportadores de leite também poderão ter direito a fundo

Publicado por: MilkPoint

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Considerando o crescente volume de leite fluido que o Uruguai está exportando para a Argentina - que não está incluído no Fundo de Financiamento do setor -, a diretoria da Cooperativa Nacional de Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole) solicitou nesta semana ao Parlamento que as regras sejam similares a todos os produtores do país.

"Pedimos justiça. Não aceitamos que haja beneficiados especialmente no que se refere ao Fundo de Financiamento da Atividade Leiteira (FFAL)", disse o diretor da Conaprole, Carlos Arrillaga.

Este fundo, criado por lei há praticamente um ano, outorgou um crédito que tinha como objetivo ajudar os produtores a solucionarem muitos de seus problemas de endividamento e de liquidez, estabelecendo-se que se pagaria com um desconto na remissão do leite de consumo, em um prazo entre cinco e sete anos. "Os produtores maiores - que são os que hoje estão exportando leite para a Argentina -, são os que cobraram as somas mais importantes e hoje, não contribuem".

Reclamação

É por isso que reclamam a modificação da lei, para que, dessa forma, o leite que é exportado contribua com o Fundo em uma porcentagem similar ao leite de consumo (entre 20% e 30%). Segundo Arrillaga, praticamente todas as bancadas de todos os partidos políticos entenderam isso.

A iniciativa, o projeto de lei, está no Senado e inclui a modificação da lei do FFAL para estender o desconto do mesmo ao leite de exportação, até que se pare de pagar os fundos e nas porcentagens que se considerem necessárias pelo Poder Executivo.

Apoio

As entidades de produtores também apóiam a iniciativa impulsionada pelo Poder Executivo. "Estivemos discutindo e decidimos pedir aos legisladores que aprovem porque é justo que os produtores que foram ao mercado argentino e receberam dinheiro do Fundo também colaborem para que os produtores que continuaram remetendo leite às plantas nacionais, possam terminar mais rápido de pagar esse crédito".

O presidente da Associação Nacional de Produtores de Leite (ANPL), Wilson Cabrera Rava, reconheceu que, com isso, estaria sendo ampliada a base de arrecadação do FFAL, porque a cota é paga de acordo com o volume de leite de consumo que é vendido no país e, com esta modificação, contribuirão aqueles que venderam a cota para exportar e os que exportam também. "Com a contribuição destes produtores que exportam, recuperaríamos mais dinheiro, pagaríamos antes e antes voltaríamos a cobrar o preço normal do leite cota".

"Analisando diferentes contratos de exportação, há um mês e meio se pagavam US$ 0,15 por litro de leite e hoje, há contratos de US$ 0,18 a US$ 0,19, o que nos faz duvidar que haja um sobre-faturamento, ou algo que está cobrindo estas duas grandes vantagens, como o não pagamento do FFAL (que significa US$ 0,01 adicional e a devolução de impostos que significa outro centavo de dólar)", disse Arrillaga.

Conaprole fixará preço piso antes do final do mês

Antes do final do mês, a Conaprole fixará o preço piso que pagará pelo leite durante o próximo exercício. "O mais provável é que antes do fim do mês estejamos informando o preço, primeiro para o mês de agosto - onde haverá uma ampliação do preço de junho e julho - e, logo depois, uma projeção do exercício", disse Arrillaga.

Ele lembrou que este sistema foi colocado em prática há um ano, quando se anunciou primeiro US$ 0,10 por litro, devido às oscilações do mercado cambiário, 3,60 pesos (US$ 0,12 ) em fevereiro para os seis meses subseqüentes e se agregou um aumento para 4,10 pesos (US$ 0,14 ). "Queremos seguir com esta política, planificando e marcando com um nível de preços, como vamos fazer para os próximos seis meses e, quiçá, superá-los se for possível".

Neste sentido, Arrillaga disse que a expectativa é de preços muito superiores aos exercícios anteriores e "isso marca que estamos em um caminho de recuperação do setor leiteiro, de crescimento, como esperamos, de mais de 6% na Conaprole para o ano que vem".

Apesar de não se saber o valor final nem como este será formulado, trabalha-se com a possibilidade de que a bonificação do inverno seja incluída no preço. Segundo o diretor, "o valor da primavera será acima do preço base de inverno mais a bonificação do inverno incluída".

Este assunto urge aos produtores que precisam planificar seus investimentos com tempo. "Estamos preocupados, porque é importante saber para agir em conseqüência", disse Rava, para quem a expectativa "é de que seja muito próximo aos preços que estivemos recebendo até agora".

É por isso que a expectativa está em um valor em torno de 4 pesos (US$ 0,14 ). Além disso, a aspiração da ANPL é que a bonificação de inverno se acumule no preço. "É importante não baixar este preço justo quando vamos produzir mais e nossos custos baixam. É o primeiro momento desde o ano de 1999 que podemos recuperar algo, pelo qual a cooperativa deve fazer o máximo esforço possível para manter o preço", disse Rava.

Em 14/08/03 - 1 Peso Uruguaio = US$ 0,03594
27,82500 Peso Uruguaio = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: El Pais, adaptado por Equipe MilkPoint
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