Uruguai: Conaprole tem captação recorde de leite

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

A coleta de leite pela Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole) supera os 2,8 milhões de litros diários, o que constitui um recorde histórico para esta época do ano. A cooperativa deverá superar a barreira dos três milhões de litros nesta primavera.

Esta dinâmica mostra o ressurgimento do setor leiteiro uruguaio após a difícil crise enfrentada nos anos de 1999 e 2002. Os investimentos em capacidade industrial da Conaprole têm permitido processar um volume crescente de leite. Há 10 anos, quando a coleta de leite pela cooperativa tentava ultrapassar a marca de um milhão de litros, consultores do setor alertaram para a falta de investimentos industriais.

No entanto, nestes últimos anos, a empresa reformulou sua fase industrial, concentrando processos, aumentando escalas e ampliando as capacidades. Os investimentos da Conaprole foram de mais de US$ 70 milhões nos últimos cinco anos. Um dos feitos mais marcantes foi o funcionamento do Centro Industrial Montevidéu, que implicou em maior capacidade de produção e, sobretudo, maior eficiência nos processos e distribuição.

A produção de leite deverá continuar crescendo e, por isso, a Conaprole tem planos de investimento que buscam aumentar a capacidade de processamento nas plantas já existentes, sem intenção de abertura de novas plantas.

Segundo os planos apresentados pela diretoria da Conaprole, neste ano e no próximo se ampliarão as plantas de queijos em 250 mil litros diários cada uma (plantas de Villa Rodríguez e San Ramón), enquanto que a planta de leite em pó da Flórida deverá receber um novo evaporador que aumentará em 10% sua capacidade de processamento.

A Conaprole tem uma previsão de crescimento da produção em uma taxa média de 5% ao ano.

Mercados

O crescimento atual se sustenta em uma demanda internacional que segue muito firme, com preços atrativos medidos em dólares, nos principais produtos. Particularmente destaca-se a crescente demanda por queijos, por parte dos mercados do México e dos Estados Unidos, além de uma nova demanda por países asiáticos, com particular destaque para Coréia e Japão.

A demanda externa com bons preços permite, por sua vez, transferir bons preços aos produtores, cujos números seguem positivos, apesar do aumento dos custos internos no último ano, devido à queda do valor do dólar.

O preço do leite ao produtor uruguaio está em torno de 17 centavos de dólar por litro e muitos produtores de ponta têm um custo inferior a este preço, de forma que têm uma margem interessante. Aqueles que têm mais dívidas obviamente têm margens menores, mas essas ainda assim existem.

Segundo dados do exercício de 2004/05 da Conaprole, a matéria-prima responde por 57% do custo industrial, porcentagem que há pouco tempo não passava de 50%. Isso ilustra a maior eficiência com que a agroindústria transmite ao produtor o valor gerado em todo o processo.

Em grande parte, isso responde à maior eficiência na fase industrial surgida devido aos investimentos mencionados. No entanto, isso também é conseqüência de uma estratégia recentemente definida, que busca colocar a cooperativa como fornecedora de ingredientes lácteos para grandes empresas internacionais de alimentos, reduzindo a importância das vendas diretas nos diferentes mercados. Ingressar nos mercados varejistas nos países de destino (por exemplo, na própria região) tem custos excessivos, segundo avaliado pela Conaprole.

Por outro lado, a empresa conseguiu uma eficiência líquida de cerca de US$ 5 milhões no exercício. Deste valor, US$ 2,5 milhões serão distribuídos aos produtores segundo seu Capital Lácteo, forma de distribuição de dividendos aos "acionistas" da empresa, ou seja, os produtores.

Perspectivas

Uma ameaça que cerca o setor é uma eventual queda dos preços internacionais, sobre o que não existem sinais claros, pelo menos em curto prazo. Os preços internacionais dos lácteos seguem firmes e as novidades podem ocorrer mais devido às mudanças na economia mundial (situação dos EUA, China, Europa), que por problemas diretos de demanda dos produtos.

Fonte: El País, adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?