Uruguai: Conaprole não vai competir com Argentina pelo preço

Publicado por: MilkPoint

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A diretoria da Cooperativa Nacional de Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole) informou na semana passada em assembléia a situação atual da indústria de lácteos, do mercado e da região. Nesta reunião, o gerente geral da cooperativa, Ruben Núñez, apresentou informações detalhadas sobre a situação. O encontro contou com uma troca de opiniões sobre a conjuntura do mercado argentino, além de algumas reclamações por um melhor preço, mas foi finalizado sem grandes novidades.

"Estamos cumprindo com o prometido com relação ao preço ao produtor", disse o presidente da Conaprole, Jorge Panizza. Segundo ele, no primeiro semestre do exercício - que começa em agosto - foram pagos US$ 0,10 por litro de leite, em média e, no segundo, os 3,60 pesos (US$ 0,12) por litro que tinham sido combinados. "Na liquidação de março, chegou-se a 3,60 pesos com uma bonificação de 7,5%, feita para alcançar este preço, e no mês de abril, o preço médio foi de 3,68 pesos (US$ 0,12), incluindo o custo que a cooperativa tem referente ao pagamento da conta do Fundo de Financiamento da Atividade Leiteira (FFAL)".

Porém, os produtores querem mais. "E é lógico, porque o aumento de custos tem sido muito significativo", reconheceu Panizza, que, por sua vez, destacou que o aumento de preços também foi significativo. "Isso não quer dizer que seja suficiente, mas é o máximo que podemos pagar".

Argentina

A situação atual vem levando alguns produtores uruguaios a buscar como alternativa a exportação de leite para a Argentina, atraídos por um melhor preço. Até o momento, foi exportado um caminhão de 20 mil litros de leite fluido ao país vizinho, que teve que ser pasteurizado em uma planta do litoral, para habilitar sua exportação. No entanto, existe a possibilidade de que se aumentem os envios nas próximas semanas. Este tema também foi analisado na Assembléia.

"Apresentamos uma evolução dos preços da Argentina e do Uruguai", disse Panizza. Na Argentina, o leite "chegou a estar a US$ 0,065 quando nós pagávamos US$ 0,13 - há poucos meses. A desvalorização argentina foi significativa, mas, a partir do momento que a cotação ficou de 3,80 a 4 pesos por dólar, houve uma revalorização. Neste mesmo período, a moeda uruguaia seguiu perdendo valor e somente esta questão cambiária já dá uma explicação importante da diferença de preços atual".

Diante disso, Panizza descartou a possibilidade de que a Conaprole sairá competindo com a Argentina, deixando de lado seu planejamento. Ele considerou que esta situação de preços na Argentina não é sustentável no tempo "porque a este nível, eles não podem exportar e, inclusive, muitos produtos, no mercado interno, não estão podendo suportar este nível de preços, que somente está sendo oferecido pela combinação de uma escassez de leite (mais de 30% em algumas regiões) e pelo efeito do câmbio".

É por isso que hoje a estratégia da Conaprole é entrar na Argentina com produtos que valorizam mais o leite (manteiga, leite longa vida e leite em pó).

Segundo ele, se este processo se mantiver por um tempo, "é melhor para todos, porque vamos ser os produtores que estamos mais próximos do mercado que paga o maior preço pelo leite e por produtos no mundo, e vamos poder vender o máximo possível lá".

Além da conjuntura, Panizza aconselhou não perder os pontos de referência. "Não podemos ir ao extremo de considerar a utopia de fechar as fábricas e mandar todo o leite para a Argentina: não consideramos isso como uma opção viável. Primeiro porque destrói a indústria, porque podemos não ter nenhum gasto variável (combustível, energia etc.), mas existem vários outros gastos que teríamos: amortizações, juros e gastos financeiros. Além disso, uma indústria que se fecha o faz definitivamente, e não para voltar a abrir seis meses depois". Por outro lado, "o produtor uruguaio ficaria permanentemente preso aos US$ 0,03 abaixo do preço que o produtor argentino recebe (custo que se pode estimar da pasteurização que se exige e dos custos de frete)".

Não às dívidas

Esta conjuntura não levará a Conaprole a tomar medidas extremas para competir. "Não estamos dispostos a nos endividar para melhorar o preço", assegurou o presidente da cooperativa. "Em algum momento, por diferentes circunstâncias, pagamos mais do que podíamos devido à enorme queda dos preços internacionais. A situação do corte de créditos e do nível de rentabilidade de qualquer empresa uruguaia não permite fazer isso. Hoje o custo do dinheiro, para nós, é 8 ou 10 vezes mais alto que antes e o nível de possibilidade de acesso ao crédito praticamente não existe no Uruguai. Então, uma empresa que se endivida para pagar, hoje no Uruguai, desaparece".






Fonte: Conaprole/El Pais

Em 22/05/03 - 1 Peso Uruguaio = US$ 0,03419
29,25000 Peso Uruguaio = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: El Pais (por Pablo D. Mestre), adaptado por Equipe MilkPoint
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