Uruguai: Conaprole aumenta em 33% o preço do leite aos produtores

Publicado por: MilkPoint

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A Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole) decidiu aumentar em 33% o preço pago pelo leite aos produtores. Isto significa que, durante o mês de agosto, o leite que entrar na fábrica com destino à industrialização - entre 75% a 80% do total - estará com um preço de, no mínimo, 2,50 pesos (US$ 0,10).

Segundo o diretor da cooperativa, Alvaro Lapido Bove, esta decisão obedece "a uma necessidade dos produtores, porque o preço pago nos últimos meses não estava sendo suficiente". Segundo ele, a atual conjuntura pela qual a cadeia de lácteos do Uruguai está passando "é muito ruim", com uma queda muito grande tanto no mercado interno como no internacional, com valores mínimos históricos e com o agravante do aumento dos subsídios determinado na União Européia (UE) e nos Estados Unidos sobre os lácteos, especificamente desde o início deste ano.

Diante disso, a Conaprole, em um esforço importante, "tomou a decisão de postergar investimentos e outros destinos que tinha para alguns fundos e transferi-los aos produtores, para que estes possam apresentar um aumento na receita que, nestes meses, está abaixo do custo de produção".

Esta decisão tomada pela indústria foi adotada, segundo Bove, à espera de uma resposta do Poder Executivo do país ao pedido de apoio realizado pela Conaprole, juntamente com outras indústrias, diante da alarmante situação que o setor leiteiro uruguaio está vivendo. Por isso, este preço será determinado somente para o mês de agosto. "A Conaprole tem destinado uma parte importante de seu fluxo de caixa para os produtores, à espera desta resposta do governo". Ele disse que está confiando que o governo será sensível a isso, e escutará as reclamações de todo o setor.

Sobre a base de praticamente 1,5 milhão de litros de leite que a Conaprole recebe por dia, este aumento de preço significará um valor de cerca de US$ 1 milhão. Em julho, a queda na captação de leite da indústria com relação ao mesmo mês de 2001 foi de 19,77%, principalmente devido aos problemas climáticos.

Realidade

"Nós, os produtores de leite, temos que saber que nosso negócio está passando por um péssimo momento", disse Bove, ao ser consultado sobre se este aumento será suficiente. Segundo o diretor da Conaprole, a indústria está fazendo transformações importantes a um ritmo acelerado. "Porém, estas transformações não estão sendo totalmente eficientes porque os produtos que produzimos não valem no mercado interno e, no exterior, competimos com o tesouro dos Estados Unidos e com os bancos da UE, devido aos elevados subsídios".

Bove disse também que, com esta competição desleal internacional, que afeta os produtores uruguaios, não há uma forma de obter eficiência, quando os bancos de fomento do país não subsidiam sua produção. Como exemplo, ele citou que hoje, a manteiga no mercado internacional vale US$ 800 a tonelada e, na UE, há um subsídio de US$ 1800. Isso quer dizer que o produtor recebe US$ 2600 pela tonelada e, com isso, não há como competir.

Esperando a ajuda

Enquanto isso, os integrantes de todas as partes da cadeia de produção de lácteos do Uruguai estão esperando com grande expectativa uma resposta à solicitação de ajuda "impostergável" que pediram ao governo diante da difícil situação pela qual estão passando neste momento.

Representantes da indústria - Conaprole e Parmalat - e das entidades de produtores - Associação Nacional de Produtores de Leite (ANPL) e Intergremial de Produtores de Leite (IPL) - informaram aos integrantes do Poder Executivo suas urgências, que inclusive colocam em perigo a sobrevivência de muitos deles.

A indústria enfrenta sérios problemas internos - devido à baixa do consumo - e externos - devido à competição desleal das economias poderosas que subsidiam fortemente os lácteos. Os produtores, por outro lado, enfrentam, além do endividamento em dólares, um momento de baixa de rentabilidade devido à diferença entre o custo de produção e o que está sendo pago pelo seu leite. Além disso, nos últimos dias, o país está passando por um duro inverno, que afeta o rendimento dos animais.

Entre o consumo e a indústria

Ao produtor uruguaio, são pagos dois preços diferentes pelo leite. Por um lado - algo em torno de 25% de leite fluido que remetem - está o leite cota (o consumo) e, por outro lado, o leite indústria, sendo o primeiro o leite que irá ao consumo da população e o segundo o que será destinado à elaboração de produtos.

O Poder Executivo fixa o preço do leite cota semestralmente, em primeiro de março e em primeiro de setembro de cada ano. Para isso, o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) do Uruguai conta com uma propriedade modelo, na qual estuda a evolução dos custos que os produtores têm. A ANPL também presta assistência nesta fixação de preços, fazendo consultas a mais de 100 propriedades leiteiras. Muitas vezes, são geradas diferenças nos valores do MGAP com relação ao aumento de preços cota. Isso gerou, por exemplo, uma ausência de aumentos registrados em 1999 e 2001.

Neste ano, os produtores aguardam com muita expectativa o aumento de setembro, diante da desvalorização do peso uruguaio, que tem modificado a relação de custos. Além disso, ao se comparar com outros produtos - a carne aumentou mais de 40% e as hortaliças, mais de 30% -, a expectativa é que haja um aumento do preço do leite cota, fixado pelo Poder Executivo a partir de primeiro de setembro próximo.

A partir do preço que se paga ao produtor, o Poder Executivo agrega ao valor custos de pasteurização, fretes, intermediários, ou seja, toda a cadeia que vai do produtor à indústria, distribuidor e comércio, determinando assim o preço do produto ao consumidor. Em média, o produtor recebe menos de 50% do custo total.

O leite indústria é o que a cooperativa destina à elaboração de produtos, correspondente a 75% a 80% do total de leite recebido pela Conaprole. O preço é fixado pela própria indústria e havia algum tempo que este preço não aumentava - há mais de um ano, desde a desvalorização da moeda do Brasil e após a perda de competitividade internacional diante dos subsídios da UE e dos EUA. A indústria uruguaia paga no inverno uma quantia a mais pelo leite, como bonificação invernal, que chegava a 5% no leite indústria.

Este aumento de 33% significa que os produtores passarão a receber 2,50 pesos (10 centavos de dólar) por litro como mínimo. Em julho, o preço médio foi de 2,19 pesos (8,76 centavos de dólar) e a previsão para agosto era de um preço em torno de 2,08 pesos (8,32 centavos de dólar).

Em 13/08/02 - 1 peso uruguaio = US$ 0,04
25 pesos uruguaios = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: El Pais, adaptado por Equipe MilkPoint
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