A Austrália está propondo ao Brasil a formação de uma aliança para combater os subsídios concedidos aos produtos lácteos no comércio internacional por Estados Unidos, União Européia e Canadá. A chamada Global Alliance, inspirada em experiência similar no setor de açúcar, reuniria empresários e produtores de países exportadores que não contam com ajuda governamental: Austrália, Nova Zelândia, Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.
O assunto será discutido oficialmente pelos envolvidos em Buenos Aires, dia 3 de outubro, onde deve ser definida uma agenda de ações para o encontro do grupo de Cairns, que ocorre em Santa Cruz, Bolívia, de 19 a 21 de outubro. "Queremos nos assegurar de que o leite será incluído na pauta de negociações agrícolas", diz o diretor para América e Caribe da Corporação de Lácteos da Austrália, Roberto Petit.
O setor privado brasileiro vê a iniciativa australiana com bons olhos. "É conveniente para o Brasil fazer parte desse grupo", acredita Rodrigo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA). "Com o aumento das exportações, poderemos escoar o excedente da produção na safra e estabilizar o preço pago ao produtor", diz Vicente Nogueira, da Confederação Brasileira de Cooperativas de Latícinios (CBCL).
Segundo a Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica (OECD), o leite é o setor agrícola que mais conta com apoio governamental. Os subsídios globais ao produto somaram US$ 39,4 bilhões em 2001.
O comércio mundial de lácteos movimenta US$ 26 bilhões por ano. A Nova Zelândia é o maior exportador com 34% do mercado, seguida da União Européia com 31% e da Austrália com 15%. Pelas contas do setor privado australiano, esse mercado cresceria 10% ao ano caso fossem cortados metade dos subsídios atuais e duplicadas as cotas concedidas por Estados Unidos e Europa. Além disso, os preços obtidos por Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai também aumentariam de 8% a 10%.
Embora o Brasil não seja um importante exportador, a Austrália considera crucial o apoio do país. "Com Brasil, Argentina e Uruguai, teríamos praticamente o Mercosul ao nosso lado", diz Petit, que pretende conquistar também o aval a Índia, maior produtor de leite do mundo.
Para o executivo australiano, o Brasil tem potencial para se tornar um grande exportador, graças a sua base produtiva. Em 2001, as exportações brasileiras de produtos lácteos atingiram US$ 25 milhões, alta de 87,3% ante os US$ 13,3 milhões obtidos em 2000, conforme a Secex. De janeiro a agosto desse ano, os embarques chegaram a US$ 26,9 milhões.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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