O governo dos Estados Unidos agora vai concentrar suas operações de deportação “nas maiores cidades dos Estados Unidos”, anunciou Donald Trump em sua própria rede social, mais uma vez ajustando o discurso após receber críticas — inclusive de alguns conservadores — por realizar operações que poderiam prejudicar os setores da agricultura e pecuária e também da hotelaria.
Setores produtivos dos EUA pressionam Trump por mudanças na política migratória
O ex-presidente Donald Trump afirmou neste domingo (15), em postagem na Truth Social, que seu governo irá “ampliar os esforços para deter e deportar imigrantes ilegais nas maiores cidades do país, como Los Angeles, Chicago e Nova York”, classificando esses locais como “o núcleo do centro de poder dos democratas”.
A declaração surge após Trump admitir, na última quinta-feira (12), que setores como agropecuária e hospitalidade estão sofrendo impactos negativos da política migratória rigorosa, que estaria retirando do mercado “trabalhadores muito bons, de longa data”. Diante disso, ele prometeu que “mudanças estão chegando”.
ICE recua e suspende operações em fazendas, hotéis e restaurantes
Na mesma quinta-feira, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) enviou uma orientação interna aos seus líderes regionais determinando a suspensão imediata de operações de fiscalização em locais de trabalho, como fazendas, restaurantes e hotéis, segundo informações do The New York Times.
Além disso, a diretriz recomenda que os agentes evitem prender imigrantes indocumentados sem antecedentes criminais, os chamados “colaterais não criminosos”, reconhecendo que essa decisão reduz “um número significativo de potenciais alvos”.
Essa mudança de postura marca uma reversão das ordens anteriores do próprio governo Trump, que havia instruído o ICE a realizar batidas mais agressivas em locais de trabalho para aumentar o número de detenções — ação que gerou forte reação negativa, incluindo protestos massivos em Los Angeles.
Agricultores e empresários criticam batidas migratórias
As operações migratórias em fazendas e empresas de processamento geraram forte oposição de associações do setor agrícola, pecuaristas e até de republicanos em estados com forte dependência da mão de obra imigrante.
Glenn Thompson, deputado republicano da Pensilvânia e presidente do Comitê de Agricultura da Câmara, afirmou que as batidas são “simplesmente erradas”. Segundo ele, o governo deveria “focar em criminosos e nos dar tempo para implementar processos que garantam a continuidade da cadeia de abastecimento de alimentos”, evitando assim o colapso em fazendas e indústrias.
Vários relatos indicam que, após as ações do ICE, trabalhadores deixaram de comparecer às fazendas, afetando diretamente regiões agrícolas de Nebraska à Califórnia.
Empresas de Trump também usam mão de obra estrangeira
Apesar do discurso contra a imigração irregular, as próprias empresas de Donald Trump contrataram pelo menos 1.880 trabalhadores estrangeiros desde 2008, utilizando programas de visto temporário, segundo dados do Departamento do Trabalho apurados pela Forbes.
As contratações ocorreram em empreendimentos como Mar-a-Lago, quatro clubes de golfe e na vinícola de Trump na Virgínia, evidenciando a dependência do setor de hospitalidade da mão de obra imigrante — situação semelhante à enfrentada atualmente por fazendeiros e empresários americanos.
Entenda o contexto: deportações, crise no agro e protestos
O governo Trump intensificou as deportações no início de junho, impulsionado pelo assessor de imigração Stephen Miller, arquiteto da política de deportações em massa. Miller teria pressionado o ICE a expandir os critérios de prisão, incluindo migrantes sem antecedentes criminais, quebrando uma promessa anterior de focar apenas em imigrantes considerados perigosos.
Essa escalada resultou em batidas de alto impacto em locais como:
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Uma loja do Home Depot em Los Angeles;
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Uma planta frigorífica em Omaha, Nebraska;
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Fazendas na região de Oxnard, na Califórnia.
As ações geraram caos, protestos e insegurança no setor agropecuário, além de críticas tanto de democratas quanto de republicanos.
Conclusão: pressão econômica força recuo nas deportações
O embate entre a política migratória de linha dura e as demandas econômicas dos setores produtivos dos Estados Unidos evidencia um dilema central: sem trabalhadores imigrantes, setores como agropecuária, hospitalidade e serviços não conseguem operar plenamente.
Diante da pressão de empresários, parlamentares e sindicatos rurais, o governo Trump foi obrigado a moderar as ações do ICE, pelo menos temporariamente, priorizando a estabilidade econômica frente ao discurso anti-imigração.
As informações são da Forbes.