Técnicos do Instituto Natureza do Estado do Tocantins (Ruraltins) e da estatal húngara Agroinvest retornaram, semana passada, à Fazenda Nossa Senhora do Rosário e constataram os primeiros resultados do programa de transferência de embriões. A fazenda do pecuarista Edmundo Galdino é uma das três propriedades na região onde foi implantado o Programa Brasil-Hungria, que tem como objetivo desenvolver a pecuária leiteira mediante a transferência de embriões provenientes de rebanhos leiteiros de elevado valor genético.
A equipe esteve na fazenda pela primeira vez em janeiro, quando foi iniciado o trabalho de implantação, processo que permite a substituição imediata do rebanho por animais de alta produção. Naquela ocasião, foram preparadas vinte fêmeas, todas em bom estado de saúde e nutrição, com aparelho reprodutivo perfeito, vacinadas e vermifugadas. Das vinte, apenas sete foram selecionadas.
Agora, 67 dias após a execução dessa primeira etapa, a equipe voltou à propriedade para fazer o diagnóstico de gestação, utilizando um aparelho de ultra-sonografia. O resultado do exame, feito em menos de uma hora, confirmou a prenhez de quatro animais.
No mercado, o preço de uma transferência de embrião gira em torno de R$ 1,5 mil. A vantagem para o produtor é que neste programa ele paga R$ 300 por prenhez confirmada, e o valor é dividido em dez parcelas sem juros. A quantia representa apenas 20% do custo, o restante é bancado pelo governo federal.
O Programa Brasil-Hungria prevê a contratação de 10 mil prenhezes para várias regiões do País, em um trabalho que será finalizado no prazo máximo de cinco anos. Para o Tocantins, onde o programa é coordenado pelo Ruraltins e entidades como sindicatos rurais, laticínios e associações, foram contratadas 750 prenhezes.
Até o momento, as propriedades atendidas estão localizadas em áreas próximas a Palmas, Araguaína e Gurupi, onde onze produtores estão sendo beneficiados. Em menos de dois anos, já foram implantados 150 embriões. Segundo previsão do veterinário do Ruraltins, Cláudio Sayão Lobato, nos próximos dois anos, mais 210 embriões deverão ser implantados.
Sandor Sinóros acompanha a realização do programa no Tocantins, Goiás e Minas Gerais, estados que, segundo ele, têm apresentado o mesmo índice de prenhez.
O resultado é um incentivo aos produtores do Tocantins. Utilizando o processo normal de cruzamento, demoraria cerca de 10 anos para obter os animais P.O. (puro de origem), conseguidos em nove meses nesse processo de transplante de embriões. Além do tempo mais curto, há melhor qualidade.
A maior parte do rebanho tocantinense é formada por animais da raça Nelore, que produzem uma média de 2 litros de leite por dia, enquanto a média nacional é de 8 litros/dia. As fêmeas nascidas por intermédio do programa deverão produzir uma média de 30 litros de leite por dia.
(Por Milena Barros, para Gazeta Mercantil, 03/04/01)
Tocantins consegue primeiros resultados com transplante de embriões
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