Tese de mestrado sugere a implantação de contratos futuros de leite no Brasil
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
Contratos futuros são definidos como um acordo legal de compra ou venda de uma determinada commodity no futuro, em quantidade e qualidade padronizadas e preço estabelecido no pregão. No Brasil, esse tipo de negociação já existe para boi gordo, bezerro, café arábica e conillon, milho, soja, açúcar, algodão e álcool.
Elaborado pela Engenheira de Alimentos Kennya Beatriz Siqueira sob a orientação dos Professores Carlos Arthur B. da Silva e Danilo Rolim Dias de Aguiar, o trabalho partiu do pressuposto de que a implantação de um contrato futuro de leite no Brasil seria capaz de reduzir as distorções mercadológicas e financeiras que o segmento de laticínios vem enfrentando, após o fim do tabelamento de preços. A comercialização a futuro pode ser uma opção para produtores, indústrias e cooperativas do setor de laticínios, pois os mercados futuros funcionam como instrumentos auxiliares no desenvolvimento da comercialização agrícola, limitando a flutuação dos preços.
A tese defendida analisou a cadeia produtiva do leite e avaliou características específicas do leite cru (em nível de produtor), leite UHT e leite em pó, de modo a definir a probabilidade de sucesso de contratos futuros destes produtos no Brasil e verificar quais, entre eles, seriam mais adequados para esse tipo de negociação.
Com base na "Teoria do Sucesso ou Fracasso de Contratos Futuros", foram analisados atributos como a perecibilidade do produto, homogeneidade, volatilidade dos preços, tamanho do mercado, formas de comercialização do produto e freqüência de negociações, entre outros. De acordo com esses fatores, o leite cru refrigerado mostrou-se como o produto mais adequado para a implantação de um contrato futuro de leite no Brasil. Tal afirmação se fundamenta no fato de que o leite cru apresenta elevada volatilidade de preços, grande número de agentes negociando constantemente num mercado competitivo e inexistência de contratos ou outras formas de comercialização que concorram com o contrato futuro, além da impossibilidade de se realizar o chamado cross hedging, que é a realização de contratos futuros com produtos que tenham correlação de preços com o leite cru. Os demais produtos analisados apresentaram algumas características favoráveis para a comercialização a futuro, mas a baixa volatilidade encontrada, associada ao alto grau de concentração dessas indústrias, praticamente inviabiliza as suas transações a futuro.
Para complementar a análise, realizou-se, com o apoio do site MilkPoint, uma entrevista com os 100 maiores produtores de leite do Brasil, procurando identificar o seu interesse por contratos futuros. Os produtores que compõem esta amostra produziram, em 2002, 294.990 mil litros de leite, com média de 8.082 l/dia, valor este muito superior à média da maioria das fazendas brasileiras. Dentre estes, 26% entregam a sua produção para cooperativas, com destaque para a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL) e Itambé; 16% têm laticínio próprio e 13% vendem o leite para a empresa Nestlé. Entretanto, 13% dos produtores têm mais de uma alternativa de entrega para o produto, o que sugere um certo grau de cautela com relação ao gerenciamento de risco de preços.
A idade média dos administradores das propriedades analisadas é 45 anos, sendo que somente 14,6% dos entrevistados têm acima de 60 anos, 43,9% têm entre 41 e 60 anos e 41,5% estão entre 21 e 40 anos. Este é um fator positivo para a implantação do contrato futuro de leite, pois outros estudos mostraram que fazendeiros acima de 60 anos preferem usar outros tipos de contratos, pela tradição em comercializar a produção nos meios em que já estão habituados, enquanto que os administradores com idade abaixo de 60 mostram-se mais propensos a inovações.
Com relação ao nível de escolaridade, pôde-se observar predominância de profissionais com nível superior (43,9%), seguido de ensino médio completo (23,2%), ensino fundamental completo (12,2%), pós-graduação (11,0%), ensino médio incompleto (8,5%) e analfabetos (1,2%). Portanto, predominam administradores com 11 anos ou mais de escolaridade. Isto se constitui em mais uma vantagem para o lançamento do contrato futuro de leite no Brasil, pois estudos prévios indicam que a maior parte dos produtores que usam mercados futuros, nos países desenvolvidos, possui curso superior ou escola secundária completa.
De acordo com 35,4% dos produtores entrevistados, a principal fonte de risco na atividade leiteira é o preço dos insumos empregados na atividade. Por outro lado, o preço recebido pelo leite foi apontado por 54,9% dos entrevistados como o grande problema enfrentado pelos produtores do produto no Brasil. Esta percepção foi confirmada pelo número de produtores que procura reduzir seu risco de preços através da celebração de contratos de entrega com cooperativas e laticínios privados: 67,1% dos entrevistados. Dentre estes, 66,7% acreditam que tais contratos são eficientes na redução de risco de preços.
A resposta dos produtores quanto ao conhecimento de mercados futuros também foi surpreendente. Do total de entrevistados, 57,3% disseram conhecer o mecanismo de comercialização a futuro, dos quais 61,1% mostraram-se interessados em adotar novos mecanismos de gerenciamento de risco de preços e 91,5% teriam interesse em negociar contratos futuros de leite.
Vale ressaltar que as entidades de apoio ao setor agropecuário já têm sentido a necessidade de implantação de um contrato futuro de leite no Brasil, como forma de modernização a comercialização do produto e gerenciar o risco de preços, o que foi comprovado através de coleta de opiniões de especialistas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios (CBCL), Serlac, entre outras opiniões divulgadas no II Congresso Internacional do Leite, em 2003. Com o trabalho recém-concluído, mostrou-se que um contrato futuro para o leite cru no Brasil teria grandes possibilidades de ser bem-sucedido, tanto pelas características apresentadas pela commodity e pelo seu mercado, quanto pelo interesse demonstrado por um grupo significativo de participantes potenciais nas transações a futuro.
Fonte: Kennya Beatriz Siqueira, adaptado por Equipe MilkPoint
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RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - TRADER
EM 21/12/2003
1.Concentração e centralização no Mercado primário e secundário.
2.Preço mínimo.EGF.(precisa de critérios mais abrangentes)
3.Volumes expressivos de comercialização devido a expansão
do leite UHT no mercado terciário.
4.Pode-se estudar com a Conab, a criação dos contratos de opção.
5.Existência da Bolsa de Mercadorias e Futuro,com alto grau de
sofisticação e penetração.
6.Maior desenvolvimento do mercado de CPR.
Ou seja, todas estas pontas e outras mais já deveriam estar na
Agenda das entidades de classe, para 2004.

UBERABA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 17/12/2003
Vejo o melhor caminho para atender ambos através do manejo racional da pastagem, pois sempre foi e sempre será o alimento mais barato para suprir os animais (leite e corte). Basta realizar um bom manejo da pastagem.
Athila M. da Silva
Zootecnista CRMV 1045-Z
Engenheiro Agronomo
CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuario.