O jornal O Popular trouxe uma reportagem de Paulo Lício, que informa que o fato de ser pequeno criador não impede o uso de tecnologias. No município de Silvânia, José Anísio Silva é um bom exemplo de produtor de leite tido como pequeno, que melhorou seus índices de produtividade após adotar técnicas corretas de manejo e nutrição do rebanho, além do uso de equipamentos que ajudam a melhorar a qualidade do produto. A tecnificação, aliás, é uma exigência para quem pretende continuar na pecuária leiteira, cuja rentabilidade depende basicamente da eficiência na produção.
Com uma gleba de 60 hectares, parte destinada a pastos, parte utilizada com lavouras, José Anísio produz cerca de 330 litros de leite por dia, em duas ordenhas, obtendo média de 12,69 litros por vaca/dia. São 26 vacas em lactação, algumas em fase final de ciclo. No período seco do ano, quando todas as vacas estavam em produção plena, ele tirava média de 500 litros/dia, com o mesmo número de animais, e agora a média saltou para 19 litros por vaca/dia nessa época.
Na propriedade, apenas 36 hectares são destinados a pastagens. Em 4 hectares, o produtor utiliza o sistema de pastejo rotacionado com cerca eletrificada. No restante faz o cultivo de milho, usado para silagem, e cana, para utilização no período seco, além de uma pequena área de soja. Por acreditar na atividade leiteira, José Anísio já dispõe de ordenha mecânica, uma sala de ordenha simples mas funcional e tanque de expansão, para coleta a granel. E mais: todas as vacas 31/32 de holandês são inseminadas.
De acordo com o produtor, que conta com apoio dos filhos Marcos Antônio e Luiz Antônio, a produção nesta mesma área pode chegar a 1.000 litros/dia. Para isso é preciso investir ainda mais na genética dos animais, melhorar a alimentação (destinando mais área para pastejo rotacionado) e controlar melhor o ciclo de parições ao longo do ano. O que desestimula, segundo ele, são as oscilações bruscas no preço do produto. No momento em que começa a apostar na atividade, adquirindo equipamentos e melhorando a nutrição, o leite cai de preço e o produtor fica em dificuldades.
Desempenho é favorecido
Mesmo de pequeno porte, José Anísio tem convicção de que somente com uso de tecnologias adequadas pode melhorar o desempenho de sua atividade. Ele possui botijão de sêmen para inseminação artificial. Ele e um de seus filhos já fizeram curso para realizar o trabalho. O leite obtido na propriedade é armazenado no tanque de resfriamento e coletado pela Cooperativa de Silvânia de dois em dois dias.
A cana produzida na propriedade, misturada à uréia, é usada para alimentação de vacas não paridas e novilhas, além de bezerros e fêmeas de descarte, durante a seca. Segundo ele, os machos melhoram muito quando suplementados no cocho. Ganham peso e alcançam maior valor no mercado. Quanto às vacas em lactação, são distribuídas em duas categorias. As de alta produtividade recebem maior quantidade de silagem de milho e concentrado protéico. O segundo grupo recebe o mesmo tipo de ração, mas em quantidades menores.
José Anísio é um típico produtor familiar. Ele próprio e os dois filhos fazem todo o trabalho com os animais e ainda cuidam das lavouras. Sua esposa e uma filha colaboram na transformação de produtos obtidos na própria terra. Mas não abre mão do estudo dos três filhos em escolas de Silvânia. José Anísio afirma que sua intenção é aumentar a produção, mas daqui para a frente tudo vai depender das decisões dos filhos. "Se eles quiserem continuar aqui, vamos apostar na atividade. Se eles se mudarem para estudar ou trabalhar, sozinho não vou expandir o negócio", arremata.
Por Paulo Lício, para O Popular/GO, 13/01/01
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.