A ideia no negócio nasceu da busca por uma alternativa para agregar valor ao leite de búfala, até então sem uso na fazenda, e já impulsiona os planos de expansão da empresa. O proprietário pretende ampliar o rebanho, aumentar a capacidade produtiva e levar o sorvete para novos mercados.
Toda a produção acontece no Engenho Conceição, onde os animais são criados e ordenhados diariamente. O leite segue diretamente para a fabricação dos sorvetes, que atualmente são preparados em pequenos lotes. Hoje, cinco búfalas abastecem a fábrica, mas a procura pelo produto já motivou a compra de outros cinco animais para ampliar a oferta nos próximos meses.
Segundo Alfredo Neto, proprietário da Doce Búfala, a ideia sempre foi crescer de forma gradual. “Preferi começar pequeno porque ainda não sabia como aproveitar todo o volume de leite. Primeiro precisávamos validar o produto. Agora que vimos a aceitação, estamos partindo para a expansão”, afirma.
O diferencial do sorvete está justamente na simplicidade da receita. O carro-chefe da marca, o sabor doce de leite, leva apenas leite de búfala e açúcar como ingredientes, sem adição de aromatizantes, conservantes ou outros aditivos. O teor de açúcar é de aproximadamente 10%, característica que, segundo o produtor, preserva o sabor do leite e reforça a proposta de oferecer um alimento mais natural. “O nosso sorvete de doce de leite tem apenas dois ingredientes: leite e açúcar. É um produto completamente artesanal, sem conservantes, saudável e muito saboroso”, destaca Alfredo.
Além do doce de leite, a marca produz sorvetes nos sabores café, nibs de cacau e licor de melaço (desenvolvido em parceria com a Cachaça Água Doce). A expectativa é que a Doce Búfala se consolide como um novo produto da gastronomia pernambucana.
Sorvete nasceu para dar destino ao leite da fazenda
A ideia de fabricar sorvete surgiu durante uma viagem do casal a uma propriedade rural em Garanhuns. Na visita, Alfredo conheceu uma sorveteria instalada dentro de uma fazenda e percebeu que poderia seguir um caminho semelhante com o leite das búfalas que havia adquirido recentemente.
Na época, uma das matrizes produzia cerca de sete litros de leite por dia, e o produtor ainda não havia definido qual seria a destinação da matéria-prima. Foram feitos testes com manteiga e queijo, mas nenhum produto despertou tanto interesse quanto o sorvete. “Quando vimos que eles produziam o próprio sorvete, eu pesquisei e não encontrei ninguém fazendo sorvete de leite de búfala em Pernambuco. Foi quando olhei para minha esposa e disse: ‘É isso que a gente vai fazer’. A decisão nasceu naquele momento”, relembra.
Sem encontrar cursos especializados em sorveteria em Pernambuco, Alfredo decidiu desenvolver a própria receita. Aproximadamente 200 litros de leite foram utilizados em testes até que a fórmula definitiva surgisse de maneira inesperada. “Depois de muitas tentativas frustradas, sonhei que estava preparando o sorvete. Acordei no meio da madrugada, anotei a receita e, no dia seguinte, fiz exatamente daquele jeito. Foi essa receita que usamos até hoje”, conta.
Sucesso do sorvete na Fenearte acelera investimentos
A estreia do sorvete de leite de búfala na Fenearte deste ano confirmou que havia espaço para o novo produto no mercado pernambucano. A Doce Búfala chegou ao evento com cerca de 900 potes preparados antecipadamente, mas precisou praticamente dobrar a produção ao longo da feira para atender à procura dos visitantes, alcançando aproximadamente 2 mil unidades comercializadas.
Como a produção própria de leite não era suficiente para atender ao aumento da demanda, a empresa passou a adquirir parte da matéria-prima de um criador vizinho, referência na bubalinocultura do Estado. “A aceitação foi muito maior do que esperávamos. Nosso leite não deu conta e começamos a comprar diariamente de outro produtor para manter a fabricação durante a feira”, relata Alfredo.
O desempenho também acelerou investimentos na estrutura da empresa. Cerca de R$ 100 mil já foram aplicados na aquisição de cinco animais, adaptação das instalações, compra dos equipamentos da sorveteria e reforma do espaço destinado à produção.
Atualmente, a fábrica tem capacidade para processar cerca de 40 litros de sorvete por dia, com possibilidade de ampliação conforme o aumento da oferta de leite.
Além das vendas realizadas durante as visitas turísticas à fazenda, a Doce Búfala negocia parcerias para comercializar o sorvete no Recife por meio de revendedores e distribuidores. A empresa também pretende participar de feiras gastronômicas realizadas em parques da capital, ampliando a presença da marca entre consumidores urbanos. “Agora queremos levar nosso sorvete para mais pessoas. Já estamos conversando com parceiros no Recife e buscamos novos canais de venda para continuar crescendo”, afirma Alfredo.
Experiência com chocolate inspirou sorvete
O lançamento do sorvete representa mais um passo na estratégia de produção adotada por Alfredo Neto no Engenho Conceição. Antes de investir no leite de búfala, o empresário já havia agregado valor ao cacau cultivado na propriedade com a criação da marca Alteva.
A marca de chocolates é especializada na produção artesanal de chocolates no conceito “tree to bar”, em que todas as etapas — do cultivo do fruto à fabricação do produto final — são realizadas pela própria empresa. A experiência adquirida no desenvolvimento dos chocolates serviu de base para identificar novas oportunidades de transformar matérias-primas produzidas na fazenda em produtos de maior valor agregado.
As informações são do Movimento Econômico.
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