A Rússia quer estabelecer a exportação de 30.000 toneladas de leite em pó por ano para a China, afirmou a agência governamental russa Agroexport. O crescimento das vendas para clientes estrangeiros é necessário para enfrentar o iminente excesso de oferta no mercado doméstico.
Em 2022, a China importou 1 milhão de toneladas de leite em pó, no valor de US$ 4,43 bilhões, estimou a Agroexport, acrescentando que a Nova Zelândia continua sendo o principal fornecedor do país, seguida por Austrália, Estados Unidos, Uruguai e Bielorrússia. As autoridades russas admitiram que a China continua sendo um mercado promissor para as empresas lácteas russas, mas a forte concorrência com outros fornecedores provavelmente será um grande desafio.
A China, juntamente com os países do Golfo Pérsico, são os mercados de exportação mais promissoras para as empresas de laticínios russas, destacou Dmitry Patrushev, ministro da Agricultura da Rússia, durante uma conferência do setor em Moscou. Ele estimou que, em 2022, o país exportou lácteos no valor de US$ 400 milhões, quase o mesmo valor do ano anterior. Por outro lado, 90% das exportações russas de lácteos ainda chegam a países “próximos”.
Maior empresa de laticínios da Rússia registra crescimento na produção
A maior empresa de laticínios da Rússia, a EkoNiva, revelou recentemente planos para produzir 1,3 milhão de toneladas de leite em 2023, 100.000 toneladas a mais em comparação com o ano anterior. Nesse ínterim, a empresa admitiu queda de demanda no mercado interno em algumas categorias de produtos.
A EkoNiva já está exportando seus produtos para o Cazaquistão, Armênia, Belarus, Uzbequistão e China. Atualmente, a empresa se esforça para entrar nos mercados do Sudeste Asiático e Oriente Médio.
2 milhões de toneladas de excesso de oferta de leite
A Rússia e a Bielorrússia veem um excesso de oferta no mercado doméstico de cerca de 2 milhões de toneladas de leite por ano, estimou Mikhail Mishenko, diretor da Dairy Intelligence Agency. Ele explicou que a Rússia e a Bielorrússia, de fato, formam um mercado único, já que os países compartilham um espaço aduaneiro comum. Ele também alertou sobre uma queda no consumo, acrescentando que, sem crescimento nas vendas de exportação, os negócios de lácteos devem se preparar para tempos difíceis.
“A situação não mudará drasticamente no futuro próximo. O crescimento do consumo não é esperado. Consequentemente, viveremos em condições de superprodução. A situação pode se desenvolver de duas maneiras: uma queda na produção ou um crescimento nas exportações”, disse Mishenko, acrescentando que, em sua opinião, em vez de focar no mercado chinês, os laticínios russos deveriam intensificar seus esforços para aumentar sua presença no Ásia Central.
“Se não conseguirmos aumentar significativamente as exportações, devemos esperar uma queda na produção de leite até o final de 2023. Primeiro, passaremos pela fase de estagnação; então, um declínio começará. Se conseguirmos aumentar as exportações, há chance de resistir”, acrescentou.
As informações são do Dairy Global, traduzidas pela Equipe MilkPoint.