A brasileira Serlac e a uruguaia Conaprole iniciaram negociações para exportar produtos lácteos em conjunto. Aproveitando a visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao Uruguai nesta semana, representantes da trading brasileira irão se reunir com a diretoria da cooperativa uruguaia para dar andamento às discussões.
De acordo com o presidente da Sertrading (companhia de comércio exterior que controla 50% da Serlac), Alfredo de Goeye, a proposta é que a Conaprole passe a fazer parte da trading. Formada em fevereiro desse ano, a Serlac conta com as brasileiras Itambé, Embaré, Ilpisa, Confepar e Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL).
Para Goeye, que participará da reunião com a Conaprole, a entrada da cooperativa aumentaria o poder de negociação da Serlac no mercado externo e evitaria concorrência entre as duas companhias. "Quanto mais produtores estiverem na iniciativa, maior será nossa força", diz. Fontes do setor afirmam que disputas comerciais entre Serlac e Conaprole acabam reduzindo o preço final do produto, como ocorrido recentemente numa concorrência de venda de leite em pó para a Argélia.
Com forte participação no Oriente Médio e na Ásia, a Conaprole também agregaria novos destinos às exportações da Serlac, que já embarca produtos para Argélia, Líbano, Costa Rica e Haiti. Além disso, a cooperativa uruguaia pode trazer novos produtos para o portfólio da Serlac, como o queijo.
As conversas entre as duas companhias estão sendo acompanhadas pelos governos brasileiro e uruguaio, confirma a secretária de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Lytha Espíndola. "Nós faremos a nossa parte, que é apoiar as parcerias entre Brasil e Uruguai e fortalecer a capacidade de exportação dos dois países", afirma.
A secretária considera o setor lácteo como uma das prioridades na relação entre os dois países. Ela comenta, inclusive, que há a possibilidade de apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento de uma eventual joint-venture no setor, envolvendo empresas brasileiras e uruguaias. Embora ainda não existam planos nesse sentido, uma parceria como Serlac e Conaprole se encaixaria nesse perfil.
Procurada pela reportagem, a cooperativa uruguaia não se manifestou. Analistas do setor acreditam que as vantagens competitivas da Conaprole no negócio são pequenas. O maior interesse da companhia seria o de aproximar-se dos laticínios brasileiros para tentar flexibilizar as medidas antidumping aplicadas pelo Brasil em 2000. Embora explique que o negócio não inclui o mercado interno, Goeye admite que "pode ser uma porta entrada para a Conaprole, pois se acaba trocando produtos de um país para o outro".
A Conaprole, devido ao volume que já comercializa no mercado internacional, não necessitaria canalizar toda sua exportação para a Serlac. "Seria alocada apenas uma quantidade inicial", diz Goeye. Responsável por 70% da captação de leite em seu país, a cooperativa exporta cerca de US$ 120 milhões por ano. O Brasil negociou apenas US$ 25 milhões em 2001.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Serlac e Conaprole podem se unir para exportar lácteos
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