As acusações de dumping que recaem sobre a principais empresas que industrializam leite na Argentina e que colocam em risco as exportações de leite em pó ao Brasil, geram entre os afetados grande desconforto.
Antes do fim de fevereiro, os empresários argentinos deverão propor um acordo ao Brasil para evitar a aplicação dessa tarifas, que vão de 6 a 46%, dependendo do caso. A medida, determinada pelo Departamento de Defesa do Comércio brasileiro, seria irreversível, a menos que o setor privado apresente alguma alternativa.
Os principais afetados por essa medida fizeram uma reunião com a Secretaria da Agricultura da Argentina e com os representantes do Governo de Santa Fe, Buenos Aires, Córdoba e Entre Ríos, que viajaram ao Brasil na semana passada a fim de conhecer maiores detalhes sobre essa questão.
No fim de dezembro, a Chancelaria e o Centro de Industrias Leiteiras (CIL) da Argentina comunicaram oficialmente seu desacordo com a medida devido à "arbitrariedade com que foram selecionados os preços de ambos os mercados para sustentar a causa". Mas essa medida não foi suficiente para fazer com que o Brasil voltasse atrás na intenção de aplicação de tarifas anti-dumping.
Desacordos em nível local
A tensão na Argentina aumentou quando alguns produtores de leite, que integram as Confederações Rurais Argentinas, manifestaram seu descontentamento com a depressão dos preços da matéria-prima, e justificaram tal queda pela acusação brasileira.
"O Brasil está pedindo que a Argentina unifique sua posição entre todos os setores", disse o secretário da Agricultura da Argentina, Antonio Berhongaray.
Ricardo James, titular da CIL, disse que as empresas prejudicadas definiram sua estratégia. Segundo ele, uma vez estabelecida a política que se seguirá, será realizada uma nova reunião para avaliar a proposta e organizar um grupo que assuma a defesa do setor. Qual seria a saída possível? "Fazer um acordo implica definir um preço mínimo, mas isso seria um problema se o mercado cair para baixo desse valor".
"Apesar de sua firmeza, eles estão dispostos a negociar um acordo de preços de compromisso. Nós temos que definir um esquema que possa servir também para resolver problemas com outros produtos, como a carne de porco e de frangos", explicou Miguel Paulón, ministro da Produção de Santa Fe.
A data limite
Para que fosse avaliado o quanto está em jogo nessa questão, o funcionário argentino explicou que, atualmente, as 150 mil toneladas de leite em pó que são exportadas ao Brasil representam emtre US$250 e US$300 milhões.
"Se o caminho for a negociação, estamos na data limite. Se for decidido recorrer a um tribunal judicial do Mercosul, não será possível evitar a aplicação de tarifas compensatórias a partir do dia 25 de fevereiro. Se essa instância não for suficiente, os brasileiros estarão dispostos a recorrer à Organização Mundial do Comércio", disse Paulón.
Paulón concluiu que essa conjuntura afeta não somente às indústrias, mas também aos produtores de leite do país. Além disso, provoca uma parada nos investimentos projetados para serem feitos no Brasil.
Para Miguel Campos, adido agrícola no Brasil, "o mais importante é que nessa negociação o setor primário de ambos os países também esteja de acordo, porque trata-se de uma cadeia produtiva. O ideal seria chegar a uma solução de longo prazo e não de conjuntura".
fonte: La Nación, por Equipe MilkPoint
Seguem as controvérsias nas exportações argentinas de leite ao Brasil
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