Sistemas de monitoramento de atividade e ruminação podem transformar a gestão leiteira, mas exigem comprometimento
Os sistemas de monitoramento de atividade e ruminação — conhecidos como monitoramento de precisão para vacas — têm o potencial de revolucionar a forma como uma fazenda leiteira gerencia seus rebanhos. No entanto, também podem gerar frustrações e aumentar os custos sem agregar valor, alerta a Dra. Melissa Cantor, Professora Assistente em Ciência Leiteira de Precisão na Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State). Ela destacou os seguintes requisitos para tornar esses sistemas um investimento vantajoso:
1. Compromisso com a tecnologia
O uso bem-sucedido do monitoramento de precisão para vacas requer uma combinação de bom senso, conhecimento sobre vacas e habilidade tecnológica. Cantor afirma que não é necessário que alguém na fazenda seja um especialista em tecnologia, mas pelo menos uma pessoa deve estar comprometida em aprender a operar o sistema, monitorar os dados e tomar decisões com base neles.
“Muitas vezes, as pessoas compram esses sistemas para detecção de cio, o que é válido. No entanto, os produtores frequentemente pagam também pelos algoritmos de monitoramento de vacas em transição, porque essa é uma funcionalidade atraente,” explicou Cantor. “Mas, se ninguém usa esses dados, você está pagando por algo que não utiliza. Certifique-se de alocar um trabalhador para monitorar as vacas em transição com o sistema para obter o máximo benefício.”
2. Personalização de alertas
Cantor destacou que muitos sistemas de monitoramento de precisão foram desenvolvidos na Europa, onde os rebanhos são menores, geralmente com menos de 100 vacas, e manejados de maneira diferente dos rebanhos típicos nos Estados Unidos ou do Brasil.
“Muitas pessoas não percebem que o software permite ajustar os limites dos alertas,” aconselhou Cantor. “Para detecção de cio, sugiro deixar os ajustes padrão, pois funcionam muito bem. Mas, para vacas em transição, veja quais limites se ajustam melhor à sua fazenda. Se você recebe alertas, mas as vacas parecem saudáveis, o software precisa ser ajustado. O mesmo acontece se os alertas chegam tarde demais, quando as vacas já estão muito doentes e poderiam se beneficiar de uma intervenção mais precoce. Pergunte ao revendedor de equipamentos como ajustar os alertas de saúde antes de comprar.”
3. Instalação no momento certo
Cantor explicou que a maioria dos sistemas precisa de cerca de um mês para que o algoritmo entenda o comportamento individual de uma vaca para detecção de cio. Já os sistemas de alerta de saúde podem exigir pelo menos 50 vacas para fornecer alertas de saúde oportunos no rebanho, além de 8 a 12 dias para aprender o comportamento de uma vaca individualmente. Isso varia muito dependendo do sistema adquirido, então é essencial obter informações detalhadas com o fornecedor.
Um erro comum é colocar colares de monitoramento de ruminação nas vacas somente no momento do parto, em vez de algumas semanas antes, durante o período seco. “Os primeiros 10 dias após o parto são quando muitos problemas acontecem, mas essas oportunidades serão perdidas porque o sistema ainda não entende a vaca,” disse Cantor. “Além disso, o sistema pode interpretar esses dias iniciais como ‘normais’, o que não é o caso.”
Cantor recomenda colocar os colares de monitoramento de ruminação 21 dias antes do parto para obter melhores resultados.
Não é amplamente conhecido, mas vacas em risco de distúrbios metabólicos apresentam alterações nos padrões de ruminação semanas antes do parto. Monitorar os padrões de ruminação no período seco, próximo ao parto, é fundamental para avaliar quais vacas têm ruminação consistente e quais apresentam alta variação nos padrões de ruminação (pelo menos uma hora de variação por dia). As vacas que não apresentam consistência nos padrões de ruminação são aquelas que devem ser monitoradas de perto após o parto.
4. Manutenção contínua
Assim como é necessário ter uma pessoa responsável por utilizar a tecnologia, também é preciso alguém para mantê-la em funcionamento. Essa pessoa pode ser a mesma ou um indivíduo diferente. No entanto, alguém deve se encarregar de garantir que as baterias estejam funcionando, que os dispositivos estejam em boas condições e fixados corretamente nas vacas, e que as peças dos equipamentos sejam limpas regularmente.
Cantor destacou que um problema comum com tecnologias de precisão em geral é que elas são vistas como ferramentas novas e modernas, mas 'isentas de manutenção'. "Isso definitivamente não é verdade," afirmou Cantor. "Praticamente toda fazenda que odeia seu sistema automatizado de ordenha, por exemplo, não está fazendo a manutenção adequada."
Cantor ressaltou que as capacidades dos sistemas de monitoramento de atividade e ruminação vão além da detecção de cio. Esses sistemas são emocionantes e altamente valiosos, especialmente para vacas em transição, desde que sejam compreendidos e personalizados para a fazenda. “Espero que mais pessoas usem o monitoramento de atividade e ruminação para aperfeiçoar seus programas de transição,” afirmou Cantor. “É incrível quando funciona bem.”
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.