Rondônia: consolidação na produção de leite

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A indústria leiteira de Rondônia prepara-se para dar um salto na captação e na qualidade do produto, ancorada numa agressiva política de crédito, benefícios fiscais e forte investimento em genética. O Estado possui a maior bacia leiteira da região norte do País - 1,5 milhão de litros de leite diários - e apresenta uma logística privilegiada, com a BR-364 e a Hidrovia do Rio Madeira, além de apresentar um dos menores custos de produção do País, cerca de metade dos R$ 0,20 por litro de Goiás.

Neste sentido, os produtores de leite de Rondônia entraram pesado nas linhas de crédito. De 1995 para cá, o Banco da Amazônia emprestou quase R$ 200 milhões do Fundo Constitucional do Norte (FCO) para projetos de pecuária leiteira.

Com um parque industrial ocioso em quase 40%, os laticínios locais estão apostando na ampliação da produção de leite longa vida e queijos, para os mercados das regiões metropolitanas de Manaus (AM), Belém (PA), Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC) - que, juntas, têm 5 milhões de habitantes. Apesar do foco bastante definido, as indústrias têm escoado a produção para mercados do Rio de Janeiro, São Paulo e até mesmo de Minas Gerais - casos do parmesão e da manteiga da Parmalat.

Incentivo

O governo do Estado baixou a alíquota do ICMS nas operações interestaduais com produtos lácteos de 12% para 8%, para incentivar os 46 laticínios locais a ampliar os investimentos no setor. Parte desta diferença - 1% - capitaliza o fundo de melhoramento genético do rebanho.

O fundo também deve financiar a montagem de 345 unidades demonstrativas de tecnologia em fazendas da região. Coordenada pela Embrapa Rondônia, a iniciativa tentará disseminar noções de controle sanitário, manejo e alimentação adequados. Estima-se que 600 mil litros de leite produzidos no Estado sejam clandestinos. "Cerca de 2% da produção total é jogada fora", diz o veterinário Francelino Silva Neto. "Temos que transformar os 'tiradores de leite' em produtores de fato".

Parmalat

A introdução de novos materiais genéticos no rebanho local tem forçado um aumento da produtividade. A Parmalat, instalada desde 1994 na região de Ouro Preto, prevê uma expansão anual de 35% com base na produção de novos animais resultantes do cruzamento com 300 touros puros holandeses financiados aos pecuaristas. Segundo Wanderson Campos, gerente da empresa, a produtividade média dos 400 pecuaristas vinculados à empresa passou de 2,9 litros em 2000 para 7 litros neste ano. A Parmalat tem recebido somente leite resfriado das fazendas, desde o início deste ano.

Outras empresas tentam trilhar o mesmo caminho. A Indústria de Laticínios Canaã, dona da marca líder Tradição, capta uma média de 350 mil litros/dia, que são transformados em queijos em suas 11 usinas. A empresa também financiou touros de genética superior aos seus produtores, mas acredita ser possível ampliar a produção do Estado sem investimentos pesados. "Se melhorasse só a alimentação, daria para aumentar o rendimento mesmo com o gado de qualidade inferior", diz Sueli Molles e Silva, sócia da empresa.

Até 2004, estima-se o resfriamento de 70% da produção diretamente nas fazendas, ainda dominadas por 35 mil pequenos proprietários, com produção média diária de 40 litros em 70 hectares de terra.

Fonte: Valor Online (por Mauro Zanatta), adaptado por Equipe MilkPoint
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