O leitor Sávio Santiago, dos Laticínios Bom Cheff, de Resende (RJ), comenta sobre as perspectivas de mercado do setor lácteo. Ele afirma que o mercado atacadista de leite longa vida, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, já começa a apresentar sinais de queda. "No início de maio, o longa vida estava entre R$1,18 e 1,20 por litro. Agora (final do mês) a realidade já é de preços de R$ 1,15 a R$ 1,17", comenta.
Além disso, Sávio informa que todos os compradores do produto passam uma expectativa de queda. Ele cita que algumas indústrias concorrentes de sua região já anunciaram redução no preço pago ao produtor de R$ 0,02/l a R$ 0,04/l. Leia a carta na íntegra aqui.
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ANTONIO LUIS B.DE LIMA DIAS
MOCOCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/06/2006
A cada dia me admiro ao ver a capacidade de trabalho e técnicas empregadas pelos compradores. Neste momento, temos como relatado no artigo uma enorme pressão baixista, estimulada pelos compradores e também pela Nestlé.
Todos falam da dificuldade da comercialização do leite longa vida e dos demais produtos lácteos. Vendedores de leite para o mercado "spot" já estão arrancando o cabelo, tamanha é a pressão psicológica exercida pelos compradores.
Mas, o que eu vejo na realidade, é uma tremenda seca nos estados do sul, uma produção totalmente estacionada, e com muita dificuldade para abranger os mercados de São Paulo e Minas Gerais. Além disso, já estamos há mais de 40 dias sem chuva na região Sudeste. Imaginem só como estão as pastagens de Goiás e Mato Grosso.
Neste ano, o inverno também chegou mais cedo e mais forte, e com certeza vai incrementar o consumo de um apetitoso leite quente na maioria dos lares brasileiros.
Nos supermercados regionais, até agora eu não vi queda de preço, ao contrário, observa-se até um leve aumento. E conversando com os compradores dessas redes nos foi relatado um aumento do volume de vendas.
Se as indústrias querem abaixar os preços, é só abaixar, ela mandam e desmandam no mercado. Mas que parem de fazer guerra psicológica, e inventando cenários mirabolantes para justificar queda do preço de leite.
Todos falam da dificuldade da comercialização do leite longa vida e dos demais produtos lácteos. Vendedores de leite para o mercado "spot" já estão arrancando o cabelo, tamanha é a pressão psicológica exercida pelos compradores.
Mas, o que eu vejo na realidade, é uma tremenda seca nos estados do sul, uma produção totalmente estacionada, e com muita dificuldade para abranger os mercados de São Paulo e Minas Gerais. Além disso, já estamos há mais de 40 dias sem chuva na região Sudeste. Imaginem só como estão as pastagens de Goiás e Mato Grosso.
Neste ano, o inverno também chegou mais cedo e mais forte, e com certeza vai incrementar o consumo de um apetitoso leite quente na maioria dos lares brasileiros.
Nos supermercados regionais, até agora eu não vi queda de preço, ao contrário, observa-se até um leve aumento. E conversando com os compradores dessas redes nos foi relatado um aumento do volume de vendas.
Se as indústrias querem abaixar os preços, é só abaixar, ela mandam e desmandam no mercado. Mas que parem de fazer guerra psicológica, e inventando cenários mirabolantes para justificar queda do preço de leite.

PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA
VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/06/2006
O comentário do Sávio é desalentador para quem produz leite no Sul Fluminense. Com preços em torno de R$ 0,55/l, o produtor está trabalhando "no vermelho". Imagine se o mercado, novamente no início da entressafra, depois de 12 meses de prejuízos, voltasse a cair? Seria um desastre total.
A região está vivendo um <i>boom</i> de leilões, onde todos querem vender vacas de leite e poucos ainda aceitam comprá-las, geralmente com dinheiro proveniente de outras atividades. Estamos presenciando a extensão do que ocorreu no Vale do Paraíba Paulista, se alastrando para o Rio de Janeiro: a derrocada da produção do leite.
Em tempo: um amigo de São José dos Campos (SP) me informou que está recebendo R$0,62 pelo litro de leite que produz em Caçapava (SP). Depois da desestruturação da produção, o produto fica escasso e os preços aumentam.
A região está vivendo um <i>boom</i> de leilões, onde todos querem vender vacas de leite e poucos ainda aceitam comprá-las, geralmente com dinheiro proveniente de outras atividades. Estamos presenciando a extensão do que ocorreu no Vale do Paraíba Paulista, se alastrando para o Rio de Janeiro: a derrocada da produção do leite.
Em tempo: um amigo de São José dos Campos (SP) me informou que está recebendo R$0,62 pelo litro de leite que produz em Caçapava (SP). Depois da desestruturação da produção, o produto fica escasso e os preços aumentam.