Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro "brigam" por alíquotas do leite

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Dentro de duas semanas, o Rio Grande do Sul deve definir que medidas adotará contra a cobrança, pelo Rio de Janeiro, de um adicional sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) incidente no leite gaúcho vendido para aquele Estado desde dezembro do ano passado. A decisão foi anunciada esta semana pelo governador gaúcho Germano Rigotto (PMDB).

"Vamos tomar providências que vão criar descontentamento em outros Estados, mas vamos tomá-las para evitar que o Rio Grande do Sul pague a conta por medidas que consideramos absurdas", afirmou durante apresentação do balanço de seis meses de atividades da Secretaria da Agricultura sob seu governo, na última terça-feira (08).

De acordo com o governador gaúcho, não se trata de "retaliação" , mas de "proteção" da indústria leiteira do Estado.

O pomo da discórdia é a cobrança, no Rio de Janeiro, dos 8,5% concedidos como crédito presumido pelo governo gaúcho sobre o leite vendido para os Estados das regiões Sul e Sudeste.

Estabelecido em novembro de 2002, o mecanismo reduziu, na prática, de 12% para 3,5% a alíquota interestadual sobre o leite na região. A medida desagradou ao governo fluminense e o levou a anular o benefício.

"A concessão de um crédito presumido sem convênio entre os Estados é uma medida unilateral" , afirmou o secretário da Agricultura do Rio, Christino Áureo. De acordo com ele, a resolução baixada pela Secretaria da Receita fluminense restabeleceu a alíquota de 12% para impedir a manutenção da política de "terra arrasada" contra o setor leiteiro do Rio de Janeiro.

O Estado produz apenas 60% dos 1,8 milhão de litros de leite que consome diariamente, mas, mesmo assim, muitas cooperativas locais entraram em processo de falência porque não conseguem concorrer com os subsídios concedidos em outras regiões do país, afirmou o secretário fluminense.

Em um ponto, os dois governos concordam: a situação mostra a urgência da reforma tributária, para evitar que mudanças em um Estado "atropelem" outro, como comentou o governador gaúcho. "Se eu não reduzo alíquotas, perco competitividade; se reduzo, perco receita. É um absurdo" , afirmou Rigotto.

Já o secretário fluminense afirmou ser partidário da "paz fiscal" e disse estar "aberto" a um diálogo com as secretarias da Fazenda e da Agricultura do Rio Grande do Sul para tratar de "interesses mútuos" dos Estados.

Fonte: Valor On Line (por Sérgio Bueno), adaptado por Equipe MilkPoint
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Moacyr Fiorillo Bogado
MOACYR FIORILLO BOGADO

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/07/2003

A questão é muito simples. O varejo fluminense se creditava de um ICMS que nao havia sido recolhido em lugar nenhum. E o produtor fluminense quando ia vender o seu produto ao mesmo varejista, este já partia dos 12% de crédito que obtinha do produto gaucho, para começar a negociar. Ora, se o leite tivesse sido taxado lá no RS, tudo bem, mas saindo de lá zerado, e chegar no rio com crédito de 12%! Desse jeito não precisava nem mandar o leite, bastava mandar a nota fiscal.

Ai, hermanos do sul, a Cidade é Maravilhosa, mas nem tanto.
Saudaçoes leiteiras.
Moacyr Bogado
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