Revista do Idec traz análise do leite longa vida
Publicado por: MilkPoint
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Comentário MilkPont: Para quem é do setor lácteo e não viu ainda a matéria, capa da edição de outubro/novembro deste ano, é interessante conhecê-la. O IDEC já esteve envolvido em questões relacionadas ao leite antes, tendo um grande espaço na mídia. A reportagem desta edição não é tão negativa como poderia se supor, além de pouco conclusiva pela reduzida amostragem, mas reflete a atuação das entidades ligadas ao consumidor - o que devemos nos acostumar. Em contato com o IDEC, cujo site hoje está hospedado no portal UOL, fomos informados que a revista tem tiragem de 32.000 exemplares. Abaixo, um resumo da reportagem.
Entre junho e agosto, os laboratórios do Centro de Pesquisa e Processamento de Alimentos da Universidade Federal do Paraná (Ceppa/UFPR) avaliaram a composição e as condições higiênico-sanitárias dos produtos. Foram adotadas como parâmetro as determinações da Portaria 370/97 do Ministério da Agricultura e do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal (RIISPOA). A análise da rotulagem foi feita pelos técnicos do Idec.
O resultado geral encontrado foi que as amostras não apresentavam contaminações nem fraudes mas, em alguns casos, apresentaram uma concentração de nutrientes abaixo do esperado e um volume menor que o anunciado no rótulo.
O primeiro e mais importante critério - presença de microrganismos - apresentou um bom resultado - não foram encontrados microrganismos. Depois de serem mantidos em uma estufa por sete dias, os leites permaneceram íntegros, sem contaminação. Só houve um problema com uma amostra da marca Carrefour. A caixa estufou, o que indica a penetração de micróbios no produto. A hipótese mais provável para explicar esse fato é que a embalagem dessa marca é a única que possui uma tampa de plástico para facilitar sua abertura. Pode ter surgido uma microabertura nessa área, menos protegida que o restante da caixa.
Foi, porém, nos exames de composição que apareceram os maiores problemas do teste. Dez produtos apresentaram uma concentração de gordura menor que a exigida pela legislação; dois não passaram na prova de extrato seco desengordurado, que permite verificar se o leite mantém uma quantidade mínima de nutrientes, além da água e da gordura; e nove tinham um nível de acidez abaixo do permitido.
Essas anomalias indicam má qualidade da matéria-prima e foram encontradas em treze marcas. Seis desses produtos (Betânia, Cemil, Jaguaribe, LAC, Leco e Paulista) não passaram no exame de gordura nem no de acidez. O leite da marca CCPL ficou fora do padrão nos três itens. Para um produto que tem menos gordura e nutrientes que o desejado, seria possível supor que ele houvesse sido adulterado. Por isso, foram feitos exames para detectar possíveis fraudes. Mas nenhuma irregularidade desse tipo foi encontrada.
Na análise do volume, a pesquisa descobriu que todas as caixas declaravam conter 1.000 mililitros, mas algumas - Cemil, Lírio ou Parmalat - apresentavam até vinte mililitros a menos. O Idec, porém, só mediu uma embalagem.
Caso isso se repetisse em outras, uma caixa com doze unidades de leite poderia ter até um copo a menos (240 mililitros) do que o total declarado. Por isso, o Instituto solicitou ao Inmetro uma avaliação completa de todas as marcas do mercado a esse respeito. Porém, as normas do Inmetro toleram uma variação de até 2% no volume do leite.
Quanto à rotulagem, a maioria das embalagens exibia as informações exigidas por lei. Parmalat e Frimesa até apresentavam dados nutricionais mais específicos.
Clique aqui
para ver tabela completa da avaliação do leite longa vida.
O que foi avaliado
Esterilidade
As caixas foram deixadas à temperatura de 35oC por sete dias e, depois, em um meio de cultura propício ao desenvolvimento de microrganismos. Se a caixa estufasse ou os micróbios proliferassem, estaria constatada a contaminação.
Gordura
O leite longa vida integral deve conter no mínimo 3,0%. Produtos com mais de 3,5% receberam pontuação maior.
Extrato Seco Desengordurado
Este exame determina o percentual de nutrientes que sobram do leite depois de retiradas a água e a gordura. Esta concentração não pode ser menor que 8,2%. Produtos com mais de 9,0% receberam pontuação maior.
Acidez
Medida com base no ácido lático, cujo peso deve corresponder ao intervalo de 0,14 a 0,18 por cento do total do produto.
Inexistência de fraude
Neste item, estão compreendidos quatro exames: a medição da densidade (que permite descobrir se houve adição de água ou outra substância) e as verificações da presença de formol, água oxigenada (substâncias que matam bactérias) e peroxidase, uma enzima que deve desaparecer quando o leite é submetido ao tratamento térmico adequado.
Aspecto, cor e sabor
É o exame das características percebidas pelos sentidos, ou organolépticas.
Empresas contestam
A Cemil, a Cotochés e a Capil Vida comunicaram ao Idec que utilizam, para a determinação da concentração de gordura do leite longa vida, que seria homogeneizado, uma metodologia diferente da oficial. As empresas centrifugam por mais tempo e com maior velocidade o produto e isso, alegam elas, poderia influenciar os resultados.
O Idec esclarece que utilizou a metodologia oficial do Laboratório Nacional de Referência Animal (Lanara) e que os leites que apresentaram menor quantidade de gordura não informavam que o produto era homogeneizado. Além disso, a metodologia oficial não prevê nenhuma diferença no exame de leites homogeneizados.
Clique aqui para ver a reportagem do Idec.
Fonte: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, adaptado por Equipe MilkPoint
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SÃO PAULO - SÃO PAULO
EM 04/01/2002
2 - A depressão do ponto crioscópico não é apropriada para deteção de fraudes em leites contendo o estabilizante citrato de sódio.
3 - Segundo a tabela de aditivos do MAPA e da ANVISA, os citratos são apenas estabilizantes.
4 - Não encontrar microrganismos viáveis significa também que a amostra/alíquota analisada se apresentava estéril ou "comercialmente estéril". Existindo mais de uma explicação para um fato, adoto sempre a mais simples e plauzível.

LONDRINA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 19/12/2001
A prova para verificar fraude por adição de água deveria ser a crioscopia e não a densidade que só é sensível para quantidades muito grandes. Desta maneira, por esta análise, não se pode dizer que não houve fraude.
Não encontrar microrganismos em nenhuma amostra também é estranho, mas pode ser explicado, em parte, pela adição de citrato de sódio como estabilizante da caseína, permitida pela legislação. Em quantidades um pouco maiores, o citrato torna-se um potente inibidor do crescimento microbiano, utilizado, desta forma e com este objetivo, com grande freqüência pelas indústrias. Assim, provas que detectassem de maneira inespecífica a presença de inibidores de crescimento ao invés das específicas para formol e água oxigenada seriam mais indicadas. Por fim, desnate excessivo também é fraude. A grosso modo, mesmo sem olhar números, posso assegurar que a interpretação dos dados foi bastante otimista.
Enviei estes comentários também ao IDEC. Profa. Vanerli Beloti